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Nem todo esquecimento é Alzheimer, explica Maria Augusta Guimbala

Neurologista esclarece quando falhas de memória merecem investigação e quais sinais não devem ser ignorados.

TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS

11/08/2026 • 17:43 • Atualizado em 11/08/2026 • 17:43

Nem todo esquecimento é Alzheimer, explica Maria Augusta Guimbala

Nem todo esquecimento é Alzheimer, explica Maria Augusta Guimbala

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Falhas de memória podem aparecer em diferentes fases da vida e nem sempre indicam a presença de uma doença neurológica. Esquecer momentaneamente o motivo de ter entrado em um cômodo, perder uma palavra durante uma conversa ou precisar conferir um compromisso, por exemplo, pode acontecer em períodos de cansaço, sobrecarga ou desatenção.

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O sinal de alerta surge principalmente quando essas mudanças começam a interferir na autonomia, na segurança ou em atividades que antes faziam parte da rotina sem dificuldade.

Para a neurologista Maria Augusta Baptista Guimbala, observar a repercussão funcional é um dos pontos mais importantes diante de uma queixa de memória. Mais do que avaliar um episódio isolado, é necessário compreender a frequência dos esquecimentos, sua evolução e o impacto que provocam no cotidiano.

“Quando a alteração começa a comprometer a funcionalidade, ela merece uma investigação mais cuidadosa. Esquecer momentaneamente o que iria fazer pode acontecer em uma rotina de muita demanda, mas reduzir o desempenho no trabalho, perder compromissos importantes ou deixar repetidamente uma panela no fogo já são situações que exigem outro olhar.”

Nem todo esquecimento significa Alzheimer

Uma das preocupações mais frequentes diante das falhas de memória é a possibilidade de Alzheimer ou de outra demência. No entanto, a queixa pode ter diferentes origens e precisa ser analisada dentro do contexto clínico de cada pessoa.

Alterações relacionadas à tireoide, deficiências nutricionais, sobrecarga profissional e fatores emocionais estão entre as possibilidades mencionadas pela neurologista durante a investigação. Isso significa que esquecer com maior frequência não permite, isoladamente, definir um diagnóstico.

“A memória é influenciada por muitos fatores. Uma deficiência vitamínica, alterações da tireoide, sobrecarga no trabalho e questões emocionais podem se manifestar por meio de esquecimentos. Por isso, o diagnóstico não deve partir apenas da queixa, mas de uma análise detalhada da história e das condições de saúde de cada paciente.”

Maria Augusta também observa pacientes que relatam dificuldades de memória após a Covid-19. Segundo a médica, esse tipo de queixa pode aparecer sem que necessariamente esteja relacionado a um quadro demencial.

A avaliação individual é o que permite diferenciar situações transitórias de alterações que exigem acompanhamento específico.

Sono, alimentação e saúde emocional também afetam a memória

O funcionamento da memória não está relacionado apenas à idade. A qualidade do sono, o estado emocional e os hábitos cotidianos podem influenciar diretamente a atenção e, consequentemente, a capacidade de registrar e recuperar informações.

Uma pessoa que dorme mal ou atravessa um período de estresse intenso, por exemplo, pode perceber maior dificuldade para se concentrar. Da mesma forma, ansiedade, depressão e uma rotina de sobrecarga podem se manifestar por meio de queixas cognitivas.

“Sono, alimentação e humor têm uma participação muito importante no funcionamento da memória. Quando esses pilares estão desequilibrados, a pessoa pode perceber piora na atenção e na capacidade de recordar informações, mesmo sem apresentar uma doença neurodegenerativa.”

Esse cenário também ajuda a explicar por que pessoas jovens chegam ao consultório preocupadas com esquecimentos. Nesses casos, compreender como o dia está organizado pode ser tão relevante quanto observar o sintoma isoladamente.

Excesso de estímulos pode dificultar a concentração

Celular, mensagens, vídeos curtos e diferentes conteúdos disputam a atenção ao longo de praticamente todo o dia. Para Maria Augusta, a tecnologia trouxe recursos importantes, mas o modo como ela é utilizada também merece atenção.

A alternância contínua entre estímulos pode dificultar períodos mais prolongados de concentração. Além disso, recorrer imediatamente à internet sempre que é necessário lembrar uma informação reduz algumas oportunidades de exercício espontâneo da memória.

“A tecnologia pode ajudar muito, inclusive por meio da inteligência artificial, mas o uso precisa ser consciente. Quando passamos horas alternando entre estímulos rápidos, sem períodos de atenção sustentada, podemos perceber mais dificuldade para nos concentrar e organizar informações. Por isso, é importante reservar espaço para atividades que realmente exijam foco.”

Isso não significa que o celular ou a tecnologia sejam, por si só, responsáveis por uma doença de memória. O ponto é observar o conjunto da rotina e perceber se existe espaço para descanso, concentração, leitura, atividade física e outros estímulos.

Quando o esquecimento deixa de ser considerado comum?

Mais do que tentar estabelecer uma lista rígida, a neurologista orienta observar mudanças em relação ao funcionamento habitual daquela pessoa.

Esquecer ocasionalmente uma informação não tem o mesmo peso de começar a perder compromissos importantes com frequência, comprometer o trabalho ou apresentar dificuldade em atividades rotineiras.

Também merece atenção a perda progressiva de autonomia. Quando tarefas que antes eram familiares se tornam difíceis ou os episódios passam a representar risco para a própria pessoa, a avaliação médica ganha importância.

A intensidade, a frequência, a progressão e o prejuízo funcional ajudam a compor esse entendimento.

A família pode perceber as mudanças primeiro

Nem sempre quem apresenta uma alteração cognitiva é a primeira pessoa a reconhecê-la. Em muitos casos, são familiares próximos que notam mudanças de comportamento, repetição de perguntas, esquecimentos frequentes ou dificuldades em tarefas que antes eram realizadas normalmente.

O desafio é abordar essa percepção sem infantilizar ou desqualificar a pessoa.

“É especialmente difícil reconhecer fragilidades em pessoas que sempre foram nossas referências. Isso acontece muito com filhos em relação aos pais. Às vezes, a família interpreta o esquecimento como desatenção ou falta de esforço, quando pode existir uma alteração cognitiva que merece ser investigada.”

Esse cuidado também faz parte da maneira como Maria Augusta entende o atendimento neurológico. Para ela, compreender o contexto familiar e emocional pode ser fundamental, especialmente em condições que afetam independência e qualidade de vida.

Diagnóstico precoce pode organizar melhor o cuidado

Quando existe uma doença neurodegenerativa, a ausência de uma cura definitiva não significa ausência de acompanhamento ou tratamento.

Identificar alterações em fases iniciais pode ajudar a estabelecer estratégias de cuidado, acompanhar a evolução do quadro e discutir medidas voltadas à preservação da funcionalidade pelo maior tempo possível.

A conduta depende do diagnóstico, da fase da doença, das condições clínicas e das necessidades individuais.

“Mesmo quando não existe um tratamento curativo, isso não significa ausência de possibilidades. Podemos trabalhar com controle de sintomas, acompanhamento da evolução e medidas voltadas à funcionalidade do paciente. Quanto antes entendemos o que está acontecendo, mais organizada pode ser essa condução.”

A neurologista reforça que a investigação deve respeitar as particularidades de cada pessoa. Um sintoma semelhante pode ter significados diferentes em pacientes com histórias, rotinas e condições de saúde distintas.

“É da idade” pode atrasar uma avaliação necessária

O envelhecimento pode ser acompanhado de algumas mudanças cognitivas, mas atribuir todo esquecimento à idade pode atrasar a identificação de situações que merecem acompanhamento.

Maria Augusta chama atenção especialmente para uma ideia que ainda circula entre pacientes e familiares: a de que, diante de determinados diagnósticos neurológicos, não existe nenhuma possibilidade de cuidado.

“A frase ‘não há o que fazer’ pode afastar o paciente de uma avaliação que seria importante. Nem todas as doenças têm cura, mas isso não elimina a possibilidade de acompanhamento, controle de sintomas e busca por melhor qualidade de vida.”

A diferença está justamente em não reduzir o paciente à doença. Em alguns quadros, o objetivo pode não ser eliminar completamente uma condição, mas preservar autonomia, reduzir sintomas e permitir que a pessoa mantenha atividades importantes da própria vida.

Leitura e estímulo cognitivo entram na rotina de cuidado

Além de sono adequado, atividade física e acompanhamento das condições gerais de saúde, Maria Augusta destaca a importância de manter o cérebro envolvido em atividades que exijam concentração e raciocínio.

Leitura, quebra-cabeças, jogos de memória e palavras cruzadas são alguns dos exemplos citados pela neurologista. A proposta não é transformar essas atividades em uma garantia contra doenças, mas incorporá-las a uma rotina mais ampla de estímulo cognitivo.

“A leitura é uma das formas mais acessíveis de estimular a mente. Assim como criamos uma rotina para cuidar do corpo, também podemos reservar um período do dia para atividades que exijam concentração, interpretação e memória.”

O cuidado com a saúde cerebral, portanto, não começa apenas diante de um diagnóstico. Ele passa pela atenção à qualidade do sono, ao bem-estar emocional, à saúde clínica, à atividade física e à maneira como o cérebro é estimulado no cotidiano.

Quando os esquecimentos começam a comprometer segurança, trabalho, compromissos ou autonomia, procurar avaliação individualizada é mais adequado do que atribuir automaticamente as mudanças à idade, ao estresse ou ao ritmo de vida.

Quem é Maria Augusta Baptista Guimbala

Maria Augusta Baptista Guimbala é médica neurologista formada pela Univille. O interesse pela especialidade ganhou força ainda durante a graduação, período em que se aproximou da Neurologia e também teve contato acadêmico com Geriatria e Gerontologia.

Foi nessa etapa da formação que o estudo do cérebro passou a ocupar um espaço central em sua trajetória. A médica posteriormente realizou residência em Neurologia no Hospital Municipal São José, em Joinville, instituição com a qual já havia tido contato durante a graduação e onde aprofundou a experiência prática no atendimento de diferentes condições neurológicas.

Atualmente, Maria Augusta atua em Neurologia Geral. Em sua rotina, recebe pacientes com queixas relacionadas à memória, dores de cabeça, epilepsia, doenças cerebrovasculares e outras condições da especialidade. Cefaleias e tontura estão entre os campos que mais despertam seu interesse profissional, e ela pretende aprofundar a formação na área de tontura.

Sua maneira de conduzir o atendimento parte do princípio de que um diagnóstico não deve apagar a história de quem o recebe. A neurologista defende que decisões sobre o tratamento sejam construídas com escuta e participação do próprio paciente, considerando seus medos, expectativas, experiências e necessidades individuais.

Para Maria Augusta, humanizar a Medicina vai além de uma relação cordial no consultório: significa compreender de que forma uma doença interfere na vida daquela pessoa e buscar, dentro das possibilidades de cada quadro, preservar autonomia e qualidade de vida.

CRM/SC 30144 | RQE 27088Instagram:@gutaguimbala.neuro

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