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Laser íntimo: Roberta Rassi explica uso após câncer e na menopausa

Ginecologista e obstetra aborda quando a tecnologia pode ser avaliada em casos de dor na relação, ressecamento e atrofia vaginal

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14/05/2026 • 21:08 • Atualizado em 15/05/2026 • 11:22

Laser íntimo: Roberta Rassi explica uso após câncer e na menopausa

Laser íntimo: Roberta Rassi explica uso após câncer e na menopausa

TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS

Dor durante a relação sexual, ressecamento vaginal, ardor, desconforto íntimo e perda de qualidade de vida são queixas que podem aparecer em diferentes fases da vida da mulher. Apesar disso, muitas pacientes ainda demoram a procurar atendimento por vergonha, medo ou por acreditarem que esses sintomas fazem parte do envelhecimento.

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Entre as possibilidades avaliadas em consultório está o laser íntimo, tecnologia usada em alguns casos para estimular os tecidos da região vaginal e vulvar. A indicação, no entanto, depende de avaliação médica individual e não deve ser tratada como solução automática para todas as pacientes, já que os sintomas íntimos podem ter causas diferentes e exigir condutas distintas.

Segundo a ginecologista e obstetra Dra.Roberta Rassi Mahamed Antonini, o recurso pode ter papel importante principalmente quando há sintomas relacionados à atrofia vaginal, ressecamento, dor na relação, candidíase de repetição, flacidez leve e incontinência urinária leve.

“O laser de CO₂ fracionado atua estimulando a produção de colágeno, com aumento da vascularização local. A ponteira que gira dentro da vagina promove esse estímulo no tecido, com o objetivo de melhorar a atrofia, a lubrificação e a qualidade da mucosa. O procedimento é minimamente invasivo, realizado em consultório e geralmente rápido. Em média, são indicadas três sessões, com intervalo mensal entre elas. Mas a avaliação precisa ser individualizada, porque cada paciente tem uma queixa e uma necessidade diferente”,explica a Dra. Roberta Rassi.

O laser íntimo costuma ser avaliado em quadros nos quais há alterações do tecido vaginal, especialmente em mulheres com sintomas de ressecamento, dor na relação sexual ou desconforto local. Também pode ser discutido em situações específicas de queixas leves de perda urinária e de alterações de tônus vaginal.

Antes de qualquer indicação, a Dra. Roberta Rassi ressalta que é necessário entender a causa dos sintomas, avaliar o histórico de saúde, examinar a paciente e considerar outras possibilidades de tratamento. A tecnologia pode fazer parte do cuidado, mas não substitui uma investigação ginecológica completa.

“Hoje, o laser pode ser considerado em diferentes contextos clínicos ginecológicos. A gente pode avaliar casos de atrofia, dor na relação, candidíase de repetição, queixas leves de incontinência e também flacidez leve. O importante é entender o quadro clínico e ajustar a conduta para cada caso”, afirma a ginecologista.

Menopausa, ressecamento e vida sexual

No climatério e na menopausa, a queda hormonal pode provocar sintomas que impactam diretamente a rotina e a vida sexual. Entre eles estão ondas de calor, alterações do sono, queda de libido, fadiga, mudanças de humor, ressecamento vaginal e dor durante a relação.

Para mulheres muito sintomáticas, a reposição hormonal pode ser considerada após avaliação de riscos e benefícios. No entanto, nem todas podem ou desejam seguir esse caminho. Nesses casos, outras estratégias podem ser avaliadas, inclusive o laser íntimo, quando houver indicação médica.

Esse cuidado é importante porque os sintomas íntimos não afetam apenas a vida sexual. Em muitas pacientes, eles interferem na autoestima, no conforto diário, no sono, na disposição e na forma como a mulher se relaciona com o próprio corpo.

“Algumas mulheres têm muitos sintomas e uma grande alteração na qualidade de vida. Quando há ressecamento vaginal e dor na relação, é preciso avaliar o melhor tratamento para aquela paciente. Existem mulheres que não podem fazer reposição hormonal, e o laser pode ser um recurso dentro desse cuidado”, diz a Dra. Roberta.

Alternativa não hormonal para algumas pacientes

Um dos pontos destacados pela ginecologista é o cuidado com mulheres que passaram por tratamento oncológico e apresentam sintomas íntimos importantes. Em alguns casos, especialmente quando há contraindicação ao uso de hormônios, o ressecamento vaginal e a dor na relação podem afetar de forma significativa a qualidade de vida.

Nessas situações, o laser pode ser avaliado como uma alternativa não hormonal, sempre após liberação e acompanhamento adequados. A indicação deve ocorrer depois do tratamento do câncer e conforme o quadro clínico de cada paciente, sem substituir o acompanhamento da equipe responsável pelo tratamento oncológico.

“Muitas pacientes sentem que não podem fazer nada porque não podem repor hormônio. Para algumas mulheres que passaram por tratamento oncológico e têm muita dor para ter relação, o laser pode ser considerado como parte da estratégia terapêutica depois do tratamento, desde que exista indicação adequada e avaliação individual”, afirma.

Indicação, ponteiras e cuidados

Embora o laser íntimo seja frequentemente associado à estética, a Dra. Roberta Rassi explica que ele também pode ter finalidade funcional. O objetivo pode ser melhorar sintomas ligados à qualidade do tecido, ao ressecamento e ao desconforto, sem banalizar a tecnologia ou transformar o procedimento em indicação generalizada.

A médica destaca que há diferentes ponteiras e formas de uso, de acordo com a indicação. Há aplicações voltadas para a região vaginal, para a vulva, para queixas leves de incontinência e também ponteiras cirúrgicas, usadas em procedimentos específicos. Por isso, a escolha da técnica, da potência e da forma de aplicação deve considerar a queixa principal, o exame físico e o objetivo do tratamento.

“A gente avalia o que cada paciente precisa, inclusive a potência e a ponteira utilizada. Não é um procedimento igual para todas. A conduta muda conforme a queixa, o exame e o objetivo do tratamento”, explica.

Quando o laser íntimo não é a melhor opção

A tecnologia tem limites. Em quadros graves de incontinência urinária, por exemplo, o laser não costuma ser a melhor opção. Nesses casos, pode ser necessário recorrer a outras abordagens, como fisioterapia pélvica, tratamento clínico ou cirurgia, dependendo da avaliação médica.

A Dra. Roberta Rassi diferencia a perda urinária leve de situações mais complexas, especialmente quando há falhas importantes de sustentação ou alterações do esfíncter uretral. Essa distinção é essencial para evitar expectativas irreais e garantir que a paciente receba a conduta mais adequada ao seu quadro.

“O laser não é tão interessante para pacientes com incontinência mais grave. Quando há uma perda importante, muitas vezes o tratamento pode ser cirúrgico ou exigir outra conduta. Ele pode ajudar em casos leves, mas não recupera tudo quando existe uma alteração mais importante”,esclarece.

A dúvida sobre dor durante o procedimento

Uma das principais inseguranças das pacientes é a dor durante o procedimento. De acordo com a ginecologista, pode haver sensibilidade local, principalmente no primeiro dia, porque o laser usa calor e gera um dano térmico controlado no tecido.

A Dra. Roberta afirma que costuma orientar cuidados locais após a aplicação, como hidratação e medidas para aliviar a sensibilidade. Relação sexual também pode precisar ser evitada por alguns dias, conforme o tipo de procedimento realizado e a orientação médica. O tempo de recuperação varia de acordo com a indicação, a região tratada e a resposta individual de cada paciente.

“Algumas pacientes já têm muita dor na relação e acham que o laser vai doer muito. Pode haver uma leve sensibilidade, principalmente no primeiro dia. Por isso, a gente orienta cuidados depois do procedimento, como hidratação e medidas locais para reduzir o desconforto”, explica.

Estética íntima também envolve função e cuidado

O laser também pode ser usado em alguns procedimentos de estética íntima, como cirurgias de correção dos pequenos lábios. Nesses casos, a abordagem não deve ser tratada como algo meramente estético: envolve conforto, função, cicatrização, expectativa realista e cuidados pós-operatórios.

A médica chama atenção para um mito comum: a ideia de que cirurgia feita com laser não precisa de ponto. Quando há corte do tecido, existe processo de cicatrização, e a paciente precisa seguir as orientações para reduzir riscos de complicações. Isso inclui respeitar o período de recuperação, evitar atrito na região e seguir as recomendações indicadas para cada caso.

“Algumas pessoas acham que, quando a cirurgia é feita com laser, não vai ponto. Mas vai ponto, porque houve corte no tecido. O laser pode permitir uma recuperação mais rápida, mas continua sendo um procedimento, com cicatrização, cuidado e orientação médica”, afirma.

Para a Dra. Roberta Rassi, uma das principais barreiras ainda é fazer com que mulheres falem sobre sintomas íntimos sem vergonha. Dor na relação, ressecamento intenso, ardor, candidíase de repetição, escape de urina e desconforto vaginal persistente merecem avaliação.

A ginecologista defende que a prevenção deve ir além dos exames de rotina. O cuidado também envolve escuta, orientação e investigação de queixas que muitas vezes impactam o sono, a autoestima, a sexualidade e o bem-estar. Ao procurar atendimento, a paciente pode compreender melhor o próprio corpo e receber uma orientação compatível com sua fase de vida, seus sintomas e seu histórico de saúde.

“A mulher precisa se cuidar e tratar aquilo que vem sentindo. Muitas vezes, o ginecologista acaba sendo o clínico da mulher, porque é o médico que escuta várias queixas e pode encaminhar para outros cuidados quando necessário”,conclui.

Quem é a Dra. Roberta Rassi Antonini

Dra. Roberta Rassi Mahamed Antonini é ginecologista e obstetra, natural de Goiânia. Formada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Petrópolis, fez residência em ginecologia e obstetrícia no Hospital do Servidor Público Estadual, em São Paulo, onde também se especializou em uroginecologia. Na Escola Paulista de Medicina/Unifesp, aprofundou sua atuação em ginecologia endócrina, área em que desenvolveu mestrado e doutorado.

Ao longo da trajetória, construiu uma atuação voltada ao cuidado da mulher em diferentes fases da vida, com experiência em ginecologia endócrina, uroginecologia, cirurgia vaginal, laser íntimo, estética íntima, pré-natal e parto. Atualmente, atua em consultório e no Hospital do Servidor Público Estadual.

Na Clínica Antonini, onde trabalha ao lado do marido, também ginecologista, a médica mantém uma linha de atendimento baseada em escuta, acolhimento e avaliação individualizada. O espaço tem origem na história da família Antonini na ginecologia e foi reformulado para seguir oferecendo cuidado à saúde feminina com foco técnico e humanizado.

CRM 110210 - RQE 28630

Instagram: @drarobertarassiantoniniSite: https://clinicaantonini.com.br

Fotos: Altair Urbano