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O que está por trás da queda de cabelo? Carolina Monnerat esclarece

Médica com atuação em saúde capilar explica como fatores físicos, emocionais e genéticos podem interferir no ciclo dos fios.

TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS

21/07/2026 • 22:26 • Atualizado em 21/07/2026 • 22:26

O que está por trás da queda de cabelo? Carolina Monnerat esclarece

O que está por trás da queda de cabelo? Carolina Monnerat esclarece

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A queda de cabelo pode estar relacionada a mudanças importantes no organismo. Cirurgias, pós-parto, infecções virais, alimentação insuficiente, perda rápida de peso, estresse e predisposição genética estão entre os fatores que podem ser considerados durante a investigação.

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O sinal percebido pelo paciente costuma ser o mesmo: mais fios no banho, na escova ou espalhados pela casa. A origem, no entanto, varia. Há quadros temporários, que podem melhorar após o controle do fator desencadeante, e condições progressivas, nas quais o acompanhamento busca preservar os folículos ainda viáveis e limitar o avanço do afinamento.

Para Carolina Monnerat, médica com atuação em saúde capilar, compreender o diagnóstico também ajuda o paciente a participar das decisões sobre o próprio cuidado.

“O paciente precisa entender o que tem, por que está se cuidando e qual é a função de cada etapa. Quando ele participa do processo, compreende melhor os limites do tratamento e consegue manter o acompanhamento com mais segurança.”

Queda de cabelo pode surgir meses depois de uma mudança no organismo

O aumento da queda nem sempre aparece imediatamente após o acontecimento que a desencadeou. Como os fios atravessam diferentes fases de crescimento, o reflexo de uma cirurgia, de uma infecção ou do período pós-parto pode se tornar perceptível semanas ou meses mais tarde.

Dietas muito restritivas e emagrecimento acelerado também merecem atenção. Carolina relata ter observado maior procura de pacientes com perda intensa dos fios durante a popularização dos medicamentos injetáveis para emagrecimento.

A análise não deve se limitar, porém, ao nome do medicamento. Alimentação, velocidade da perda de peso, predisposição genética e condições gerais de saúde precisam ser consideradas em conjunto.

“Nem sempre é a substância que provoca o quadro. Em alguns casos, é preciso observar o impacto do emagrecimento rápido, da redução da ingestão de nutrientes e do estresse imposto ao organismo, principalmente em pessoas que já apresentam predisposição.”

Uma mesma situação pode produzir respostas distintas. Enquanto algumas pessoas enfrentam uma queda passageira, outras podem perceber a aceleração de um processo de afinamento que já estava em curso.

Vitaminas e remédios para queda exigem avaliação individual

Suplementos, tônicos e medicamentos para crescimento capilar são encontrados com facilidade na internet. A ampla oferta pode criar a impressão de que basta escolher um produto e aguardar o resultado.

Na prática, iniciar uma substância sem investigar a origem da queda pode dificultar a identificação de alterações nutricionais, hormonais, inflamatórias ou hereditárias. Até mesmo uma prescrição obtida em uma avaliação breve pode ser insuficiente quando não há exame do couro cabeludo, análise do histórico clínico ou acompanhamento da evolução.

“A pessoa pode começar um medicamento sem ter feito uma tricoscopia, sem excluir outras causas de queda e sem realizar os exames necessários. Se o cabelo está sofrendo porque existe um desequilíbrio no organismo, é preciso investigar esse organismo.”

Vitaminas também não devem ser tratadas como uma resposta universal. Quando não existe uma deficiência identificada, a suplementação pode não produzir a melhora esperada e transmitir uma falsa sensação de que a causa está sendo tratada.

Nos casos em que medicamentos são indicados, riscos, possíveis efeitos adversos, benefícios e duração do uso precisam ser discutidos de forma individual. Tanto o início por conta própria quanto a interrupção sem orientação podem comprometer o acompanhamento.

Tratamento capilar não oferece resposta imediata

O resultado depende da causa da queda, do tempo de evolução, da adesão à conduta proposta e da quantidade de folículos que ainda permanecem viáveis. Por isso, a comparação com amigos, familiares ou imagens publicadas nas redes sociais tende a criar expectativas pouco realistas.

“O cabelo é feito de ciclos. Ele não funciona como um carretel, e a resposta não aparece na semana seguinte. O tratamento é construído, acompanhado e ajustado de acordo com a evolução de cada paciente.”

Em algumas pessoas, a melhora se torna mais evidente. Em outras, a resposta é limitada. Há também regiões em que o folículo já deixou de produzir fios, o que modifica as possibilidades de tratamento.

A ausência de uma mudança rápida no espelho não significa necessariamente que não exista evolução. Fotografias padronizadas e exames do couro cabeludo podem revelar alterações que ainda não são facilmente percebidas no cotidiano.

Shampoo para queda não substitui investigação médica

Produtos cosméticos têm papel importante no cuidado da fibra capilar. Podem melhorar brilho, textura, ressecamento e quebra, mas não substituem a avaliação de uma perda que começa na raiz.

O cabeleireiro atua principalmente sobre a parte externa dos fios. Já rarefação, falhas, coceira persistente, inflamação, descamação e redução progressiva do volume podem exigir uma investigação do couro cabeludo.

Shampoos destinados ao controle da caspa e da oleosidade podem auxiliar em situações específicas. Isso não significa que produtos anunciados genericamente contra a queda sejam capazes de tratar todas as suas possíveis causas.

“O cabeleireiro é responsável pelo tratamento da fibra, não do couro cabeludo. Quando o atendimento médico é adiado e o paciente permanece apenas em cronogramas capilares, pode perder um período importante para o diagnóstico.”

Nos quadros progressivos, o tempo pode influenciar a possibilidade de preservação dos fios. Procurar avaliação antes que a rarefação esteja muito avançada permite compreender melhor o que ainda pode responder ao tratamento.

Secador, chapinha e boné causam queda de cabelo?

Secador e chapinha não são, por si só, causas de calvície. O uso repetido de calor intenso, contudo, pode danificar a fibra, aumentar o ressecamento e favorecer a quebra.

O boné também não provoca calvície de forma direta. Quando utilizado por períodos prolongados, especialmente sobre o couro cabeludo úmido, pode aumentar o abafamento e agravar desconfortos em pessoas com predisposição à oleosidade ou à dermatite seborreica.

Procedimentos químicos agressivos merecem atenção semelhante. Escovas alisadoras feitas com substâncias inadequadas ou em concentrações irregulares podem provocar irritação, ardência, quebra e danos à fibra.

Também é necessário distinguir queda de quebra. Na quebra, o fio se parte ao longo do comprimento. Na queda, ele se desprende a partir da raiz. A diferença ajuda a direcionar o cuidado e evita que um produto voltado à parte externa do fio seja utilizado como resposta para um problema do folículo.

Tricoscopia ajuda a acompanhar a evolução dos fios

A tricoscopia é um dos recursos utilizados na avaliação capilar. O exame amplia a imagem do couro cabeludo e permite observar características dos fios, dos folículos e da pele.

A análise pode auxiliar na identificação de fios afinados, no estudo da densidade capilar e na comparação da evolução ao longo do acompanhamento. Algumas ferramentas digitais também ajudam a estimar a quantidade de folículos em determinadas áreas.

“A tricoscopia permite mostrar ao paciente o que está acontecendo e acompanhar se os fios afinados estão respondendo. Quando ele visualiza a evolução, entende que o tratamento é um processo e passa a participar dele com mais autonomia.”

O resultado do exame não deve ser analisado isoladamente. Os achados precisam ser relacionados ao histórico de saúde, ao padrão da queda, aos sintomas apresentados e, quando necessário, a outros exames.

Quando procurar ajuda para queda de cabelo

Aumento persistente da perda de fios, diminuição do volume, alargamento da risca, aparecimento de falhas e maior visibilidade do couro cabeludo são sinais que merecem atenção.

Coceira, ardência, sensibilidade e descamação também podem indicar a necessidade de avaliação. A prioridade do atendimento depende da intensidade, da duração e da presença de outros sintomas.

Além do aspecto clínico, a mudança no cabelo pode afetar a autoestima e a forma como a pessoa se reconhece. Há pacientes que passam a evitar fotografias, compromissos sociais ou situações em que acreditam que a rarefação ficará mais evidente.

“Nunca é apenas cabelo. É preciso compreender por que aquela mudança está afetando a pessoa, o que ela espera e até onde o tratamento pode chegar. O acolhimento também ajuda a evitar frustrações e promessas que não podem ser cumpridas.”

Uma conduta responsável deve unir investigação, acompanhamento e expectativas possíveis. Não existe uma solução única para todos os pacientes, assim como não há garantia de resposta igual diante de diagnósticos semelhantes.

Quem é Carolina Monnerat

A trajetória de Carolina Neves Reis Monnerat começou longe do consultório que conduz atualmente. Após a graduação em Medicina, trabalhou em serviços de pronto atendimento em Santa Catarina e no Rio de Janeiro, além de ter passado pela Medicina do Trabalho e pela Pediatria.

Com o avanço da carreira, direcionou os estudos e a prática clínica para a Dermatologia, aprofundando os conhecimentos sobre pele, couro cabeludo e cabelos. O interesse pela saúde capilar ganhou espaço crescente em sua atuação e a levou a buscar formação específica em Transplante Capilar, área que passou a integrar o trabalho desenvolvido na clínica.

Depois de anos atuando fora de sua cidade natal, retornou a Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro, onde construiu uma trajetória de mais de uma década. Atualmente, concentra parte importante de sua atuação na investigação da queda de cabelo, no tratamento de alterações do couro cabeludo e na restauração capilar, além de participar de sociedades voltadas à pesquisa e à atualização científica em saúde dos cabelos.

A escuta do paciente ocupa espaço central em sua forma de atendimento. Carolina defende que a informação médica deve ser apresentada com clareza, incluindo as possibilidades, os limites, os possíveis riscos e o tempo esperado de cada conduta. Para ela, humanizar o cuidado não significa criar expectativas, mas acompanhar cada pessoa com proximidade, respeito e transparência.

CRM: 5289861-9/RJInstagram: @dracarolinamonnerat

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