
Livro revela história da emissora de rádio pioneira de São José dos Campos
Divulgação
O Museu Municipal de São José dos Campos recebe, na próxima terça-feira (28), às 19h, o lançamento do livro "A Primeira Voz da Cidade", do escritor Ricardo Santos. A entrada é gratuita e aberta ao público de todas as idades.
A obra reúne uma pesquisa sobre a história de São José dos Campos e apresenta fatos, personagens e acontecimentos que ajudaram a formar a identidade do município ao longo dos anos.
Além de revisitar momentos importantes do desenvolvimento da cidade, o livro destaca um período em que a comunicação era feita de forma bem diferente da atual. Antes da popularização da televisão, da presença do rádio em praticamente todos os lares e do surgimento da internet e das redes sociais, as emissoras de alto-falantes eram responsáveis por levar informações, anúncios e entretenimento à população.
Segundo o autor, esse sistema de comunicação marcou gerações e faz parte da memória afetiva de muitos moradores de São José dos Campos.
Sobre o livro
A trajetória de desenvolvimento urbano, econômico, tecnológico e cultural de São José dos Campos, especialmente entre as décadas de 1930 e 1940, é tema do livro “A Primeira Voz da Cidade”, do jornalista e escritor joseense Ricardo Santos. A obra destaca a relação entre o crescimento do município e o papel da imprensa na época.
O título faz referência à emissora pioneira do rádio joseense, a P.L.1, criada em 1937 para informar, divertir e apoiar a população a partir de um sistema de alto-falantes instalado em um sobrado na esquina da rua XV de Novembro com a Sebastião Hummel.
Em São José dos Campos, a P.L.1 foi o principal palco cultural e político, tendo passado pelos seus microfones nomes como o advogado Ganot Chateaubriand (irmão do empresário Assis Chateaubriand), o maestro Fego Camargo (pai da apresentadora Hebe Camargo), o poeta Cassiano Ricardo, a cantora Isaura Garcia e a dupla sertaneja Alvarenga e Ranchinho, entre outras personalidades e autoridades locais.
A estação precursora da radiofonia local é o fio condutor dessa história que se passa durante o período de censura do Estado Novo, instalado pelo presidente Getúlio Vargas. Publicada pela Somos Editora, a obra reúne personagens, cenários e acontecimentos pouco conhecidos que contribuíram para a formação cultural do município. O livro também retrata o processo de transformação da cidade, que deixou de ser referência no tratamento da tuberculose para se consolidar como um dos principais polos de inovação do país.
O Brasil iniciava naquele momento profundas mudanças diante da crise econômica e conflitos globais, ao mesmo tempo que identificava cidades estratégicas para receber investimentos que levariam a um novo ciclo de crescimento do país. São José dos Campos foi o município do Vale do Paraíba mais beneficiado pelas novas políticas federais, em razão da sua localização privilegiada, amplo território inexplorado e articulações políticas.
São José dos Campos ficou à margem do desenvolvimento que a maior parte da região viveu durante o período Imperial e da República Velha, mas o jogo começou a mudar em meados da década de 1930”, lembra o autor. “Enquanto a cidade recebia recursos e preparava bases sólidas para se tornar um polo tecnológico, a emissora de alto-falantes exercia a função social de entreter e informar a população, complementa.
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