
Próstata aumentada: sinais que homens costumam ignorar
TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS
Acordar várias vezes durante a noite para urinar, notar o jato urinário mais fraco ou sentir dificuldade para esvaziar a bexiga por completo são sintomas que muitos homens ainda tratam como algo “normal da idade”. Mas nem sempre são. Em muitos casos, esses sinais podem estar ligados à hiperplasia prostática benigna, condição comum a partir da meia-idade e que pode afetar de forma importante o sono, a disposição e a qualidade de vida.
O urologista Daniel Perpétuo chama atenção para o fato de que o crescimento da próstata é frequente com o envelhecimento, mas não deve ser banalizado. “A partir dos 40, 45 anos, a próstata começa a crescer, e esse crescimento pode ou não trazer sintomas”, explica. Segundo ele, o ponto central não é apenas o tamanho da próstata, mas o quanto esse aumento passa a interferir na saída da urina.
Na prática, o problema começa quando o homem vai se adaptando ao desconforto sem perceber que sua rotina já está sendo limitada. É aí que entra uma questão que o especialista conhece bem no consultório: o medo. Na urologia, ele ainda pesa. Muitos pacientes chegam receosos do diagnóstico, do tratamento e, principalmente, de possíveis impactos na vida sexual. Esse tabu, segundo o médico, ainda faz com que muita gente demore mais do que deveria para procurar ajuda.
O que é hiperplasia prostática benigna
A hiperplasia prostática benigna é o aumento não canceroso da próstata, glândula do sistema reprodutor masculino localizada abaixo da bexiga e ao redor da uretra. Com o passar dos anos, esse crescimento pode comprimir o canal urinário e dificultar a passagem da urina.
Daniel Perpétuo explica que esse processo é muito comum, mas não se manifesta da mesma forma em todos os pacientes. “O crescimento da próstata não significa problema por si só. Para trazer problema, ela tem que atrapalhar o esvaziamento da bexiga”, afirma. Em alguns homens, a próstata pode estar bastante aumentada sem provocar grande incômodo. Em outros, mesmo um crescimento menor já é suficiente para gerar sintomas importantes.
Isso acontece porque o impacto clínico não depende só do volume da próstata, mas também da forma como ela cresce. Quando o tecido passa a comprimir mais diretamente a uretra, os sinais urinários tendem a se intensificar. Por isso, avaliação individual, exame físico e acompanhamento médico são fundamentais para definir o melhor caminho em cada caso.
Sintomas urinários merecem atenção
Entre os sintomas mais comuns da hiperplasia prostática estão a redução da força do jato urinário, a demora para começar a urinar, a sensação de esvaziamento incompleto da bexiga, a urgência urinária e o aumento da frequência miccional ao longo do dia e da noite.
Segundo o especialista, um dos sinais que os homens mais costumam ignorar é justamente o número de vezes em que acordam durante a madrugada para urinar. “Aquele senhor que acorda três, quatro, cinco vezes durante a noite, isso não é um bom sinal”, alerta. Em muitos casos, o paciente vai atribuindo esse incômodo ao envelhecimento e deixa de investigar uma condição que pode ser tratada.
O problema é que a persistência desses sintomas pode sobrecarregar a bexiga ao longo do tempo. Em quadros mais avançados, a hiperplasia prostática pode levar a retenção urinária, formação de cálculos na bexiga, sangramento urinário e prejuízo progressivo da função vesical. Nem todo homem com próstata aumentada precisará de tratamento imediato, mas todo sintoma persistente merece avaliação.
Quando a próstata aumentada afeta a qualidade de vida
Os efeitos da hiperplasia prostática não se resumem ao banheiro. Quando os sintomas avançam, a rotina inteira pode mudar. O sono passa a ser interrompido diversas vezes, viagens se tornam mais desconfortáveis, compromissos sociais geram ansiedade e atividades simples, como assistir a um filme até o fim, podem virar um desafio.
Daniel Perpétuo destaca que muitos pacientes só percebem o tamanho do impacto quando já estão reorganizando a vida em torno do problema. “A qualidade de vida do homem que urina mal é muito ruim”, resume. Segundo ele, em casos de urgência urinária, há homens que chegam a procurar imediatamente a localização do banheiro ao entrar em qualquer ambiente, com receio de não conseguir segurar.
Esse comprometimento também afeta o emocional. O cansaço provocado pelas noites mal dormidas, a insegurança diante dos escapes urinários e o medo de constrangimento em público contribuem para um desgaste silencioso. É justamente nesse ponto que o atendimento humanizado ganha peso: entender o sintoma, mas também a angústia por trás dele.
Tratamento depende do paciente e da próstata
Nem todo caso de hiperplasia prostática exige cirurgia. A conduta depende da intensidade dos sintomas, do impacto na qualidade de vida, das características anatômicas da próstata e das expectativas do paciente. Em alguns casos, é possível apenas acompanhar. Em outros, o tratamento medicamentoso pode ajudar a controlar a evolução do quadro.
Nos últimos anos, os avanços na urologia também ampliaram as opções minimamente invasivas. Daniel Perpétuo cita o uso do laser e técnicas mais recentes, como o REZÜM, procedimento em que vapor é aplicado no tecido prostático para reduzir a obstrução urinária em casos selecionados. Para ele, o grande ganho dessas abordagens está na possibilidade de individualizar melhor o tratamento, com mais conforto e recuperação mais rápida para determinados perfis de pacientes.
Mas ele faz um alerta importante: nem toda tecnologia serve para todo mundo. “O novo não quer dizer que seja o melhor”, afirma. Segundo o urologista, o paciente muitas vezes chega ao consultório pedindo uma técnica específica porque viu nas redes sociais ou ouviu falar de alguém conhecido. Ainda assim, a decisão precisa ser médica, criteriosa e baseada na indicação correta.
Vida sexual é uma das maiores preocupações no consultório
Se existe um medo recorrente entre os homens que procuram o urologista, ele costuma passar pela sexualidade. Daniel Perpétuo relata que essa é uma preocupação frequente entre pacientes com sintomas urinários ou diante da possibilidade de tratamento para a próstata.
Embora a próstata não seja o órgão responsável pela ereção, alguns tratamentos podem, sim, interferir em aspectos da vida sexual, especialmente na ejaculação. Por isso, o assunto precisa ser discutido com transparência, sem alarmismo e sem promessas irreais. “Esse é o grande medo do homem aqui no consultório”, diz.
O especialista defende que a consulta precisa abrir espaço para esse tipo de conversa. Não apenas porque faz parte da decisão terapêutica, mas porque acolher o medo também é uma forma de cuidado. Em uma especialidade ainda cercada por tabus, ouvir o paciente com atenção e explicar cada etapa do tratamento ajuda a reduzir a ansiedade e fortalece a confiança.
Há como prevenir ou retardar os sintomas?
Embora o envelhecimento e a predisposição genética tenham papel importante no crescimento da próstata, o estilo de vida também entra nessa equação. Alimentação equilibrada, controle do peso, atividade física regular, redução do consumo de álcool e ausência de tabagismo contribuem para um envelhecimento mais saudável de forma geral, inclusive da saúde urológica.
Segundo Daniel Perpétuo, hábitos saudáveis podem ajudar a reduzir processos inflamatórios no organismo e colaborar para uma evolução menos agressiva dos sintomas ao longo do tempo. Isso não impede totalmente o crescimento prostático, mas reforça a importância da prevenção e do cuidado contínuo com o corpo.
Para ele, a principal mensagem é que o homem não deve esperar o sintoma virar limitação para procurar ajuda. “A prevenção das doenças no homem urológicas está na consulta com o urologista uma vez por ano”, afirma. A recomendação da Sociedade Brasileira de Urologia é que homens sem fatores de risco iniciem esse acompanhamento aos 50 anos. Já aqueles com histórico familiar de câncer de próstata, como pai ou irmão com a doença, devem conversar com o especialista a partir dos 45.

Pedro Vinanova , Vila Films na primeira foto
Quem é Daniel Perpétuo
Chefe do serviço de Urologia do Hospital Federal dos Servidores do Estado, no Rio de Janeiro, Daniel Perpétuo construiu sua trajetória entre a medicina pública, a formação acadêmica e a atuação em cirurgia minimamente invasiva. Formado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), fez residência na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), no Hospital Pedro Ernesto, e hoje também atua na formação de novos médicos.
Além da rotina hospitalar e do atendimento em consultório, ele integra a Sociedade Brasileira de Urologia, com participação na área voltada à hiperplasia prostática, e se tornou uma referência entre colegas justamente por seu trabalho com procedimentos minimamente invasivos para o tratamento da próstata aumentada. Ele também destaca seu envolvimento com ensino, preceptoria e atualização constante em novas tecnologias da área.
Além do currículo técnico, o que mais chama atenção em sua fala é a maneira como enxerga o paciente. Ao descrever o próprio consultório, ele conta que tenta tornar a chegada do homem ao urologista mais leve, justamente por reconhecer o peso emocional que muitos carregam até o momento da consulta. Em uma especialidade que ainda lida com vergonha, silêncio e medo, essa escuta cuidadosa se tornou uma marca clara de sua atuação.
CRM 5264372-6
Instagram: @dr.daniel.perpetuo
Nota ao leitor
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta médica. Diagnóstico e tratamento devem ser definidos por profissional habilitado após avaliação individual. Não há promessa de resultado; cada caso depende de fatores clínicos e do plano terapêutico indicado.
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