
NUPES analisa evolução de empregos em mais de 30 cidades do Vale do Paraíba
Isabella Toledo/ACOM UNITAU
O Núcleo de Pesquisas Econômico-Sociais (NUPES) da Universidade de Taubaté (UNITAU) amplia a atuação na Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte e passa a publicar, a partir desta quinta-feira (19), análises periódicas sobre a empregabilidade na região.
Segundo o NUPES, a nova frente de trabalho é baseada na Pesquisa de Emprego e Desemprego, que utiliza dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED). O principal objetivo é monitorar a dinâmica do mercado de trabalho formal, identificando admissões, desligamentos e o saldo de vagas na região.
O levantamento contempla os 39 municípios da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, oferecendo um panorama detalhado da movimentação do emprego formal em diferentes setores da economia.
Conforme o pesquisador do NUPES, Prof. Dr. Wiliam Retamiro, a expectativa é que as empresas e gestores públicos utilizem as informações para direcionar contratações e investimentos. “Os resultados fortalecem o mercado de trabalho ao revelar demandas setoriais, orientando capacitações e políticas públicas para o desenvolvimento regional. Empresas e gestores públicos podem utilizar os dados para decisões estratégicas, como contratações direcionadas e investimentos nas áreas pública e privada, otimizando recursos e contribuindo para a redução do desemprego”.
Panorama do Emprego Formal na Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte em 2025
Segundo a pesquisa, os municípios mais populosos — São José dos Campos (212.601), Taubaté (89.271), Jacareí (54.206) e Pindamonhangaba (38.113) — concentram os maiores estoques de empregos formais. Por outro lado, municípios de menor porte populacional, como Arapeí (168) e São José do Barreiro (567), apresentam estoques significativamente reduzidos.
O estudo apresenta a razão entre o número de empregos formais e a população total de cada município, indicador calculado segundo a mesma metodologia aplicada às Unidades da Federação.
Destacam-se, nesse indicador, Jambeiro (49,64%), Aparecida (35,44%), Campos do Jordão (32,55%) e São José dos Campos (29,24%). No caso de Jambeiro, os 3.282 vínculos formais registrados em dezembro de 2025 incluem 1.878 empregos industriais, associados ao parque industrial localizado às margens da Rodovia dos Tamoios, cuja dinâmica produtiva se articula fortemente com São José dos Campos.
Aparecida, por sua vez, possui pequena extensão territorial e forte centralidade religiosa e turística, o que atrai trabalhadores residentes em municípios vizinhos. Situação semelhante ocorre em Campos do Jordão, cuja economia turística gera fluxos sazonais de trabalhadores. Já São José dos Campos, principal polo econômico regional, concentra grandes empresas e atrai trabalhadores de diversos municípios da RMVPLN.
Em contrapartida, os menores percentuais de emprego formal em relação à população foram registrados em Potim (6,07%), Arapeí (7,13%) e Tremembé (8,91%). Potim e Tremembé apresentam características típicas de cidades-dormitório, com parcela significativa da população ocupada em municípios vizinhos — no primeiro caso, principalmente Aparecida e Guaratinguetá; no segundo, Taubaté e Pindamonhangaba. Arapeí, município de menor população da região metropolitana, é marcado por uma economia de subsistência e com poucas empresas locais, colaborando, portanto, para que muitos de seus moradores trabalhem em municípios vizinhos.
O crescimento do emprego formal na RMVPLN em 2025 foi de 2,12%, percentual inferior à média nacional (2,71%) e ligeiramente inferior ao desempenho do Estado de São Paulo (2,17%), conforme apresentado anteriormente.
Os maiores saldos foram observados em São José dos Campos (+6.292), Taubaté (+2.834), Jacareí (+1.522), Guaratinguetá (+981), Caçapava (+724). Nesse cenário, os três primeiros municípios seguem a hierarquia populacional regional. Contudo, Pindamonhangaba (359) e Caraguatatuba (135), apesar de figurarem entre os municípios mais populosos, apresentaram desempenho absoluto inferior aos de Guaratinguetá e Caçapava.
O desempenho tímido de Pindamonhangaba pode estar associado à retração nos setores industrial e da construção, que, em conjunto, registraram perda aproximada de 270 postos formais em 2025. No caso de Caraguatatuba, a menor geração líquida de empregos pode estar relacionada à redução de cerca de 260 postos no setor da construção, possivelmente associada à conclusão de etapas relevantes das obras da Rodovia dos Tamoios e intervenções viárias no entorno urbano.
Entre os piores desempenhos absolutos destacam-se Tremembé (-1.112), Cruzeiro (-657), Jambeiro (-293), Areias (-102) e Canas (-38). Dos 39 municípios da RMVPLN, oito apresentaram redução absoluta no número de empregos formais em 2025.

