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Guilherme Meiçó explica os sinais de alerta para dor no ombro

Ortopedista fala sobre manguito rotador, medicina regenerativa e quando a cirurgia pode ser necessária

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14/05/2026 • 10:18 • Atualizado em 14/05/2026 • 10:18

Guilherme Meiçó explica os sinais de alerta para dor no ombro

Guilherme Meiçó explica os sinais de alerta para dor no ombro

TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS

A dor no ombro costuma começar de forma discreta. Primeiro, aparece ao levantar o braço, carregar peso ou dormir de lado. Depois, pode interferir em tarefas simples, como vestir uma camisa, pentear o cabelo, dirigir ou praticar atividade física. Quando o incômodo deixa de ser pontual e passa a limitar a rotina, a avaliação médica se torna importante para identificar a causa e evitar que o quadro evolua sem acompanhamento adequado.

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Entre as estruturas que podem estar envolvidas está o manguito rotador, conjunto de músculos e tendões essencial para a estabilidade e o movimento do ombro. Embora o nome seja bastante citado em consultórios e exames de imagem, nem sempre o paciente entende o que ele representa ou por que uma lesão nessa região pode comprometer tanto a qualidade de vida.

O papel do manguito rotador no movimento do ombro

Guilherme Meiçó, ortopedista e cirurgião de ombro e cotovelo, explica que o manguito rotador funciona como uma estrutura de equilíbrio da articulação. Ele participa de movimentos amplos e, ao mesmo tempo, ajuda a manter o ombro bem posicionado durante o uso do braço.

“O manguito rotador é formado por quatro músculos: subescapular, supraespinal, infraespinal e redondo menor. Eles ajudam a manter a estabilidade e a congruência da articulação do ombro. Também participam de movimentos como rodar o braço para dentro, rodar para fora e elevar o braço, movimentos que parecem simples, mas que dependem de uma articulação funcionando de maneira coordenada”, afirma.

As lesões podem ter origens diferentes. Em pessoas mais jovens, estão mais associadas a traumas, quedas, acidentes ou sobrecargas esportivas. Também podem aparecer como processos inflamatórios, a exemplo das tendinites. Já em pacientes mais velhos, o desgaste progressivo dos tendões e os movimentos repetitivos acumulados ao longo da vida podem favorecer lesões degenerativas.

Essa diferença é importante porque o tratamento não segue uma fórmula única. O mesmo diagnóstico pode ter condutas distintas, de acordo com idade, intensidade da dor, perda de força, rotina profissional, prática esportiva e grau de comprometimento do tendão.

Sinais de alerta para lesões no ombro

Alguns sintomas ajudam a diferenciar uma dor passageira de um quadro que precisa ser investigado. Dor ao elevar o braço, dificuldade para levar a mão à cabeça, piora ao deitar, perda de força e limitação progressiva dos movimentos são sinais que merecem atenção.

“A dor que compromete a função do ombro precisa ser observada. Quando o paciente percebe que não consegue mais fazer movimentos que antes eram naturais, ou quando a dor piora à noite, especialmente ao deitar, acende-se um sinal de alerta. Em quadros mais avançados, pode surgir perda de força, e isso muda bastante a forma de conduzir o caso”, diz Meiçó.

A automedicação também aparece como um risco frequente. O uso repetido de analgésicos e anti-inflamatórios sem orientação pode aliviar momentaneamente a dor, mas não esclarece a origem do problema. Em alguns casos, o paciente demora a procurar ajuda e chega ao consultório com sintomas mais persistentes ou com maior limitação funcional.

Quando a dor começa a limitar a vida

A dor no ombro nem sempre afeta apenas o movimento. Ela pode modificar hábitos, reduzir a prática esportiva, prejudicar o sono e afastar a pessoa de atividades que fazem parte da sua identidade. Meiçó relata que muitos pacientes procuram atendimento depois de meses tentando se adaptar ao incômodo.

“É muito comum o paciente dizer que, no início, deixou de nadar, jogar tênis, fazer musculação ou tocar um instrumento para sentir menos dor. Só que, com o tempo, mesmo abrindo mão dessas atividades, a dor continua. Esse é um ponto importante: evitar o movimento pode até aliviar por um período, mas não necessariamente trata a causa”, explica.

A observação é especialmente relevante para pessoas ativas, atletas amadores e idosos que passaram a buscar mais movimento como parte de uma rotina saudável. O aumento da prática de exercícios é positivo, mas também exige orientação, fortalecimento adequado e atenção aos sinais do corpo.

Tratamento não significa necessariamente cirurgia

Uma das principais dúvidas de quem sente dor persistente no ombro é se o diagnóstico levará obrigatoriamente a uma cirurgia. Na prática, a indicação depende do tipo de lesão e da resposta do paciente às primeiras medidas de cuidado. Fisioterapia, fortalecimento, ajustes de carga, mudanças de hábito, controle da dor e acompanhamento especializado podem fazer parte da conduta.

“O paciente não deve entender a avaliação com um cirurgião como sinônimo de cirurgia. Existem lesões que podem ser tratadas de forma conservadora, com fisioterapia, fortalecimento, acupuntura, medicação quando indicada e outras estratégias. O mais importante é entender qual é a lesão, qual é o impacto dela na vida do paciente e qual caminho faz sentido para aquele caso específico”, afirma.

Essa individualização é um ponto central na ortopedia atual. Dois pacientes com exames parecidos podem ter necessidades diferentes. Um pode precisar retornar a um esporte de alto impacto; outro busca apenas dormir sem dor e recuperar autonomia para as tarefas diárias. A escolha do tratamento deve considerar esse contexto.

Medicina regenerativa como recurso complementar

Dentro desse cenário, a medicina regenerativa foi citada por Meiçó como uma área que vem ganhando espaço no tratamento de dores e lesões musculoesqueléticas. A proposta é utilizar recursos que estimulem o próprio organismo a participar do processo de reparo, sempre de acordo com a indicação clínica.

“A medicina regenerativa busca criar um ambiente biológico mais favorável para que o organismo responda à lesão. Isso pode envolver infiltrações, terapia por ondas de choque, fisioterapia, acupuntura e outros recursos. Mas é fundamental deixar claro que essas medidas não servem para todos os casos e não substituem aquilo que continua sendo necessário, como a reabilitação bem feita”, explica o ortopedista.

Entre as possibilidades mencionadas estão infiltrações, terapia por ondas de choque e procedimentos guiados por imagem. Esses recursos podem ser considerados em alguns quadros de dor persistente, tendinopatias ou lesões sem indicação cirúrgica imediata. A decisão, porém, deve ser feita caso a caso.

“As terapias se complementam, não se substituem. Se o paciente precisa de fisioterapia, uma infiltração não elimina essa necessidade. Se precisa mudar hábitos, nenhum procedimento resolve sozinho. O tratamento funciona melhor quando cada etapa tem uma função dentro de um plano”, destaca o ortopedista.

Quando a cirurgia entra no tratamento

Apesar dos avanços em tratamentos conservadores e complementares, algumas lesões exigem abordagem cirúrgica. Rupturas completas de tendão, artroses avançadas e quadros com perda importante de função podem precisar de correção por meio de procedimento específico. Nesses casos, adiar a avaliação pode reduzir as possibilidades de tratamento.

“Existem lesões que são eminentemente cirúrgicas. Um tendão rompido por completo pode precisar de reparo, e uma artrose avançada pode levar à indicação de prótese. Por outro lado, há lesões que ainda não têm indicação de cirurgia, mas causam dor, limitação e perda de qualidade de vida. É justamente nessa diferença que a avaliação individual se torna decisiva”, afirma Meiçó.

Guilherme Meiçó também cita avanços no planejamento cirúrgico e em técnicas menos invasivas, como cirurgias por vídeo e próteses planejadas com auxílio de exames de imagem. O objetivo é buscar maior precisão, sempre dentro das possibilidades e indicações de cada paciente.

Prevenção envolve força, mobilidade e rotina saudável

A prevenção das dores no ombro não depende de medidas complexas. Fortalecimento muscular, alongamentos, mobilidade articular, prática regular de atividade física, alimentação adequada e sono de qualidade formam a base de uma rotina mais protetora para articulações, músculos e tendões.

“O tratamento mais avançado perde força se o paciente mantém os hábitos que contribuíram para a lesão. Atividade física regular, boa alimentação e sono de qualidade parecem orientações simples, mas são pilares. O corpo precisa de músculo, recuperação e equilíbrio para responder melhor tanto à prevenção quanto ao tratamento”, pontua Meiçó.

A vida moderna, com longos períodos sentado, uso excessivo de telas e ambientes de trabalho improvisados, também pode contribuir para dores no ombro, cotovelo e coluna. No home office, por exemplo, a postura inadequada e a falta de pausas favorecem sobrecargas.

“Quando a pessoa trabalha em casa, precisa transformar a casa em um ambiente adequado de trabalho. Usar o computador no colo, trabalhar deitado ou passar horas em uma mesa improvisada pode gerar sobrecarga. A tecnologia facilitou a rotina, mas também reduziu muito o movimento do corpo”, diz.

Dor persistente não deve ser normalizada

A recomendação é procurar avaliação quando a dor passa a se repetir, piora com movimentos, interfere no sono ou provoca perda de força. Nem todo incômodo representa uma lesão grave, mas a persistência dos sintomas deve ser observada.

“Não mascare nem ignore a dor. Uma dor pequena ou intensa continua sendo um sinal do corpo. Quanto antes o paciente procura ajuda, melhor tende a ser a condução do caso. O medo não deve ser da avaliação, mas da evolução de uma lesão que poderia ter sido tratada de forma mais adequada no início”, conclui Meiçó.

Quem é Guilherme Meiçó

Guilherme Meiçó é médico formado pela Universidade de Brasília, ortopedista e traumatologista, com atuação em cirurgia do ombro e cotovelo e medicina regenerativa. Membro titular da SBOT e da SBCOC, construiu sua trajetória profissional em Brasília, onde atua em ortopedia geral, com foco especial em lesões, dores e limitações funcionais do ombro e do cotovelo.

Atualmente, integra a equipe de duas clínicas com propostas complementares: uma voltada à ortopedia, com diferentes subespecialidades e recursos de reabilitação e procedimentos, e outra estruturada como policlínica, com atendimento multiprofissional. Em sua prática, busca unir avaliação técnica, atualização médica e cuidado individualizado, considerando não apenas o diagnóstico, mas também a rotina, os hábitos e os objetivos de cada paciente.

CRMDF:23559 | TEOT:18020/ | RQE:19478

Instagram: @dr.guilherme_meico