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Psoríase vai além da pele: entenda sintomas, riscos e tratamento

A dermatologista Paula Klein explica sinais da psoríase, os impactos da doença e por que o tratamento adequado pode transformar a rotina do paciente.

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18/03/2026 • 14:33 • Atualizado em 18/03/2026 • 14:33

Psoríase vai além da pele: entenda sintomas, riscos e tratamento

Psoríase vai além da pele: entenda sintomas, riscos e tratamento

TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS

Ainda cercada por desinformação, a psoríase costuma ser confundida com alergias, caspa ou irritações comuns. Essa confusão, no entanto, atrasa o diagnóstico de uma doença inflamatória crônica que pode comprometer não só a pele, mas também a autoestima, a rotina e a saúde geral do paciente.

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Dermatologista com atuação clínica e estética em Porto Alegre, Paula Klein explica que a psoríase pode se manifestar de formas diferentes, o que contribui para a confusão inicial. A forma mais conhecida é a das placas avermelhadas com escamas espessas, mas a doença também pode surgir em regiões de dobra, como axilas e virilhas, além de couro cabeludo, unhas, palmas das mãos, plantas dos pés e região íntima. Em alguns casos, há ainda acometimento articular.

“Ela é uma doença crônica que não tem cura, mas tem tratamento hoje em dia, e tem diversas apresentações”, afirma a médica.

Nem sempre começa do jeito que o paciente imagina

Um dos entraves para o diagnóstico é justamente o fato de a psoríase nem sempre aparecer da forma mais clássica. No couro cabeludo, por exemplo, o quadro pode ser confundido com caspa persistente. Já nas unhas, deformidades, descamações e manchas recorrentes podem ser tratadas como algo pontual, quando, na verdade, exigem investigação.

Paula Klein chama atenção para lesões que não melhoram com medidas simples do dia a dia. “Se não está resolvendo com shampoo, com esses tratamentos mais convencionais, isso já deve acender um alerta”, orienta.

A observação vale especialmente quando a alteração persiste por semanas, volta com frequência ou aparece em áreas menos usuais.

A doença não é contagiosa — e esse esclarecimento importa

Entre os mitos mais prejudiciais sobre a psoríase está a ideia de que ela pode ser transmitida pelo toque ou pelo convívio. Essa crença alimenta o preconceito e pesa ainda mais sobre pacientes que já lidam com o desconforto físico e emocional da doença.

Para Paula, combater esse erro é parte essencial da informação. “O fato de as pessoas pensarem que é contagioso é o pior”, diz. “Quanto mais informação o pessoal tiver, melhor.”

Esse esclarecimento faz diferença na vida real. Lesões visíveis muitas vezes provocam constrangimento, afastamento e julgamentos precipitados, quando o paciente, na verdade, precisa de orientação e tratamento.

Muito além das lesões na pele

Embora a manifestação cutânea seja a face mais visível da psoríase, a doença não deve ser tratada como um problema apenas estético. Por ser inflamatória, ela pode estar associada a outras condições de saúde e exigir um olhar mais amplo sobre o paciente.

Segundo Paula Klein, a psoríase pode ter relação com síndrome metabólica, excesso de peso, hipertensão e maior risco cardiovascular. Em alguns casos, também pode atingir articulações, com dor, limitação e possibilidade de evolução para deformidades.

“Não é só na pele. Hoje a gente sabe que, sendo uma doença inflamatória, também tem comprometimento interno”, destaca.

Esse entendimento muda a forma de enxergar o tratamento: controlar a psoríase é também reduzir impactos que vão além da aparência das lesões.

Existe um perfil mais comum?

A psoríase pode surgir em homens e mulheres, em diferentes fases da vida. Embora também exista na infância, costuma aparecer com mais frequência na idade adulta. O histórico familiar, segundo a dermatologista, é comum e reforça a participação de predisposição genética no quadro.

Ao mesmo tempo, Paula observa que muitos pacientes apresentam comorbidades associadas, especialmente metabólicas. Ainda assim, não existe um único perfil fechado e esse é mais um motivo para evitar autodiagnóstico e procurar avaliação especializada diante de lesões persistentes.

O estresse não causa a doença, mas pode piorar

O componente emocional também entra na conversa, mas de forma cuidadosa. A psoríase não é causada pelo estresse, embora ele possa funcionar como gatilho ou fator de piora em pessoas predispostas. Cirurgias, infecções, traumas na pele e algumas medicações também podem ter esse papel.

“Não é que o estresse causou a psoríase, mas ele pode ter sido um fator que desencadeou a doença ou que piorou”, explica Paula Klein.

Na prática, isso significa que a saúde mental não deve ser tratada como detalhe. Não porque ela provoque a doença, mas porque influencia a forma como o paciente atravessa um quadro que muitas vezes afeta sua segurança, seu convívio e sua qualidade de vida.

O impacto invisível da psoríase

A parte mais difícil da psoríase nem sempre é a que salta aos olhos. Em muitos casos, parte do impacto está nas adaptações silenciosas que a pessoa passa a fazer: esconder o corpo, evitar roupas específicas, mudar hábitos, reduzir o contato social e perder espontaneidade em situações simples do cotidiano.

Paula acompanha esse efeito de perto no consultório. Há pacientes que deixam de ir à praia, outros evitam esportes, alguns se sentem constrangidos até para cumprimentar alguém. Quando as lesões atingem áreas íntimas, o reflexo também pode atingir relacionamentos e autoestima.

“Tem paciente que não cumprimenta porque tem vergonha de dar a mão. Tem paciente que não vai à praia porque não quer tirar a camiseta”, relata.

No ambiente profissional, esse sofrimento também aparece. A pessoa está presente, mantém a rotina de trabalho, mas lida com desconforto, queda de confiança e sensação constante de exposição.

O que mudou no tratamento da psoríase

Um dos pontos mais importantes é mostrar que o cenário da psoríase avançou. Muitos pacientes ainda chegam ao consultório com a ideia de que “não há muito o que fazer”, mas isso já não corresponde à realidade.

Paula Klein explica que hoje existem estratégias terapêuticas muito mais eficazes do que há alguns anos, com possibilidade real de controle amplo da doença e melhora importante da qualidade de vida.

“Eu ainda recebo muitos pacientes que ouviram: ‘é isso aí, não tem mais o que fazer’. E isso não é verdade”, afirma.

O tratamento pode envolver medicações tópicas, medicamentos orais e, nos quadros moderados ou graves, terapias imunobiológicas. Essas opções mais modernas aumentaram de forma significativa o controle das lesões e reduziram o impacto da doença no dia a dia.

Psoríase tem cura?

A resposta é não. Mas, na prática clínica, o que importa é que ela pode ser controlada e esse controle muda a vida do paciente.

“Não tem cura, tem controle”, resume Paula. “Se a gente parar de tratar a psoríase, ela normalmente volta.”

A lógica é semelhante à de outras condições crônicas: o objetivo não é prometer desaparecimento definitivo, mas manter a doença estabilizada, prevenir complicações e permitir que a pessoa viva bem.

Hidratação e exposição solar ajudam no controle?

Sim, desde que com orientação e bom senso. A hidratação ajuda a melhorar o conforto da pele e pode reduzir o aspecto mais espesso das placas. Já a luz solar, em doses controladas, pode beneficiar alguns pacientes, tanto que existe a fototerapia, realizada em ambiente médico, com radiação UVB filtrada.

Paula observa que alguns pacientes percebem melhora após exposição moderada ao sol, mas reforça que isso não substitui tratamento e nem dispensa proteção. “A luz solar ajuda, mas é sempre com cuidado, proteção solar e de forma controlada”, ressalta.

Ou seja: há espaço para cuidados complementares, mas o centro do manejo continua sendo o acompanhamento dermatológico.

Quando procurar ajuda médica

Esperar demais é um erro comum. Como muitas lesões começam de forma discreta ou são confundidas com outros quadros, parte dos pacientes adia a consulta na expectativa de melhora espontânea.

Para Paula Klein, esse atraso deve ser evitado. “Três meses é o limite para qualquer coisa na tua pele se resolver. Se não resolver, precisa de ajuda”, orienta.

Quanto antes o diagnóstico for feito, maiores são as chances de controlar a doença com mais eficiência, reduzir sofrimento e evitar evolução para quadros mais complexos, incluindo comprometimento articular.

Informação e escuta também fazem diferença

Embora a psoríase seja o foco desta matéria, a forma como Paula Klein conduz esse tema dialoga com a visão mais ampla que ela tem da dermatologia. Com forte atuação em dermatologia estética, além da prática clínica, a médica defende uma abordagem em que o paciente seja visto de maneira individual, seja diante de uma queixa de saúde, seja diante de questões ligadas à autoestima.

Essa perspectiva aparece quando ela fala sobre psoríase sem reduzir o paciente à lesão. Ao longo da consulta, o impacto na rotina, no trabalho, na convivência e na autoconfiança também entra em cena.

“Os pacientes voltam felizes, com a sensação de que recuperaram a vida”, conta a dermatologista, ao falar sobre a melhora de quem consegue controlar a doença depois de muito tempo de sofrimento.

Quem é Paula Klein

Dermatologista em Porto Alegre, Paula Klein atua nas frentes clínica e estética, com atenção especial a condições que interferem diretamente na qualidade de vida e na forma como o paciente se percebe. Em sua rotina, acompanha doenças imunomediadas, como psoríase, dermatite atópica e hidradenite supurativa, e trabalha com dermatologia estética voltada a resultados naturais, sempre com olhar individualizado e condutas alinhadas à realidade de cada pessoa.

CRM-RS: 41401RQE Nº: 38101

Instagram: @dermato.paulaklein

Foto: Fer Alves

Foto: Fer Alves