
IAs crescem como busca, mas 93% dos brasileiros desconfiam das respostas
FreePik
A expansão acelerada das inteligências artificiais no Brasil vem acompanhada de um comportamento pouco comum em períodos anteriores da vida digital dos usuários: a cautela. Dados da 6ª edição da State of Search Brasil, da agência de SEO Hedgehog Digital, mostram que 93% dos brasileiros desconfiam da veracidade das informações recebidas de ferramentas de IA antes de utilizá-las. O dado revela uma combinação incomum para padrões históricos de consumo de informação no país: adoção ampla da tecnologia, mas sem confiança automática.
Esse movimento se dá no momento em que o ChatGPT se consolida como um dos principais canais de busca por voz no Brasil. Segundo o estudo, a ferramenta ocupa a quarta posição entre as mais usadas para pesquisas por voz, tanto em celulares quanto em computadores, com 36% de uso no desktop e 31% no mobile. A IA já disputa espaço direto com plataformas que há anos lideram o comportamento de busca dos brasileiros, como Google, YouTube e Instagram.
8 em cada 10 brasileiros já utilizam as IAs cotidianamente. Mesmo assim, o usuário brasileiro mantém um distanciamento crítico em relação às respostas entregues por esses sistemas. E esse cuidado não surge do acaso.
Histórico de desinformação molda o comportamento atual
O Brasil viveu, na última década, sucessivos ciclos de circulação de conteúdos enganosos nas redes sociais. Pesquisas nacionais, como a edição 2022 da pesquisa TIC Domicílios, lançada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), produzidas ao longo desse período mostraram que parte expressiva dos internautas costumava compartilhar ou consumir informações sem verificar sua autenticidade, especialmente em aplicativos de mensagens e plataformas sociais. Esse ambiente contribuiu para um cenário em que boatos e desinformação encontraram terreno fértil.
A chegada das IAs generativas, embora tenha ampliado a capacidade de acesso à informação, trouxe também preocupação com erros, imprecisões e respostas fabricadas. Diferentemente das mensagens recebidas de contatos pessoais em redes sociais, as respostas de IA têm origem pouco visível para o usuário, o que acende um alerta.
Apesar de 93% dos brasileiros afirmarem que desconfiam da veracidade das informações produzidas pela inteligência artificial, o hábito de checar ainda não acompanha esse nível de cautela. Apenas 80% dizem verificar se o conteúdo é verdadeiro antes de tomar decisões ou repassar adiante.
Uso cresce no comparativo com 2024
O uso de IAs cresceu 21% em relação ao mesmo período do ano passado. A State of Search Brasil destaca que as IAs ganham força dentro delas mesmas, com 31% dos usuários checando as informações obtidas nas próprias ferramentas.
“O brasileiro combina a praticidade da IA com a confiabilidade dos buscadores tradicionais. É um ponto de virada que redefine o papel do SEO, do marketing e das marcas que querem ser encontradas, não apenas nos rankings, mas em todos os lugares onde a busca acontece”, comenta Felipe Bazon, CEO da Hedgehog Digital Brasil.
Crédito: Hedgehog Digital
À medida que essas ferramentas passam a disputar espaço direto com motores tradicionais de busca, a forma como os brasileiros validam informações pode definir o ritmo e a profundidade dessa adoção. A próxima etapa deve envolver não apenas o crescimento do uso, mas o amadurecimento das práticas de verificação que acompanham a nova rotina digital do país.
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