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Jogos indies brasileiros marcam presença na Gamescom Latam 2026

O termo “indie” vem de “independente” e se refere a jogos desenvolvidos por estúdios menores ou até por criadores individuais, sem o apoio financeiro de grandes empresas

5 min

04/05/2026 16:04 • Atualizado há 173 dias

Jogos indies brasileiros marcam presença na Gamescom Latam 2026

A gamescom latam é a edição latino-americana do maior evento de games do mundo, inspirado na Gamescom. Em 2026, o evento foi realizado no Distrito Anhembi, entre os dias 30 de abril e 3 de maio, consolidando-se como um dos principais encontros da indústria de jogos na América Latina.

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Entre os destaques da edição de 2026, estiveram os lançamentos e testes, com mais de 140 espaços disponíveis para o público experimentar jogos inéditos, desde grandes produções até títulos independentes, antes mesmo do lançamento oficial. O evento também contou com a presença de gigantes da indústria, como Nintendo, Sega, Riot Games, Warner Bros. Games e Electronic Arts.

Além disso, a programação incluiu diversas atrações, como competições de e-sports, incluindo as finais da eLibertadores, encontros com criadores de conteúdo, áreas dedicadas ao cosplay e uma agenda de palestras. O evento ainda foi organizado em áreas temáticas imersivas, como Hero Zone (fantasia), Open Zone (mundo aberto), Shadow Zone (terror) e Neo Zone (ficção científica).

Outro grande destaque da gamescom latam 2026 foram os jogos indie. O termo “indie” vem de “independente” e se refere a jogos desenvolvidos por estúdios menores ou até por criadores individuais, sem o apoio financeiro de grandes empresas. Esses jogos costumam apostar em criatividade, inovação e propostas artísticas diferenciadas, muitas vezes explorando narrativas únicas ou mecânicas experimentais.

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Lyara

O cenário de jogos independentes no Brasil ganha força com Lyara, título de estreia do Bolha Game Studio. Classificado como um plataforma 2D de precisão, o jogo combina desafio técnico com uma narrativa sensível sobre amadurecimento e superação. A história acompanha uma garotinha que, após um evento traumático, enfrenta um processo de crescimento pessoal ao longo da jornada. Como explica o programador Bruno Caputa, “a Lyara é essa garotinha que passou por um momento difícil, ela está passando por um processo de amadurecimento, e a gente acompanha esse processo com ela durante a narrativa da história”.

Desenvolvido por uma equipe de apenas três pessoas, o projeto vem sendo construído há cerca de três anos e meio, desde 2022, enfrentando os desafios típicos de um primeiro jogo. O diretor de arte Júnior Costa destaca o caráter pessoal da obra: “tem muito da nossa história, muito da nossa perspectiva”, além de reforçar o reconhecimento conquistado: “a gente está aqui na Gamescom, foi selecionado pelo BIG Festival para estar expondo”. Ele também aponta o impacto cultural do projeto, que recebeu apoio do PROAC e inclui ações como workshops e palestras para a comunidade.

Lyara: a emocionante jornada do novo game brasileiro - Black&CO

Bolha Game Studio

Para a animadora Ana Luísa, que possui seis anos de experiência em animação, Lyara marca sua estreia na indústria de games. “Essa é a minha primeira experiência como animadora de jogos […] eu sou apaixonada por animação 2D e tá sendo uma experiência muito incrível”, afirma. Já Bruno complementa sobre o desenvolvimento: “nosso primeiro jogo foi muito desafiador, a gente está aprendendo conforme vai desenvolvendo”. Com lançamento previsto para junho na Steam, o jogo representa não apenas um novo produto no mercado, mas também um exemplo de dedicação e crescimento dentro da cena indie brasileira.

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A Investigação Póstuma

O jogo "Investigação Póstuma", dirigido por Bruno Toledo, apresenta uma proposta inovadora de investigação trans-temporal onde o objetivo central é descobrir quem matou Brás Cubas, o clássico personagem de Machado de Assis. A narrativa constrói um "Machado-verso", integrando figuras icônicas como Capitu, Bentinho, Dr. Bacamarte e Quincas Borba em uma trama que mistura a estética noir com a literatura brasileira.

O projeto é definido como uma releitura e adaptação literária das obras de Machado, buscando criar uma experiência culturalmente rica e original no mundo dos games.

O desenvolvimento do título levou cerca de cinco anos, embora a ideia tenha germinado em 2014 a partir de uma demonstração de um jogo de investigação anterior. Segundo o diretor, a escolha por Machado de Assis foi um "salto lógico" devido à admiração pela obra do autor e ao desejo de realizar uma releitura artística de seus personagens.

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O jogo está disponível para PC desde o dia 31 de março, e a equipe de desenvolvimento já possui planos para lançamentos futuros em outras plataformas, como Nintendo Switch e dispositivos móveis.

My Girlfriend is a Vamp

“My Girlfriend is a Vamp” é o novo título independente desenvolvido pelo Tiny Tank Studio, um jogo de plataforma 2D que propõe uma abordagem sensível e inovadora sobre a neurodivergência.

My Girlfriend is a VAMP | Game brasileiro tem demo no Steam

Tiny Tank Studio

No controle de uma jornada para levar uma princesa de volta ao seu castelo, o jogador descobre que os perigos não são monstros tradicionais, mas sim elementos do ambiente: luzes fortes que queimam como o sol, ruídos estridentes e cheiros intensos, como o de alho.

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Como explicam os próprios criadores, “não são inimigos como monstros, pra ela o perigo de verdade são luzes fortes que queimam como sol, barulhos que doem [...] e cheiros fortes como o alho”, já que a protagonista é “uma vampira autista mágica princesa”. Esses elementos funcionam como metáforas para as hipersensibilidades sensoriais vividas por pessoas no espectro autista.

A ideia para o jogo surgiu da dinâmica real entre os desenvolvedores Juliana Butolo Dutra (produtora) e Matheus Lacerda (diretor), que são casados. Situações do cotidiano inspiraram diretamente o projeto, como relembra o diretor: “foi uma coisa muito corriqueira”, ao contar um episódio doméstico que acabou virando ponto de partida criativo.

A partir disso, veio a proposta: “por que a gente não faz um jogo de como é conviver com você?”. Segundo eles, o projeto também nasce da percepção de uma lacuna no mercado: “nós descobrimos também que no mercado tinha uma grande carência pra uma representação desse público”. Em contraste, a ideia é ir além do didático e apostar na experiência: “a nossa ideia de jogo, na verdade, é passar entretenimento e educar sem perceber”.

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O objetivo final é gerar identificação e empatia no jogador: “a gente quer trazer pro público neurotípico essa experiência de contato” e, como resume o diretor, “no fim do dia é um jogo sobre empatia, é sobre você [...] se tornar uma pessoa melhor cuidando dessa vampirinha”.

Jogos indies brasileiros marcam presença na Gamescom Latam 2026