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Irmãos Katoosh, de Ubatuba, revelam planos para volta ao mundo de avião; confira entrevista

Eles deram a volta ao mundo de veleiro e retornaram a Ubatuba após sete anos de viagem, em maio deste ano. Agora, planejam uma nova aventura

POLIANA PRESSES

09/07/2025 • 15:14 • Atualizado em 09/07/2025 • 15:14

Eles já deram a volta ao mundo de veleiro

Eles já deram a volta ao mundo de veleiro

Reprodução/ @irmaoskatoosh

Filhos de velejadores, os irmãos Katoosh — que completaram uma volta ao mundo de veleiro e retornaram a Ubatuba em maio de 2025, após sete anos de viagem — anunciaram que vão embarcar em uma nova aventura: uma volta ao mundo pelos céus.

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Lucas Faraco, de 29 anos, e Celso Pereira Neto, de 32, agora se preparam para realizar a jornada a bordo de um avião monomotor.

O desafio, no entanto, é grande: eles ainda não têm habilitação para pilotar, não possuem um avião e nem os recursos necessários para adquirir um.

O plano foi anunciado pela dupla nesta semana. Com exclusividade, eles conversaram com a reportagem da Band Vale e detalharam o novo projeto. Confira abaixo:

Como surgiu a ideia de dar a volta ao mundo de avião, mesmo sem experiência nisso?

"A aviação sempre foi algo que despertou nossa curiosidade. A gente já cogitava, em algum momento no futuro, tirar o brevê e fazer alguns voos, mas sem grandes pretensões. Meus pais voaram muito quando eram mais jovens — meu pai chegou a ser instrutor de voo — então crescemos ouvindo essas histórias.

A ideia de dar a volta ao mundo de avião começou a tomar forma quando a gente ainda estava finalizando a volta ao mundo de barco com o Katoosh. Nem tínhamos terminado ainda, e já começamos a pensar em um novo projeto, algo que mantivesse nossa cabeça ocupada. Foi aí que esse antigo interesse voltou com força, e começamos a pesquisar mais a fundo. Hoje o projeto está oficialmente lançado, com uma aceitação muito positiva do público, de marcas e até de empresas do setor."

Vocês disseram que não sabem pilotar, não têm avião e nem dinheiro para comprar um. Como pretendem superar essas barreiras?

"É verdade, ainda estamos começando do zero, mas acreditamos muito na força da comunidade que construímos nas redes sociais. O curso de piloto privado é caro, mas logo que lançamos o projeto, recebemos retorno de várias escolas de aviação interessadas em apoiar. Já estamos em negociação com algumas e devemos começar o curso ainda essa semana.

A parte financeira para adquirir um avião é um desafio maior, mas já temos marcas parceiras que acompanham nosso trabalho há anos. Acreditamos que, com engajamento e apoio, vamos conseguir viabilizar o projeto como um todo."

Você publicaram nas redes sociais sobre uma mudança para Jundiaí , isso faz parte da preparação para o projeto?

"Era o plano inicial. Já estávamos com o carro carregado e um apartamento reservado em Jundiaí. Mas na noite anterior à mudança, recebemos uma proposta de uma escola de aviação aqui em São José dos Campos — uma escola que já conhecíamos e admirávamos — para nos acompanhar nessa jornada.

Isso nos fez repensar tudo. Adiamos a ida para Jundiaí, estamos em São José no momento e vamos conversar com a escola. Tudo indica que vamos acabar ficando por aqui mesmo.

Sobre a preparação mental, acho que esse não é um grande obstáculo. A gente já vive há anos fora da zona de conforto, aprendendo e se adaptando. Estamos muito animados com essa nova fase."

A experiência de vocês na volta ao mundo de veleiro ajuda de alguma forma na preparação para a aviação?

"Sem dúvida. Lidamos com situações extremas em alto-mar que exigiram controle emocional, tomada de decisões rápidas e gestão de crise. Isso nos dá uma vantagem em relação a quem está começando do zero na aviação.

Além disso, náutica e aviação têm mais em comum do que as pessoas imaginam: navegação, meteorologia, planejamento, burocracia internacional... tudo isso já faz parte da nossa bagagem."

Vocês pretendem documentar essa volta ao mundo de avião?

"Com certeza. Por dois motivos: porque queremos compartilhar a experiência com o público e porque esse é o nosso trabalho. Redes sociais não são mais um hobby para nós — são nossa fonte de renda. Temos uma equipe de oito pessoas que gerenciam e produzem nossos conteúdos.

Desta vez, queremos documentar tudo com ainda mais profundidade: desde o primeiro dia de aula na escola de aviação até o pouso final, passando por todos os desafios, aprendizados, parcerias e conquistas. Já estamos gravando essa fase inicial e queremos que o público possa vivenciar cada etapa junto com a gente."

Os sonhos de seus pais influenciaram o caminho de vocês?

"Com certeza. Meus pais construíram o Katoosh com o sonho de dar a volta ao mundo de veleiro, mas acabaram não saindo do Brasil. Eles começaram a morar a bordo em 1990, sem experiência nenhuma, mas pararam quando meu irmão e eu éramos pequenos, para termos uma base fixa e ir à escola.

Mesmo sem terem realizado o sonho por completo, eles nos influenciaram profundamente. Concluir a volta ao mundo foi uma forma de honrar esse sonho iniciado por eles.

Agora, a volta ao mundo de avião não tem ligação direta com os planos deles, mas o espírito aventureiro e explorador, com certeza, vem deles. Está no nosso DNA."

E o medo? Vocês já enfrentaram situações perigosas. Isso ainda assusta?

"Sempre perguntam como a gente não tem medo — mas a verdade é que a gente tem medo, sim. Já tivemos medo em várias situações: tempestades, mar agitado, pirataria, regiões instáveis como Papua-Nova Guiné ou Ilhas Salomão.

O medo é importante porque ele traz respeito. Quando sentimos medo, redobramos a atenção, tomamos decisões mais cautelosas, prevenimos problemas maiores.

A grande questão é como lidar com o medo. Você não pode deixar ele te paralisar. É preciso respirar, manter a calma e enfrentar o que vier com lucidez. Isso vale tanto para o mar quanto para os ares."

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