
Perimenopausa e reposição hormonal: o que toda mulher precisa saber
TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS
A menopausa deixou de ser um tema restrito ao consultório e passou a ocupar um espaço cada vez mais importante na conversa pública sobre saúde feminina. Ainda assim, muitas mulheres chegam a essa fase sem informação adequada, confundindo sintomas hormonais com estresse, cansaço ou sobrecarga da rotina, o que pode atrasar o diagnóstico e o cuidado. A menopausa é definida após 12 meses consecutivos sem menstruação, mas as mudanças no corpo podem surgir anos antes, durante a perimenopausa, período de transição marcado por oscilações hormonais e impactos reais na qualidade de vida.
É justamente nesse ponto que a ginecologista e obstetra Dra. Mayra Fontainhas chama atenção para a importância do olhar clínico e da escuta qualificada. “A paciente começa a achar que está cansada demais, estressada demais, esquecida demais, e nem sempre percebe que pode haver uma flutuação hormonal importante por trás disso”, afirma. Para a médica, ainda existe um atraso cultural no modo como a saúde hormonal da mulher é compreendida, sobretudo quando os sintomas não aparecem de forma óbvia ou não são imediatamente associados à transição menopausal.
O que é perimenopausa e por que essa fase merece atenção
A perimenopausa é a fase que antecede a menopausa e pode começar alguns anos antes da última menstruação. Nesse período, os hormônios passam por oscilações que podem alterar o ciclo menstrual, o sono, o humor, a libido, a energia e até a capacidade de concentração, o que faz com que muitas mulheres sintam que “não estão mais se reconhecendo” sem entender exatamente por quê.
Segundo a Dra. Mayra, um dos erros mais comuns é acreditar que a investigação só deve começar quando a menstruação cessar completamente.
“A mulher ainda menstrua e, por isso, muitas vezes descarta a possibilidade de estar na perimenopausa. Só que essa fase já pode trazer cansaço, irritabilidade, insônia, dificuldade de concentração e mudanças no ciclo”, explica. Na prática, isso significa que a paciente pode estar vivendo sintomas importantes por meses — ou até anos — antes de procurar ajuda especializada.
Quais sintomas podem indicar a transição hormonal
Os sinais mais conhecidos costumam ser as ondas de calor e o suor noturno, mas a transição hormonal não se resume a isso. Alterações menstruais, insônia, ansiedade, irritabilidade, secura vaginal, queda da libido, oscilação de humor e dificuldade de memória ou foco também estão entre os sintomas descritos por fontes médicas e institucionais sobre perimenopausa e menopausa.
Na avaliação da especialista, a rotina exaustiva de muitas mulheres acaba mascarando esses sinais.
“Como a mulher de hoje acumula muitas funções, ela tende a atribuir tudo ao estresse. Mas nem sempre é só cansaço. Muitas vezes, o corpo já está entrando em uma transição hormonal que precisa ser investigada”, diz. É por isso que mudanças persistentes no ciclo ou no bem-estar geral não devem ser banalizadas, principalmente quando passam a comprometer a vida pessoal, profissional e afetiva.
Quando procurar um ginecologista
Buscar avaliação médica ao notar sintomas recorrentes ou mudanças no padrão menstrual é um passo importante para diferenciar o que faz parte da transição hormonal do que pode estar relacionado a outras condições clínicas. As Diretrizes clínicas ressaltam que o manejo da menopausa deve ser individualizado, baseado na história da paciente, nos riscos envolvidos e no impacto dos sintomas sobre a sua qualidade de vida.
Dra. Mayra reforça que essa consulta precisa ir além de uma abordagem apressada.
“Não é uma conversa que se resolve em cinco minutos. É preciso ouvir a paciente, entender as queixas, os antecedentes, os riscos e o que realmente está mudando no corpo dela”, pontua. Para a médica, o acompanhamento adequado começa justamente quando a mulher percebe que há algo diferente acontecendo — e encontra um profissional capaz de investigar com seriedade e sensibilidade.
Reposição hormonal: quando ela pode ser indicada
A terapia hormonal continua sendo, segundo sociedades médicas e diretrizes recentes, o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores da menopausa, como fogachos e suores noturnos, além de ser útil em alguns quadros de secura vaginal e síndrome geniturinária da menopausa. Em situações selecionadas, ela também pode trazer benefícios relacionados à proteção óssea, desde que a indicação seja correta e feita com avaliação individualizada.
Ao falar sobre o tema, Dra. Mayra faz questão de afastar dois extremos: o medo indiscriminado e o entusiasmo sem critério.
“O hormônio não pode ser tratado como vilão, mas também não pode ser usado de forma indiscriminada. O mais importante é entender indicação, contraindicação e risco individual”, afirma. Essa cautela é fundamental para uma cobertura jornalística responsável, já que não existe conduta universal quando se fala em reposição hormonal.
Existe uma janela mais favorável para o tratamento?
Entidades médicas apontam que, para muitas mulheres saudáveis e sintomáticas, a melhor relação entre benefícios e riscos costuma ocorrer quando a terapia é iniciada mais próxima da menopausa, especialmente antes dos 60 anos ou nos primeiros 10 anos após esse marco, sempre com avaliação médica. Isso não significa que toda mulher deva usar hormônios, mas sim que o tempo e o contexto clínico fazem diferença na decisão terapêutica.
Na entrevista, a ginecologista destacou a importância de não deixar o assunto para depois.
“A mulher não precisa esperar sofrer muito para procurar ajuda. Informação de qualidade e acompanhamento correto podem tornar essa fase muito mais leve”, resume. O foco, segundo ela, deve ser o cuidado precoce e individualizado, e não uma busca tardia por soluções quando os impactos já se tornaram mais difíceis de manejar.
Quem precisa de mais cautela antes de usar hormônios
A terapia hormonal exige atenção especial em mulheres com histórico de trombose, eventos tromboembólicos, alguns tipos de câncer hormônio-sensível e outras condições que podem aumentar o risco do tratamento. Por isso, diretrizes reforçam que a decisão deve ser compartilhada, respaldada por avaliação clínica completa e revisada periodicamente, e nunca baseada apenas em sintomas isolados ou em fórmulas prontas vistas na internet.
A Dra. Mayra observa que a banalização do tema nas redes sociais vem dificultando esse entendimento.
“Hoje, muita paciente chega ao consultório já pedindo uma solução pronta, porque viu algo na internet. Mas reposição hormonal séria não se faz com promessa milagrosa. Ela exige investigação, exame, acompanhamento e responsabilidade”, alerta. Em um cenário de excesso de informação, o papel do médico passa também por organizar expectativas e proteger a paciente de decisões precipitadas.
E quando hormônio não é indicado?
Nem toda mulher será candidata à terapia hormonal sistêmica, e isso não significa ausência de tratamento. Dependendo da queixa principal, podem ser adotadas medidas não hormonais, terapias locais para sintomas geniturinários, mudanças no estilo de vida e acompanhamento multiprofissional, sempre de acordo com a avaliação individual e com as necessidades de cada paciente.
Para a especialista, esse é um ponto que precisa ser melhor compreendido pelas pacientes.
“Hormônio sozinho não sustenta resultado. Sono, atividade física, alimentação, saúde mental e acompanhamento médico fazem parte da base”, afirma. Em outras palavras, o tratamento da menopausa não pode ser reduzido a uma prescrição: ele precisa considerar a mulher de forma ampla, com seu histórico, hábitos, riscos e contexto de vida.
Menopausa vai muito além do fogacho
Reduzir a menopausa aos fogachos é um erro comum e que empobrece a discussão sobre saúde feminina. A queda hormonal pode estar associada a alterações que impactam o sono, a saúde óssea, o trato geniturinário, a sexualidade e o bem-estar geral, o que torna essa fase um tema de prevenção, acompanhamento e qualidade de vida — e não apenas de alívio de sintomas pontuais.
Na visão da médica, esse cuidado também passa por uma mudança de mentalidade.
“É uma fase da vida, não um fim. O importante é buscar um profissional que escute, investigue, explique e conduza o tratamento da forma mais segura possível”, diz. A fala reforça um ponto importante para a leitora: informação adequada não elimina a transição hormonal, mas pode transformar completamente a forma como ela é vivida.
O que evitar no debate sobre “chip da beleza” e hormônios
Nos últimos anos, o uso de hormônios com promessa de melhora estética, performance ou rejuvenescimento passou a circular com força nas redes sociais, o que acendeu um alerta entre entidades médicas. Sociedades brasileiras já se manifestaram publicamente em defesa de prescrições baseadas em evidência, com indicação precisa e sem banalização de conceitos hormonais usados fora de contexto clínico.
Dra. Mayra adota uma postura firme diante desse cenário.
“Melhora de disposição e composição corporal pode até aparecer como bônus em alguns casos, mas aumentar risco em nome de promessa estética, isso não é negociável”, afirma. Ao trazer esse ponto, a médica reforça uma mensagem essencial para o público: saúde hormonal séria não deve ser conduzida por modismos, e sim por critérios técnicos e responsabilidade.
Quem é a Dra. Mayra Fontainhas
A Dra. Mayra Rachel Sergio Fontainhas é ginecologista e obstetra, com atuação no Rio de Janeiro e foco em atendimento humanizado à saúde da mulher. Sua trajetória profissional é marcada pelo acompanhamento obstétrico e pelo cuidado integral da paciente em diferentes fases da vida, com ênfase tanto na gestação quanto nas transformações hormonais do organismo feminino.
A médica tem atuação destacada em gestação de alto risco, área na qual construiu parte importante de sua prática clínica, e também se aprofundou em ginecologia endócrina, com pós-graduação voltada à saúde hormonal feminina. Esse percurso acadêmico amplia seu olhar para temas como perimenopausa, menopausa, reposição hormonal, planejamento reprodutivo e equilíbrio hormonal, sempre com a proposta de unir conhecimento técnico, escuta qualificada e acolhimento no consultório.
CRM: 5285262-7/RJ | RQE Nº: 42212
Instagram: @dramayrafontainhas

Fotos: MARI VIANA
Nota ao leitor
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta médica. Diagnóstico e tratamento devem ser definidos por profissional habilitado após avaliação individual. Não há promessa de resultado; cada caso depende de fatores clínicos e do plano terapêutico indicado.
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