
Menopausa exige atenção aos sintomas e à qualidade de vida
TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS
A menopausa ainda é frequentemente associada apenas a sintomas pontuais, como as ondas de calor, mas o impacto dessa fase pode ser mais amplo. As alterações hormonais podem repercutir no sono, no humor, na memória, na disposição, na saúde sexual e na percepção de bem-estar, o que exige uma avaliação mais integrada do quadro clínico.
Para a ginecologista Érica França, um dos principais equívocos é tratar a menopausa como uma etapa que deve ser apenas suportada. Na avaliação da médica, essa transição precisa ser observada de forma abrangente, levando em conta não só os sintomas mais conhecidos, mas também os hábitos de vida, o contexto emocional e a prevenção de perdas na qualidade de vida ao longo do envelhecimento.
“Outra questão é que, quando tem correlação de pacientes que têm muitos sintomas no início da menopausa, existe um risco maior de ter Alzheimer e doenças neurodegenerativas pela ausência do estrogênio. Então essa questão das névoas mentais, do esquecimento, não pode ser negligenciada”, afirma.
Sintomas da menopausa nem sempre são reconhecidos no início
Segundo Érica França, muitas mulheres demoram a perceber que estão vivendo essa transição hormonal. Isso acontece porque os sintomas podem surgir de forma gradual e, muitas vezes, ser confundidos com estresse, excesso de trabalho ou desgaste emocional.
Entre os sinais mais conhecidos está a onda de calor, mas a médica chama atenção para o fato de que o quadro pode ter repercussões mais amplas no organismo.
“Eu acho que um dos sintomas que também é muito falado é a onda de calor, que é uma vasodilatação. Ondas de calor elevam significativamente o risco cardiovascular, aumentando a mortalidade por infartos, AVCs e insuficiência cardíaca”, diz.
Além das manifestações mais lembradas, a menopausa também pode afetar a sexualidade. Ressecamento, dor na relação, queda da libido e desconforto íntimo podem comprometer a qualidade de vida e as relações afetivas, o que reforça a importância de uma avaliação cuidadosa e individualizada.
A especialista também observa que essa fase costuma vir acompanhada de uma sensação de estranhamento em relação ao próprio corpo e à própria rotina. Para ela, esse aspecto ajuda a entender por que a menopausa não deve ser reduzida a uma lista de sintomas físicos.
“Eu vejo nessa fala uma dor muito mais emocional do que física. Então ela não reconhece mais o corpo, ela não tem mais a mesma relação com o marido, ela não tem mais a empolgação, o cansaço extremo, e isso tudo faz ela não se sentir bem com ela mesma”, relata.
Reposição hormonal deve ser avaliada caso a caso
A reposição hormonal é uma das dúvidas mais frequentes quando o assunto é menopausa. Ao abordar o tema, Érica França reforça que não existe resposta única e que a indicação depende de avaliação clínica individual, com análise do histórico pessoal, familiar e dos riscos envolvidos.
“Na mulher 40+, a maior dúvida é se eu posso ou não usar uma reposição. Isso é muito particular, tem que ver histórico familiar, histórico pessoal”, explica.
A médica observa que o tema ainda é cercado por desinformação, embora o debate tenha se ampliado nos últimos anos.
“Eu acho que o maior entrave ainda é o tabu em torno da reposição hormonal. Esse cenário melhorou nos últimos anos, tanto pela maior circulação de informação quanto pela atualização de colegas de diferentes áreas, mas ainda existe resistência, e esse continua sendo um dos principais desafios no cuidado dessas pacientes”, afirma.
Quando bem indicada, após avaliação individual, a terapia hormonal pode ir além do controle dos sintomas e integrar uma estratégia mais ampla de cuidado. Segundo a especialista, esse acompanhamento também se relaciona à proteção da saúde óssea, à atenção ao risco cardiovascular e à preservação da qualidade de vida ao longo do envelhecimento.
O início do tratamento depende de avaliação individual
Ao falar sobre a chamada janela para início da terapia hormonal, Érica França explica que a conduta deve ser definida a partir do quadro clínico e da avaliação de risco-benefício de cada paciente.
“Tem linhas que falam até cinco anos da última menstruação e tem linhas que falam para você ponderar esse risco-benefício para aquela paciente. Então tem que individualizar”, pontua.
Esse cuidado é importante para evitar generalizações em um tema que exige análise criteriosa. A menopausa não se manifesta da mesma forma em todas as mulheres, e o tratamento também não deve seguir uma lógica padronizada.
Menopausa e longevidade se conectam no cuidado contínuo
Ao relacionar menopausa e longevidade, Érica França defende que a discussão não deve se limitar ao tratamento dos sintomas. Para ela, preservar a qualidade de vida ao longo do envelhecimento passa por atenção contínua à saúde mental, ao estilo de vida e à funcionalidade da mulher no dia a dia.
“Quando se fala em longevidade, não dá para olhar apenas para um fator isolado. Saúde mental, alimentação, prática regular de atividade física, qualidade do sono e a forma como cada mulher conduz a própria rotina têm um peso importante nesse processo. Eu também acredito que a dimensão espiritual, para quem isso faz sentido, pode funcionar como um suporte importante diante das exigências da vida”, diz.
Sob essa perspectiva, longevidade não significa apenas viver mais, mas atravessar essa fase com mais autonomia, clareza sobre o próprio corpo e melhores condições de bem-estar. Segundo a médica, isso exige acompanhamento individualizado e atenção aos sinais que muitas vezes são banalizados na rotina.
Informação e escuta também fazem parte do cuidado
Na avaliação de Érica França, a menopausa exige não apenas tratamento, mas também informação de qualidade e escuta clínica. Isso porque muitas mulheres chegam ao consultório inseguras e sem compreender exatamente o que está acontecendo com o próprio corpo.
Sem transformar a menopausa em um quadro homogêneo, a especialista defende uma abordagem mais atenta e menos marcada por tabu. Reconhecer os sinais e buscar avaliação adequada pode ajudar a reduzir impactos no presente e preservar a qualidade de vida no futuro.
“A menopausa não precisa ser vivida em silêncio nem com resignação. O mais importante é que essa mulher entenda o que está acontecendo com o próprio corpo e encontre um acompanhamento que faça sentido para a realidade dela”, conclui.
Quem é Érica França
Érica França é ginecologista, nascida em Brasília e formada em Medicina em Alfenas, em Minas Gerais. Ao longo da trajetória, ampliou sua formação com estudos em áreas como estética médica, nutrologia esportiva, longevidade e fisiologia metabólica, que passaram a dialogar com sua visão integrada do cuidado. Hoje, sua atuação é voltada à saúde feminina, com foco em menopausa, reposição hormonal, saúde íntima e abordagem individualizada da paciente.
CRM: 24572/DF | RQE Nº: 21464
Instagram: @draericafranca.ginecologistaSite: https://draericafranca.com.br

Foto de abertura: Hay torres
Fotos do acervo pessoal
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