
“Idiotice Artificial”: por que a culpa das respostas ruins da IA é das marcas
Divulgação
Quando a resposta parece fraca, vazia ou “meio burra”, o problema raramente é o modelo. É o conteúdo que as empresas criaram por anos. “A Inteligência Artificial só repete o que a gente produz.”, resumiu.
A crítica atinge o coração da cultura de conteúdo corporativo: produção em massa, textos genéricos, sem opinião e que tentam agradar todo mundo, e não falam com ninguém.
Isso, segundo Rodolfo, está desfigurando silenciosamente a narrativa das marcas nas buscas baseadas em IA, mas ele também mostrou que esse caos é reversível.
As marcas ainda têm o controle
O dado mais surpreendente da palestra veio de um estudo da Yext que analisou milhões de respostas de IAs como ChatGPT, Gemini e Perplexity:
- 44% das citações vêm de sites próprios.
- 42% de listings de produtos, lojas ou locais.
- 2% de fóruns, feito o Reddit.
Ou seja: as marcas ainda têm o controle, porque 86% das respostas vêm delas mesmas. “As empresas podem influenciar diretamente o que aparece nas respostas geradas pela Inteligência Artificial, basta manter o conteúdo preciso, estruturado e rastreável. Isso também é SEO.”.
Os quatro “vilões” que ensinam a IA a errar
Rodolfo classificou quatro tipos de conteúdo que estão treinando a IA a gerar respostas ruins e que ainda dominam o mercado:
- Conteúdo Wikipédia: correto, completo, mas sem identidade.
- Conteúdo Espelho: fala da marca, não para o cliente.
- Conteúdo Amigo: simpático, mas raso, feito para marcar presença.
- Conteúdo Errado: pura desinformação, o “lixo digital”.
A palestra também mencionou um relatório do Search Engine Land alertando para o “colapso narrativo”. A consequência é direta: “Se o conteúdo da sua marca poderia ter sido publicado por qualquer outra, a IA não tem motivos para citar você.”.
O método Content+Performance
Para romper o ciclo do conteúdo raso, Rodolfo apresentou o Content+Performance, método próprio da agência de marketing. Ele parte do princípio de que todo conteúdo precisa gerar, ao mesmo tempo, relevância, reputação e receita. Se não gera nada disso, é só barulho digital.
O método também se ancora em sete princípios, como intencionalidade, autenticidade e confiança, pilares que fazem o conteúdo de marca realmente ser citado pela IA.
O problema não é técnico, é cultural
No final, Rodolfo levou o tema para o lugar que realmente importa: a cultura das empresas. “O conteúdo não nasce do briefing. Ele nasce da cultura.”.
Para ele, uma organização que opera na lógica de “encher o calendário”, “postar porque precisa” ou “cumprir pauta” já criou, há anos, o ambiente perfeito para produzir conteúdo robotizado, mesmo sem IA.
A Inteligência Artificial apenas escancarou essa verdade, devolvendo para o mercado a superficialidade que o próprio mercado alimentou.
Rodolfo reforçou que, sem uma cultura que valorize profundidade, consistência e intenção, nenhuma tecnologia é capaz de salvar a narrativa de uma marca.
Ferramentas só amplificam aquilo que já existe: se o que existe é pressa, volume e falta de opinião, a IA multiplica exatamente isso. “O marketing não é sobre o que você diz. É sobre o que o mundo (e as IAs) repete depois que você fala.”.
Se a IA repete ruído, a culpa é da fonte. Se ela repete inteligência, também é. O desafio, portanto, não é competir com a IA, mas parar de alimentar a “Idiotice Artificial” com a cultura errada.
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