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Quando a dor pede investigação: Claudia Talaga fala sobre endometriose

Ginecologista detalha sintomas, diagnóstico e o papel da cirurgia minimamente invasiva em casos selecionados.

TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS

25/07/2026 • 15:39 • Atualizado em 25/07/2026 • 15:39

Quando a dor pede investigação: Claudia Talaga fala sobre endometriose

Quando a dor pede investigação: Claudia Talaga fala sobre endometriose

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A endometriose pode provocar cólicas incapacitantes, dor nas relações sexuais, alterações intestinais ou urinárias e dificuldade para engravidar. Embora os sintomas possam comprometer diferentes aspectos da vida, muitas mulheres ainda demoram a reconhecer que o sofrimento menstrual precisa ser investigado.

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A doença é crônica, inflamatória e dependente de estrogênio. Ela ocorre quando um tecido semelhante ao endométrio, que reveste a parte interna do útero, se desenvolve em outras regiões do organismo. As lesões podem causar inflamação, aderências e fibroses, modificando a anatomia da pelve e, em alguns casos, atingindo ovários, trompas, intestino, bexiga e ureteres.

Para a ginecologista Claudia Regina Ribeiro Talaga, especialista em cirurgia ginecológica minimamente invasiva, um dos principais sinais de alerta é o impacto da dor sobre a rotina.

“A mulher deve procurar avaliação quando a cólica a impede de estudar, trabalhar, viajar ou realizar atividades habituais. Precisar interromper compromissos ou recorrer frequentemente ao pronto-socorro não deve ser considerado uma consequência normal da menstruação.”

Sintomas da endometriose vão além da cólica

A manifestação da endometriose varia de acordo com cada paciente. Algumas mulheres apresentam dores pélvicas intensas, enquanto outras convivem com sintomas menos evidentes, como desconforto para evacuar ou urinar durante o período menstrual.

Também podem ocorrer sangramento menstrual intenso, dor profunda durante as relações sexuais, dificuldade para engravidar e dores irradiadas para outras regiões do corpo. A localização das lesões influencia os sintomas, mas a intensidade da dor nem sempre corresponde à extensão da doença.

Uma paciente pode apresentar poucas alterações visíveis nos exames e sentir dor incapacitante. Outra pode ter lesões mais extensas e relatar sintomas discretos. Por isso, o diagnóstico não deve se basear somente na intensidade do desconforto ou no tamanho de uma lesão.

“A endometriose precisa ser avaliada pelo conjunto de informações. É necessário considerar o relato da paciente, os órgãos envolvidos, as alterações anatômicas, o desejo reprodutivo e a maneira como os sintomas afetam sua qualidade de vida.”

A dor persistente também pode interferir no sono, no humor, na sexualidade, nos relacionamentos e na vida profissional. Com o passar do tempo, algumas mulheres deixam de viajar, praticar atividades físicas ou assumir compromissos por receio de uma nova crise.

Esse impacto ajuda a explicar por que o tratamento não deve se limitar à retirada de lesões. O cuidado pode exigir a participação de profissionais de diferentes áreas, conforme as necessidades clínicas e emocionais da paciente.

Como é feito o diagnóstico da endometriose

A investigação começa com uma consulta detalhada. O médico precisa compreender quando os sintomas surgem, se pioram durante a menstruação e como interferem no cotidiano.

Entre os exames utilizados estão o ultrassom transvaginal com preparo intestinal para mapeamento da endometriose e a ressonância magnética da pelve realizada com protocolo específico. O preparo intestinal pode facilitar a observação de lesões próximas ao intestino e de estruturas localizadas em regiões profundas da pelve.

Esses exames não devem ser confundidos com procedimentos de imagem solicitados para outras condições ginecológicas. O mapeamento precisa procurar, de forma direcionada, possíveis focos da doença e sua relação com os órgãos próximos.

“Um exame bem planejado permite compreender a distribuição das lesões antes de qualquer decisão terapêutica. Quando existe comprometimento de outros órgãos, esse mapeamento também ajuda a definir quais profissionais deverão participar do tratamento.”

A avaliação deve ser individualizada. O tipo de exame depende da idade, da história clínica, dos sintomas, da atividade sexual e das condições particulares de cada mulher.

Nem toda mulher com endometriose precisa de cirurgia

O diagnóstico de endometriose não representa uma indicação automática de operação. Casos menos extensos ou com sintomas controláveis podem ser acompanhados clinicamente.

O tratamento pode incluir medicamentos para o controle da dor e bloqueio hormonal, além de acompanhamento periódico para observar a evolução do quadro. A escolha da terapia depende dos sintomas, da idade, dos planos reprodutivos, das contraindicações e da resposta individual.

Hábitos relacionados ao sono, à alimentação e à prática de atividade física podem contribuir para a saúde geral e para o controle de processos inflamatórios. No entanto, essas medidas não substituem o acompanhamento médico nem devem ser apresentadas como cura.

Da mesma forma, suplementos, dietas restritivas e orientações encontradas nas redes sociais não devem ser adotados sem avaliação profissional.

“A endometriose não possui um tratamento único. Algumas pacientes respondem ao controle clínico, enquanto outras precisam de uma abordagem mais ampla. O acompanhamento permite ajustar a conduta de acordo com a evolução dos sintomas e as necessidades de cada mulher.”

Como se trata de uma doença crônica, o controle deve continuar mesmo quando os sintomas melhoram. Consultas regulares são importantes para avaliar possíveis mudanças no quadro.

Quando a cirurgia pode fazer parte do tratamento

A cirurgia pode ser considerada quando a dor permanece intensa apesar do tratamento clínico, quando a doença altera significativamente a anatomia da pelve ou quando existe comprometimento funcional de órgãos.

A indicação também pode ser discutida em situações relacionadas à fertilidade, desde que sejam considerados a idade da paciente, sua reserva ovariana e seus projetos de maternidade.

Lesões localizadas no intestino, na bexiga ou nos ureteres exigem atenção especial. Os ureteres são os canais que conduzem a urina dos rins até a bexiga. Quando uma fibrose comprime uma dessas estruturas, pode haver prejuízo ao funcionamento renal.

No intestino, lesões profundas podem atingir sua parede e, em quadros específicos, provocar estreitamento. A presença da doença em um órgão, entretanto, não define isoladamente qual procedimento deverá ser realizado.

“A cirurgia precisa ter um objetivo claro. Não se opera apenas porque uma imagem mostrou endometriose. A decisão deve equilibrar os sintomas, os riscos de progressão, a preservação dos órgãos e os possíveis benefícios para aquela paciente.”

Nos casos mais complexos, o ginecologista pode trabalhar com cirurgião do aparelho digestivo, urologista ou cirurgião torácico. A composição da equipe depende da localização e da profundidade das lesões identificadas durante o planejamento.

O que é a cirurgia minimamente invasiva

A cirurgia minimamente invasiva utiliza pequenas incisões para introduzir uma câmera e instrumentos cirúrgicos no abdômen. As principais técnicas empregadas na ginecologia são a videolaparoscopia e a cirurgia assistida por plataforma robótica.

Na videolaparoscopia, o cirurgião acompanha imagens ampliadas em um monitor e movimenta diretamente os instrumentos inseridos pelas incisões.

Na cirurgia robótica, os braços da plataforma são controlados pelo médico a partir de um console. O equipamento não toma decisões nem realiza movimentos de forma autônoma.

O termo “minimamente invasiva” se refere principalmente à forma de acesso ao organismo. Uma operação de endometriose profunda pode continuar sendo extensa e delicada, mesmo quando realizada por pequenos cortes.

“O tamanho da incisão não determina a complexidade da cirurgia. Em um quadro de endometriose profunda, pode ser necessário liberar aderências, identificar nervos e vasos e tratar lesões próximas de órgãos importantes. A via minimamente invasiva permite realizar esse trabalho sem uma grande abertura abdominal.”

Entre os possíveis benefícios dessa abordagem estão menor agressão à parede abdominal e uma visualização ampliada do campo cirúrgico. A recuperação, o tempo de internação e os riscos variam de acordo com a extensão da doença, o procedimento realizado e as condições clínicas da paciente.

Videolaparoscopia e cirurgia robótica

A cirurgia robótica é uma forma de videolaparoscopia assistida por tecnologia. A plataforma oferece visão tridimensional ampliada e instrumentos articulados, capazes de reproduzir movimentos semelhantes aos do punho humano.

Esses recursos podem auxiliar o trabalho em espaços profundos e estreitos da pelve, especialmente ao redor de estruturas delicadas. O sistema também filtra pequenos tremores naturais das mãos.

A tecnologia, entretanto, não substitui o conhecimento anatômico, o planejamento ou a experiência da equipe.

“A plataforma amplia a capacidade de visão e oferece movimentos mais articulados, mas a condução permanece integralmente sob responsabilidade do cirurgião. Segurança depende da indicação correta, do preparo da equipe e da capacidade de reconhecer os limites de cada procedimento.”

A videolaparoscopia convencional continua sendo uma alternativa para diferentes casos. A escolha entre ela e a cirurgia robótica deve considerar a complexidade da doença, os órgãos envolvidos, a experiência do cirurgião, a estrutura disponível e as características da paciente.

A robótica não deve ser apresentada como obrigatória nem como garantia de melhor resultado. Também não é adequado definir uma técnica como superior sem considerar o contexto clínico.

Planejamento reduz riscos e orienta a equipe

Antes da cirurgia, é necessário avaliar a extensão provável da endometriose e discutir com a paciente os objetivos, os limites e os riscos do procedimento.

O planejamento permite antecipar a possível participação de outros especialistas e preparar a estrutura hospitalar para diferentes cenários. Ainda assim, os exames podem não revelar toda a extensão das lesões.

Durante a operação, a equipe pode precisar adaptar a estratégia inicialmente prevista. Essas possibilidades devem ser explicadas previamente, com linguagem clara e sem minimizar a complexidade do tratamento.

Nos casos em que a doença se aproxima de nervos, vasos ou estruturas responsáveis pelo funcionamento da bexiga e do intestino, a remoção das lesões precisa ser equilibrada com a preservação funcional.

“O propósito não é retirar tecido a qualquer custo. A cirurgia deve buscar o melhor tratamento possível sem causar um dano maior. Em determinadas regiões, respeitar um limite técnico também é uma decisão de segurança.”

O acompanhamento continua no pós-operatório

A alta hospitalar não representa o fim do tratamento. Dependendo do caso, a paciente pode continuar o acompanhamento hormonal, realizar fisioterapia pélvica e receber suporte nutricional, psicológico ou de uma equipe especializada em dor.

Anos de dor podem provocar contração persistente da musculatura da pelve e alterações na coordenação da bexiga e do intestino. Mesmo após a retirada das lesões, essas disfunções podem precisar de reabilitação.

A persistência da dor também não significa, necessariamente, que a operação falhou. O sistema nervoso pode continuar reproduzindo estímulos dolorosos depois de um longo período de sofrimento.

“Retirar as lesões é uma etapa do tratamento. Algumas mulheres precisam recuperar a mobilidade e a coordenação da pelve, reorganizar a musculatura e tratar a memória da dor. O cuidado pós-operatório deve considerar tudo o que a doença modificou ao longo dos anos.”

Como a endometriose é crônica, novas lesões ou sintomas podem aparecer. O acompanhamento regular permite identificar mudanças e definir se há necessidade de tratamento hormonal, reabilitação ou nova investigação.

A principal recomendação é não normalizar uma dor que comprometa a autonomia. Reconhecer os sinais não significa realizar um autodiagnóstico, mas pode levar a mulher a buscar uma avaliação antes que o sofrimento se prolongue por anos.

Quem é Claudia Regina Ribeiro Talaga

Claudia Regina Ribeiro Talaga é ginecologista e obstetra, especialista pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, com mais de 25 anos de experiência na saúde da mulher. Formada pela Faculdade de Medicina do ABC, realizou residência médica na mesma instituição e possui certificações em videolaparoscopia, videohisteroscopia e cirurgia robótica pelo sistema Da Vinci, além de habilitação em cirurgia robótica em ginecologia pela Febrasgo.

Sua atuação reúne atendimento ginecológico clínico e tratamento cirúrgico, com ênfase em endometriose profunda, cirurgias pélvicas complexas e procedimentos ginecológicos minimamente invasivos. O acompanhamento considera não apenas as lesões identificadas nos exames, mas também os impactos da doença sobre a dor, a fertilidade, a sexualidade, a saúde emocional e a qualidade de vida.

Na área acadêmica, dedica-se à formação e à atualização de outros profissionais por meio de cursos, palestras, workshops e mentorias voltadas à tomada de decisão e ao aperfeiçoamento de técnicas cirúrgicas. Também é coautora de livros sobre a presença feminina na medicina e na ginecologia.

Em sua prática, defende uma assistência individualizada e interdisciplinar, com escuta atenta e participação da paciente nas decisões. A proposta é integrar conhecimento técnico, inovação e acolhimento, respeitando os limites, os projetos de vida e as necessidades de cada mulher.

CRM: 87736/SP | RQE Nº: 52106

Instagram: @claudiadoctorYouTube: https://x.gd/9RgT2

Foto: Sabrina Cordeiro

Foto: Sabrina Cordeiro

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