
Medicina regenerativa ganha espaço no tratamento ortopédico
TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS
A medicina regenerativa tem ganhado espaço na ortopedia, especialmente entre pacientes que convivem com dor no joelho, limitação de movimento e receio de uma cirurgia. Ao mesmo tempo em que o tema desperta interesse, ele também levanta dúvidas importantes: o que esse tipo de tratamento realmente pode oferecer, para quem ele é indicado e quais são seus limites dentro da prática médica?
Na avaliação do ortopedista Anselmo Fernandes, a medicina regenerativa deve ser entendida como uma alternativa terapêutica situada entre o tratamento conservador convencional e a cirurgia. Em vez de prometer cura, ela busca oferecer melhora clínica, alívio da dor, ganho de mobilidade e mais qualidade de vida em casos bem indicados.
“A regenerativa é uma ponte que liga dois polos. Um polo que é a cirurgia, o outro polo que é o tratamento conservador convencional. Até então, no meio do caminho, a gente não tinha nada”, afirma.
O que é medicina regenerativa na ortopedia
De forma prática, a medicina regenerativa reúne recursos voltados a estimular tecidos lesionados a responder melhor ao tratamento. Na ortopedia, ela costuma ser aplicada em quadros articulares, musculares, tendíneos e degenerativos, principalmente quando o paciente já passou por medidas tradicionais, como medicação e fisioterapia, mas continua com dor ou limitação funcional.
No joelho, esse tipo de abordagem tem chamado atenção justamente por ocupar um espaço intermediário. Nem todo paciente que sente dor precisa ir direto para a cirurgia, mas também há situações em que o tratamento convencional, sozinho, já não entrega a resposta esperada. É nesse intervalo que a medicina regenerativa pode entrar como parte da estratégia terapêutica.
Por que o joelho está no centro desse debate
O joelho é uma das articulações mais exigidas do corpo. Ele participa de movimentos básicos do cotidiano, como sentar, levantar, subir escadas, caminhar e carregar peso, além de ser muito sobrecarregado em atividades físicas e esportivas.
Na prática clínica, dois perfis aparecem com frequência. Entre os pacientes mais velhos, a artrose de joelho costuma liderar as queixas. Já entre os mais jovens, predominam as lesões traumáticas, como as meniscais e ligamentares. Há ainda situações específicas, como lesões condrais e quadros de sobrecarga, que também podem comprometer a função articular e a qualidade de vida.
Em todos esses cenários, a dor costuma ser o principal sinal de alerta, mas não é o único. Estalos, crepitações, inchaços sem causa evidente, dificuldade para determinados movimentos e incômodo ao subir escadas ou descer ladeiras também merecem atenção.
Para quem esse tratamento pode servir
A indicação da medicina regenerativa depende de avaliação individual. Idade, intensidade da dor, grau de desgaste, limitação funcional, rotina, expectativa e necessidade real do paciente pesam nessa decisão.
Há casos em que o quadro já é claramente cirúrgico. Em outros, ainda existe margem para tentar uma abordagem clínica mais robusta, com foco em controle da dor e melhora da função. Isso acontece com frequência em pacientes com doença degenerativa do joelho, que nem sempre desejam operar de imediato ou que ainda conseguem obter benefício com um protocolo menos invasivo.
Ao mesmo tempo, a medicina regenerativa não deve ser vista como solução universal. O tratamento pode ajudar muito determinados pacientes, mas precisa ser proposto com critério e honestidade.
“A regenerativa pode prometer uma melhora. É isso que a gente pode prometer para o paciente. A gente não vai curar nenhum paciente”, diz.
Quais recursos podem ser utilizados
Na ortopedia, a medicina regenerativa não se resume a uma única técnica. Ela pode envolver diferentes recursos, dependendo do quadro clínico, do estágio da lesão e do objetivo terapêutico.
Entre as possibilidades estão ondas de choque, laser de alta intensidade, viscossuplementação com ácido hialurônico, hidrogel e ortobiológicos preparados a partir do próprio sangue do paciente. Em muitos casos, esses recursos são combinados a reabilitação, fortalecimento muscular e acompanhamento clínico contínuo.
Mais importante do que o nome do procedimento, porém, é a finalidade dele. O primeiro grande objetivo costuma ser o controle da dor. A partir dessa melhora, o paciente volta a se movimentar com mais segurança, recupera confiança, retoma atividades antes abandonadas e consegue iniciar um processo de fortalecimento mais consistente.
“O objetivo vai ser sempre melhorar a dor, porque consequentemente você vai gerando outras coisas. A partir do momento que eu tiro a dor do paciente, ele começa a subir a escada, que ele não fazia antes”, explica.
O que a medicina regenerativa não pode prometer
Em um cenário marcado por excesso de informação nas redes sociais, um dos maiores desafios é separar a medicina séria de promessas irreais. A medicina regenerativa, por ser um tema em ascensão, muitas vezes acaba apresentada como se fosse sinônimo de cura definitiva, o que não corresponde à realidade.
Anselmo chama atenção para esse exagero. “Você abre um Instagram e vê gente prometendo o mundo. Isso é um absurdo.”
No caso de doenças degenerativas, como a artrose, o tratamento pode trazer alívio importante dos sintomas, ampliar a mobilidade e até retardar a progressão em alguns contextos, mas não autoriza discursos absolutos. O paciente precisa compreender que a proposta é melhorar a condição funcional e o conforto no dia a dia, e não apagar completamente um processo degenerativo já instalado.
Dor, medo e expectativa também entram no consultório
Quando se fala em joelho, não se trata apenas de uma articulação. A dor prolongada e a perda de mobilidade costumam alterar a rotina, a autoestima e o estado emocional do paciente. Muitos deixam de caminhar mais, evitam escadas, abandonam atividades físicas e passam a adaptar a própria vida à limitação, às vezes sem perceber.
Outros chegam mais fragilizados, depois de tratamentos frustrados, com medo de operar ou de não voltar a fazer o que gostavam. Por isso, alinhar expectativa e realidade faz parte do cuidado.
“Expectativa é aquilo que o paciente imagina que vai acontecer com ele. E realidade é aquilo que eu posso proporcionar a ele.”
Esse alinhamento é decisivo para que o tratamento seja conduzido com maturidade e segurança. Em ortopedia, nem sempre a melhor resposta é a mais rápida, e nem sempre o melhor resultado é aquele que devolve o paciente ao cenário idealizado. Muitas vezes, o maior ganho está em recuperar autonomia, reduzir dor e retomar atividades simples, mas valiosas, do cotidiano.
A prevenção ainda chega tarde
Um dos erros mais comuns, segundo o ortopedista, é procurar ajuda apenas quando a dor já está instalada de forma importante. Sinais iniciais costumam ser ignorados por muito tempo, como se fossem parte natural do envelhecimento ou apenas um desconforto passageiro.
Essa leitura, porém, pode atrasar o diagnóstico e dificultar o tratamento. Estalos, crepitações, inchaço, limitação de movimento e dor recorrente indicam que a articulação merece atenção. Quanto mais cedo o problema é avaliado, maiores as chances de controlar a evolução e evitar quadros mais graves.
Essa lógica vale tanto para o paciente idoso com desgaste progressivo quanto para o jovem exposto a lesões traumáticas, impacto e sobrecarga. Em ambos os casos, intervenção precoce pode fazer diferença no desfecho.
Sem participação do paciente, não há resultado sólido
Outro ponto central do tratamento é a participação ativa do paciente. Seja em uma abordagem regenerativa, seja em um tratamento cirúrgico, a recuperação depende de reabilitação adequada, fortalecimento muscular, mudança de hábitos e respeito ao tempo biológico da articulação.
A ansiedade para acelerar etapas ainda compromete muitos resultados. Em ortopedia, os tecidos precisam de tempo para cicatrizar, responder ao estímulo terapêutico e readquirir função. Tentar pular fases costuma aumentar o risco de frustração, recaída ou nova lesão.
Além disso, fatores como controle de peso, atividade física regular, ergonomia, bons hábitos alimentares e ganho de massa muscular interferem diretamente na saúde articular.
Quem é Anselmo Fernandes
Natural de Petrópolis, no Rio de Janeiro, Anselmo Fernandes se formou em Medicina na Unigranrio, em Duque de Caxias, e fez residência médica em ortopedia em Petrópolis. A ligação com o esporte influenciou desde cedo sua escolha profissional e ajudou a direcionar sua atuação para a área ortopédica.
Ao longo da formação, a cirurgia do joelho se consolidou como uma de suas principais frentes de interesse. Com o passar dos anos, ele também incorporou a medicina regenerativa à prática clínica, unindo a experiência em cirurgia do joelho a abordagens voltadas ao alívio da dor, à melhora funcional e à preservação da mobilidade.
Atualmente, atende em Petrópolis e Itaipava. Em sua forma de conduzir o tratamento, defende uma medicina que não se limita à imagem do exame, mas considera a história, a angústia, os medos e a expectativa de cada paciente. “Atrás de uma radiografia, de uma ressonância, de um exame de imagem, tem uma história, tem uma pessoa.”
Mais do que tratar uma articulação, sua proposta é ajudar o paciente a recuperar autonomia e qualidade de vida sem perder de vista a realidade de cada caso.
CRM 809020 | Sbot 11803
Instagram: @dr.anselmofernandes

Fotos: Gabriel Landin Soares
Nota ao leitor
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta médica. Diagnóstico e tratamento devem ser definidos por profissional habilitado após avaliação individual. Não há promessa de resultado; cada caso depende de fatores clínicos e do plano terapêutico indicado.
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