
Impacto do reajuste do plano de saúde para famílias
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Os reajustes dos planos de saúde no Brasil têm se tornado uma carga cada vez mais pesada para famílias e empresas, com aumentos que superam significativamente a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Nos últimos dez anos, entre 2015 e 2025, os planos de saúde coletivos acumularam uma alta de 383,5%, enquanto os planos individuais registraram aumento de 146,48%. No mesmo período, o IPCA cresceu apenas 84%, com projeção de 5,2% para 2025, segundo dados da consultoria Arquitetos da Saúde.
Esses números evidenciam um descompasso que pressiona o orçamento de milhões de brasileiros e levanta questionamentos sobre a sustentabilidade do setor de saúde suplementar, de acordo com o advogado especialista em Direito da Saúde, Elton Fernandes. “Ainda vemos idosos vinculados a um mesmo plano por muitos anos. É improvável que isso se mantenha para os idosos do futuro. Como a maioria está em plano coletivo, o custo de carregar esse contrato é muito maior”, explica.
Foto: Impacto do reajuste do plano de saúde
Drazen Zigic/Freepik
Reajustes acima da inflação
De acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o reajuste máximo para planos individuais e familiares em 2025 foi fixado em 6,06%, válido de maio de 2025 a abril de 2026. Esse percentual, embora inferior aos 6,91% de 2024 e 9,63% de 2023, ainda supera a inflação geral, que fechou 2024 em 4,5%.
Para os planos coletivos, que abrangem 43,6 milhões de beneficiários – cerca de 83% do mercado –, os reajustes serão ainda mais elevados. Levantamentos de bancos como BTG Pactual e Itaú BBA mostram que as operadoras aplicaram percentuais na casa dos dois dígitos para os planos coletivos empresariais, como a Unimed Nacional, com 19,5%, a SulAmérica, com 15,23%, e a Bradesco Saúde, com 15,11%.
Peso no orçamento das famílias
O advogado destaca que os reajustes abusivos têm levado a uma alta rotatividade de consumidores, especialmente entre idosos, que enfrentam dificuldades para manter contratos de longo prazo.
A pesquisa “Gastos das famílias com planos de saúde no Brasil e comprometimento da renda domiciliar”, publicada em 2022, confirmou que famílias com planos de saúde, especialmente com idosos ou de baixa renda, têm maior probabilidade de comprometer mais de 40% da renda per capita com despesas de saúde.
Diante desse cenário e do aumento dos custos essenciais, famílias da classe média acabam justamente cortando os gastos com saúde suplementar para garantir o consumo básico, conforme apontou o Índice de Preços dos Gastos Familiares, ou IPGF, um índice alternativo de inflação elaborado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).
Metodologia da ANS e falta de transparência
A metodologia da ANS para calcular o reajuste dos planos individuais combina o Índice de Valor das Despesas Assistenciais (IVDA), com peso de 80%, e o IPCA, com peso de 20%, descontando o subitem plano de saúde.
O IVDA reflete a variação dos custos com atendimentos, influenciada por fatores como aumento da frequência de uso, incorporação de novas tecnologias e judicialização.
No entanto, Elton Fernandes afirma que a falta de transparência nos reajustes dos planos coletivos impede que o consumidor entenda o porquê de aumentos tão superiores ao índice da ANS. “A ANS toma em consideração os custos, a incorporação de tecnologias e, inclusive, a necessária sustentabilidade do setor. A diferença entre o reajuste ANS dos planos coletivos é gritante”, analisa o advogado especialista.
O advogado aponta que a Justiça tem reconhecido a abusividade nos aumentos dos contratos coletivos, muitas vezes equiparando-os ao teto da ANS para planos individuais. “Famílias foram levadas a contratar planos coletivos, por vezes, se associando a entidades nada representativas ou abrindo CNPJ para ter plano de saúde. Em muitos casos, a Justiça toma isso em consideração para determinar a readequação dos planos coletivos em individuais e familiares”, explica Elton Fernandes.
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