
Carrapato-estrela
Agência Brasil
São José dos Campos registrou uma morte por Febre Maculosa segundo o painel da doença elaborado pelo Ministério da Saúde, atualizado em 3 de julho com dados referente até o mês de junho.
Segundo o painel, São José dos Campos tem 45 casos notificados e uma morte confirmada. Guaratinguetá e Cruzeiro têm, cada uma, dois casos registrados; Taubaté e Santa Branca têm 3 casos cada uma; Jacareí, 4 casos notificados; São Sebastião, 5 casos, com um caso confirmado; e Ubatuba tem 6 casos registrados. Na RMVale, são 70 casos notificados.
Estado de São Paulo
Segundo o painel de Febre Maculosa do Ministério da Saúde, o Estado de São Paulo tem 16 casos confirmados e 14 mortes. As mortes ocorreram principalmente nas regiões de Piracicaba, Americana, Sorocaba, Campinas, São José dos Campos, Santo André e São Bernardo do Campo.
Febre Maculosa
A Febre Maculosa Brasileira é uma doença infecciosa causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, que é transmitida por picadas de carrapatos do gênero Amblyomma, conhecido como carrapato estrela. Os carrapatos transmitem a doença durante o período em que ficam aderidos à pele se alimentando de sangue, em diferentes fases do seu ciclo de vida (desde as mais jovens até o estágio adulto). A infecção não se transmite entre uma pessoa e outra.
O médico Infectologista e Epidemiologista, Leandro Mendes, de Bragança Paulista, explica que a Febre Maculosa Brasileira pode se manifestar de diferentes maneiras. “Nas suas fases iniciais e formas leves, ela pode se parecer muito com outras doenças febris agudas, como a dengue, por exemplo, com febre, dor de cabeça e dores pelo corpo. O nome “febre maculosa” vem de manchas que podem aparecer pelo corpo alguns dias após o início da doença”, diz o médico.
A partir do terceiro dia, podem aparecer manchas avermelhadas na pele, seguidas de pequenas lesões arroxeadas, principalmente nas mãos e nos pés, indicando a evolução para uma fase mais grave da doença. Gangrena nos dedos e orelhas são sintomas mais avançados, assim como uma paralisia que se inicia nas pernas e sobe até os pulmões.
Na sua forma grave, a infecção pode causar disfunção de múltiplos órgãos como fígado, rins, e o sistema nervoso central, inclusive causando falência circulatória e morte. O infectologista alerta que a doença pode progredir rapidamente da fase inicial pra formas graves, por isso o tratamento precoce é essencial.
Prevenção
Para se prevenir da Febre Maculosa, as pessoas devem evitar com áreas de risco — aquelas onde há circulação da bactéria entre os carrapatos, principalmente com altas concentrações de hospedeiros não-humanos, como as capivaras — ou seja, parques e áreas de mata.
O dr. Leandro explica que o ciclo de vida do carrapato Amblyomma tem maior atividade entre os meses de abril e outubro.
Pra evitar as picadas, deve-se usar roupas compridas (calça e camisetas com manga) e realizar inspeções periódicas, pensando que é necessário que o carrapato fique, pelo menos, 2h aderido à pele pra que ocorra transmissão. Então se você encontrar e remover o carrapato antes desse intervalo, o risco diminui muito. Além de, claro, buscar atendimento em caso de sintomas, afirma o infectologista.
Em nível coletivo, a prevenção ocorre através da vigilância constante de casos suspeitos, aliada a estratégias de monitoramento zoonótico, além de medidas ambientais como poda de vegetação para diminuir a circulação de hospedeiros não-humanos e carrapatos nas áreas de maior circulação de pessoas.
Ao encontrar um carrapato preso em sua pele, a recomendação é remover o bichinho com com uma pinça ou qualquer espátula, tomando cuidado pra retirá-lo inteiro. O maior cuidado é sempre não “esmagar/espremer” o animal na pele, porque assim pode haver maior liberação de bactérias pra dentro da corrente sanguínea.
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