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Puerpério exige atenção, escuta e rede de apoio à mulher

A obstetra Wànessa Guedes alerta para os desafios físicos e emocionais do pós-parto e defende cuidado contínuo e humanizado.

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18/03/2026 • 16:49 • Atualizado em 18/03/2026 • 16:49

Puerpério exige atenção, escuta e rede de apoio à mulher

Puerpério exige atenção, escuta e rede de apoio à mulher

TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS

Apesar de grande parte da atenção se concentrar na gestação e no parto, existe uma etapa que ainda costuma ser subestimada no cuidado materno: o puerpério. Marcado por mudanças físicas, hormonais e emocionais, o período após o nascimento do bebê pode ser tão desafiador quanto a própria gravidez e exige acompanhamento atento, orientação adequada e acolhimento.

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Para a obstetra Wànessa Guedes, esse é um dos pontos que ainda precisam ser mais discutidos dentro da assistência à mulher. Segundo ela, muitas gestantes chegam bem preparadas para o nascimento, mas com pouca informação sobre o que acontece depois da alta médica, quando começam os desafios da recuperação, da amamentação e da adaptação à nova rotina. “Muitas pacientes se preparam para o parto, mas esquecem do pós-parto. E é justamente nesse momento que a mulher também precisa ser vista, acolhida e acompanhada, porque o nascimento do bebê não encerra o cuidado com essa mãe”, afirma.

Um período delicado e muitas vezes negligenciado

Do ponto de vista médico, o puerpério é o período de recuperação e adaptação do organismo materno após o parto. Ele começa logo após o nascimento do bebê e envolve mudanças físicas, hormonais e emocionais importantes, enquanto o corpo da mulher passa por um processo de reorganização. De forma geral, os primeiros 45 dias costumam ser usados como referência para essa fase inicial, embora esse tempo possa variar de acordo com a via de parto, as condições clínicas da paciente e a forma como cada mulher responde nesse período.

Nessa fase, o organismo passa por ajustes relevantes, como a recuperação do útero, o sangramento vaginal do pós-parto, a cicatrização do períneo ou da incisão cirúrgica, quando houver, e a adaptação hormonal e mamária, especialmente quando a mulher amamenta. Além da recuperação física, o puerpério também inclui desafios ligados à amamentação, ao padrão de sono, à rotina da casa e à retomada gradual da vida íntima e das atividades do dia a dia, sempre de acordo com a avaliação médica e com o tempo de recuperação de cada paciente.

Na avaliação da obstetra Wànessa Guedes, um dos erros mais comuns é tratar esse momento como uma etapa automática da maternidade, como se a mulher tivesse simplesmente que dar conta de tudo sem apoio. Ela ressalta que, depois do parto, a paciente continua precisando de assistência individualizada e de apoio capaz de enxergá-la para além das demandas imediatas do bebê. “O puerpério é um momento muito desafiador. Existe uma labilidade emocional muito grande, existem mudanças físicas, hormonais e também desafios práticos dentro de casa. Em nenhum momento essa paciente pode ficar desamparada”, pontua.

Cuidar da mãe também deve ser prioridade

Embora o bebê naturalmente concentre grande parte da atenção da família, especialistas vêm reforçando a importância de olhar também para a saúde e o bem-estar da mulher no pós-parto. Isso inclui observar como ela está emocionalmente, como tem lidado com a amamentação, com a privação de sono, com a recuperação do corpo e com a nova dinâmica da casa.

Para a médica, esse suporte é indispensável porque cada mulher atravessa o puerpério de uma forma diferente. Algumas contam com rede de apoio estruturada, enquanto outras enfrentam sobrecarga, solidão e até dificuldade de pedir ajuda. Por isso, ela defende que o cuidado nesse período seja contínuo e atento às particularidades de cada paciente. “A mulher pode estar vivendo uma fase de muita vulnerabilidade. Às vezes ela está exausta, insegura, com medo, tentando entender o próprio corpo, tentando amamentar, tentando cuidar do bebê, cuidar de outros filhos e, ao mesmo tempo, tentando se reconhecer dentro dessa nova rotina. A gente não pode deixar essa paciente sozinha”, destaca.

Amamentação, exaustão e adaptação à nova rotina

Entre os pontos que mais exigem atenção no puerpério estão as dificuldades com a amamentação, a privação de sono, o desconforto físico do pós-parto e o impacto emocional da mudança brusca de rotina que acompanha a chegada do bebê. Na prática, essa fase costuma reunir várias demandas ao mesmo tempo: a mulher está se recuperando fisicamente do parto, tenta entender os sinais do recém-nascido, enfrenta noites interrompidas, lida com dor, insegurança e, muitas vezes, com a pressão de corresponder a uma imagem idealizada da maternidade.

No caso da amamentação, por exemplo, nem sempre o processo acontece de forma intuitiva ou sem dificuldade. Pega incorreta, dor ao amamentar, fissuras, ingurgitamento mamário e dúvidas sobre livre demanda podem gerar frustração, culpa e sensação de incapacidade, especialmente quando essa mulher não encontra orientação adequada. Ao mesmo tempo, o cansaço acumulado e a falta de descanso podem intensificar a sobrecarga emocional, tornando o período ainda mais delicado.

Além disso, a adaptação à nova rotina costuma ser mais profunda do que parece. O puerpério mexe com o corpo, com o sono, com a dinâmica da casa, com a relação conjugal e com a forma como a mulher passa a se perceber. Quando existem outros filhos, pouca rede de apoio ou dificuldade de dividir tarefas, esse processo pode se tornar ainda mais desafiador. “A paciente, muitas vezes, foca tanto na gestação e no parto que esquece que depois vem uma fase muito intensa. O puerpério exige preparo, exige acolhimento e exige acompanhamento, porque nem sempre essa mulher vai conseguir atravessar tudo isso sem ajuda”, explica Wànessa Guedes.

Por que esse cuidado se torna tão necessário

Mais do que uma fase de adaptação, o puerpério é um período de transição profunda. Em poucos dias, a mulher passa a lidar com alterações hormonais importantes, recuperação física, mudanças no padrão de sono, novas responsabilidades e uma demanda emocional intensa. Por isso, o cuidado no pós-parto não deve ser visto como um detalhe, mas como parte essencial da assistência à saúde da mulher.

Esse acompanhamento se torna ainda mais importante porque o puerpério reúne fatores físicos e emocionais ao mesmo tempo. A mulher pode estar feliz com a chegada do bebê e, ainda assim, se sentir fragilizada, exausta ou insegura. Pode estar cercada de pessoas e, mesmo assim, se sentir sozinha. Reconhecer essa complexidade ajuda a evitar julgamentos, silenciamentos e a ideia equivocada de que o sofrimento materno deve ser tratado como algo irrelevante ou inevitável.

Atenção à saúde emocional da mulher

Outro aspecto importante do puerpério é a saúde emocional. Oscilações de humor, choro fácil, insegurança e sensação de sobrecarga podem aparecer nesse período e precisam ser observados com responsabilidade. Sem transformar qualquer sintoma em diagnóstico, a orientação é que sinais persistentes de sofrimento emocional sejam avaliados por profissionais de saúde, especialmente quando interferem de forma importante na rotina, no vínculo com o bebê ou na recuperação da mulher.

Segundo a obstetra, pacientes com histórico prévio de sofrimento psíquico ou maior vulnerabilidade emocional merecem atenção ainda mais cuidadosa. Nesses casos, o acompanhamento antecipado e individualizado pode fazer diferença no enfrentamento dessa fase. “Hoje a gente sabe que o pós-parto é um momento muito sensível. Se essa mulher já tem uma predisposição ou já vem com algum histórico de sofrimento emocional, ela precisa ser acompanhada com ainda mais cuidado, porque esse período pode intensificar fragilidades emocionais já existentes e ela não deve passar por isso sem suporte”, alerta.

Informação segura também é forma de cuidado

Em tempos de excesso de conteúdo nas redes sociais, a médica também chama atenção para a importância de informações baseadas em orientação profissional. Isso vale tanto para questões práticas do dia a dia quanto para sintomas físicos e emocionais que surgem no pós-parto. Minimizar o sofrimento da mulher ou tratar tudo como “normal” pode atrasar a busca por ajuda e dificultar um acompanhamento adequado.

Por isso, a recomendação é que dúvidas, desconfortos e sinais que causem preocupação sejam levados ao profissional responsável pelo acompanhamento da paciente. O objetivo não é alarmar, mas reforçar que o pós-parto também demanda escuta qualificada e atenção individualizada.

O pós-parto também precisa estar no centro do cuidado

Ao trazer o puerpério para o centro da conversa, Wànessa Guedes reforça uma visão mais ampla da assistência obstétrica: a de que o cuidado com a mulher não termina no nascimento do bebê. Para ela, o parto é um marco importante, mas não encerra as necessidades físicas e emocionais da paciente. O pós-parto também exige presença, escuta qualificada, acompanhamento e responsabilidade profissional.

Na visão da médica, discutir maternidade de forma honesta passa por reconhecer que a mulher também precisa ser cuidada depois que o bebê nasce. Isso significa olhar para sua recuperação, sua saúde emocional, suas dificuldades práticas e a forma como ela está atravessando essa nova etapa. “Humanizar não é só pensar no nascimento. É entender que essa mulher continua precisando de cuidado depois que o bebê nasce. É olhar para ela com escuta, empatia e responsabilidade, porque o puerpério também faz parte dessa jornada”, afirma.

Esse olhar, segundo a obstetra, é fundamental para que a experiência da maternidade não seja marcada por solidão, silêncio ou sobrecarga invisível. “Muitas vezes, todo mundo olha para o bebê, mas essa mãe também acabou de nascer para uma nova realidade. E ela precisa ser acolhida, orientada e acompanhada com a mesma atenção”, conclui.

Sobre Wànessa Guedes

Natural de Goiânia e radicada em Fortaleza, Dra. Wànessa Guedes atua na área de ginecologia e obstetrícia, com foco em obstetrícia humanizada. Em sua prática profissional e em seus canais de comunicação, costuma abordar temas ligados ao pré-natal, parto, puerpério e assistência centrada na mulher. A médica defende uma abordagem mais acolhedora, informada e individualizada, com atenção à experiência da paciente em todas as etapas da gestação e do pós-parto.

CRM-CE: 20548RQE Nº: 9779

Instagram: @drawanessaguedes

Fotos: @ericamarques_fotografia

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