Band Vale

Iara De Bortoli explica quando a cirurgia íntima vai além da estética

Ginecologista fala sobre cirurgia íntima, autoestima, menopausa e tecnologias voltadas ao cuidado da saúde íntima e à qualidade de vida da mulher

BANDFY

16/06/2026 • 15:01 • Atualizado em 16/06/2026 • 15:01

Iara De Bortoli explica quando a cirurgia íntima vai além da estética

Iara De Bortoli explica quando a cirurgia íntima vai além da estética

TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS

Por muitos anos, milhares de mulheres aprenderam a conviver em silêncio com desconfortos íntimos que afetam não apenas o corpo, mas também a autoestima, os relacionamentos e a qualidade de vida.

Compartilhar

Dor durante as relações sexuais, desconforto ao usar roupas mais justas, assaduras frequentes, constrangimento com a própria anatomia, perda urinária e insegurança na intimidade são queixas mais comuns do que muitas imaginam.

Foi ouvindo essas mulheres ao longo de mais de três décadas dedicadas à saúde feminina que a ginecologista Iara Maria Raasch De Bortoli construiu sua trajetória. Nos últimos anos, tornou-se uma das médicas pioneiras na área da ginecologia regenerativa no Oeste de Santa Catarina, associando experiência cirúrgica, tecnologia e um olhar atento às necessidades individuais de cada paciente.

Segundo a médica, a cirurgia íntima vai muito além da estética.

“Quando falamos em cirurgia íntima, muitas pessoas pensam apenas em aparência. Mas a realidade é muito diferente. Muitas mulheres procuram atendimento porque sentem desconforto físico, dor durante atividades do dia a dia, dificuldade para praticar exercícios ou até constrangimento em momentos de intimidade. Existe uma questão funcional e emocional muito importante envolvida”, explica.

Cirurgia íntima exige técnica, experiência e individualização

Apesar de ser cada vez mais conhecida, a cirurgia íntima ainda é cercada por mitos.

Uma das crenças mais comuns é imaginar que o procedimento consiste simplesmente em retirar excesso de tecido.

Para Iara, esse pensamento ignora aspectos fundamentais da anatomia feminina e da segurança cirúrgica.

“A cirurgia íntima não é simplesmente puxar e cortar. Cada mulher possui uma anatomia única, expectativas diferentes e necessidades específicas. É fundamental respeitar estruturas importantes, preservar a sensibilidade local e entender exatamente o que aquela paciente busca antes de indicar qualquer procedimento.”

A avaliação cuidadosa é uma das etapas mais importantes do tratamento. Além do exame físico, a consulta permite compreender como aquela condição interfere na vida da paciente.

“Antes da cirurgia, existe uma conversa muito importante. Muitas vezes a paciente fala sobre algo que ninguém vê, mas que ela sente todos os dias. É nesse momento que conseguimos alinhar expectativas e construir um tratamento realmente individualizado.”

Muito além da transformação física

A procura pela cirurgia íntima pode acontecer em diferentes fases da vida.

Algumas mulheres apresentam hipertrofia dos pequenos lábios desde a adolescência. Outras passam a perceber alterações relacionadas ao envelhecimento, aos partos ou às mudanças hormonais da menopausa.

Independentemente da causa, os impactos costumam ultrapassar a questão estética.

“Quando uma mulher deixa de usar determinadas roupas, evita atividades físicas, sente desconforto nas relações ou perde a confiança na própria imagem corporal, estamos falando de algo que afeta diretamente sua qualidade de vida.”

Segundo a especialista, um dos aspectos mais relatados pelas pacientes é a mudança na relação com o próprio corpo após o acompanhamento adequado.

“Muitas pacientes chegam inseguras e, após avaliação e tratamento individualizado, relatam mais conforto e confiança. Isso vai muito além do resultado físico.”

Tecnologia e regeneração a favor da saúde íntima

Além da experiência cirúrgica, a médica utiliza tecnologias em casos selecionados para auxiliar no tratamento de diferentes condições ginecológicas.

Entre elas está o laser íntimo de CO₂, recurso utilizado em casos selecionados para melhora da qualidade dos tecidos vaginais e vulvares.

A ginecologia regenerativa reúne tratamentos voltados à restauração da função e da saúde dos tecidos íntimos femininos.

“O objetivo não é apenas tratar sintomas isolados. Buscamos melhorar a qualidade dos tecidos, estimular colágeno, promover conforto e contribuir para a qualidade de vida dessas mulheres, sempre de acordo com a avaliação de cada caso.”

O laser pode ser indicado em alguns casos de ressecamento vaginal, dor durante as relações, alterações relacionadas à menopausa e determinados quadros de perda urinária leve, sempre após avaliação individualizada.

Menopausa: uma nova fase que merece atenção

Outro foco importante da atuação da médica é o cuidado da mulher após os 40 anos.

Durante o climatério e a menopausa, alterações hormonais podem provocar sintomas que impactam diferentes áreas da vida feminina.

Insônia, alterações de humor, perda de libido, ressecamento vaginal, ganho de peso, dificuldade de concentração e dor durante as relações estão entre as queixas mais frequentes.

“A menopausa não deve ser resumida aos calorões. Muitas mulheres sofrem com sintomas importantes que afetam sua rotina e nem sempre são reconhecidos.”

Segundo Iara, cada paciente deve ser avaliada de forma individual para definir as melhores estratégias terapêuticas, incluindo ou não terapia hormonal.

Perda urinária não deve ser considerada normal

Outro tema frequentemente abordado pela especialista é a perda urinária feminina.

Embora muito comum, especialmente após gestações e durante a menopausa, o problema não deve ser encarado como consequência natural do envelhecimento.

“Muitas mulheres acreditam que perder urina ao tossir, rir ou fazer exercícios é normal. Não é. Existem diferentes possibilidades de tratamento, e a investigação adequada ajuda a definir a melhor conduta para cada paciente.”

Dependendo do caso, o tratamento pode envolver tecnologias regenerativas, fisioterapia pélvica ou outras abordagens específicas.

O cuidado começa quando a mulher deixa o silêncio para trás

Para Iara, uma das maiores barreiras ainda é o constrangimento que muitas mulheres sentem ao falar sobre suas queixas íntimas.

Questões relacionadas à vulva, sexualidade, menopausa e perda urinária ainda são cercadas por tabus.

“Muitas mulheres passam anos sofrendo em silêncio. Quando entendem que essas questões podem ser discutidas com naturalidade e avaliadas com segurança, elas descobrem que não precisam simplesmente aceitar o desconforto como parte da vida.”

E conclui:

“Mais do que transformar anatomias, meu trabalho é ajudar mulheres a compreenderem suas queixas, buscarem cuidado adequado e recuperarem conforto, autoestima e qualidade de vida dentro das possibilidades de cada caso.”

Quem é Iara Maria Raasch De Bortoli

Iara Maria Raasch De Bortoli é médica ginecologista com residência médica realizada no Hospital Conceição, em Porto Alegre, e mais de 30 anos dedicados à saúde da mulher.

Reconhecida pela Academia Brasileira de Ginecologia Regenerativa como médica pioneira na área da ginecologia regenerativa no Oeste de Santa Catarina, atua em cirurgia íntima feminina, menopausa e saúde da mulher 40+.

Além da assistência às pacientes, atuou na formação de médicos por meio de cursos da área, contribuindo para o desenvolvimento da ginecologia regenerativa e da cirurgia íntima feminina no Brasil.

CRM: 6496/SC- 16714/RS - RQE Nº: 7331

Instagram: @draiaradebortoli

Site: https://draiaradebortoli.com.br/