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Queda de cabelo: quando o problema exige investigação

Isabela Allegrini explica como diferenciar queda, quebra e afinamento dos fios e alerta para os riscos de tratamentos sem diagnóstico

TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS

27/07/2026 • 15:35 • Atualizado em 27/07/2026 • 15:37

Queda de cabelo: quando o problema exige investigação

Queda de cabelo: quando o problema exige investigação

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Perceber alguns fios no travesseiro, na escova ou durante o banho faz parte do ciclo natural do cabelo. O sinal de alerta surge quando a perda se torna mais intensa, persiste por semanas ou vem acompanhada de redução de volume, falhas no couro cabeludo e afinamento progressivo.

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A investigação deve considerar mais do que a quantidade de fios. Histórico de saúde, uso de medicamentos, infecções recentes, cirurgias, alterações emocionais e mudanças alimentares podem ajudar a identificar a origem do problema.

A médica Isabela Andréa Allegrini Zanellato, que atua com saúde capilar, cuidados da pele e medicina estética, recomenda atenção às mudanças percebidas no dia a dia.

“Quando os fios começam a aparecer em maior quantidade no chão, no box do banheiro e em diferentes ambientes, é importante observar. Falhas no couro cabeludo, redução do volume e afinamento também merecem investigação, principalmente quando surgem após uma cirurgia, uma infecção ou um período de estresse intenso.”

Queda transitória e afinamento progressivo

Uma das causas frequentes de queda difusa é o eflúvio telógeno. O quadro pode ocorrer após situações que interferem no organismo, como infecções, cirurgias, ansiedade ou estresse físico e emocional.

Como a alteração nem sempre aparece imediatamente após o fator desencadeante, o paciente pode ter dificuldade para relacionar os dois eventos. A evolução clínica, o exame físico e a avaliação do couro cabeludo ajudam a esclarecer essa relação.

Na alopecia androgenética, conhecida como calvície feminina, a evolução costuma ser diferente. O fio perde espessura gradualmente, o volume diminui e o couro cabeludo pode se tornar mais aparente.

“A percepção de que o rabo de cavalo diminuiu é um sinal relevante. Na alopecia androgenética, não ocorre apenas a queda: a haste capilar passa por um processo de afinamento, e o cabelo perde densidade de forma progressiva.”

A tricoscopia, exame que permite visualizar o couro cabeludo e os fios com ampliação, pode auxiliar na identificação dessas alterações. O diagnóstico, porém, não depende de um único achado e deve considerar o conjunto de informações clínicas.

Histórico familiar merece atenção

A alopecia androgenética apresenta influência genética. Ter familiares com rarefação capilar não significa que o problema necessariamente se desenvolverá, mas pode justificar maior atenção aos primeiros sinais.

Observar a região frontal, a linha central do couro cabeludo e a redução gradual do volume pode contribuir para que a avaliação seja realizada antes de uma perda mais avançada.

“Quando pai ou mãe apresentam cabelos mais ralos ou falhas na região frontal, vale acompanhar possíveis mudanças desde cedo. Identificar o processo no início permite discutir estratégias para tentar controlar sua progressão, sempre de forma individualizada.”

A médica também observa queixas de queda em pacientes que utilizam medicamentos associados ao emagrecimento. A relação, no entanto, não deve ser estabelecida de forma automática.

Perda de peso acelerada, mudanças na alimentação, ingestão insuficiente de nutrientes e condições clínicas anteriores também podem interferir no ciclo capilar. A medicação não deve ser interrompida sem orientação do profissional responsável.

Vitaminas não explicam todos os casos

A crença de que toda queda de cabelo decorre da falta de vitaminas pode levar ao uso indiscriminado de suplementos. Deficiências nutricionais podem contribuir para o problema, mas não representam a única causa possível.

A suplementação sem indicação pode atrasar o diagnóstico e desviar a atenção de fatores como predisposição genética, doenças recentes, alterações hormonais ou uso de medicamentos.

“Uma deficiência nutricional pode agravar uma condição capilar já existente, mas não deve ser considerada automaticamente a origem do quadro. Antes de suplementar, é necessário compreender quais fatores estão realmente envolvidos.”

Os exames laboratoriais devem ser solicitados de acordo com o histórico e os sinais apresentados. Não existe uma investigação única que seja adequada para todos os pacientes.

Lavar o cabelo todos os dias aumenta a queda?

A frequência da lavagem não provoca, por si só, o desprendimento de novos fios. Durante o banho, cabelos que já haviam encerrado seu ciclo podem se soltar de uma só vez, o que aumenta a percepção da queda.

Esse efeito pode ser mais evidente nos cabelos cacheados, nos quais os fios soltos permanecem presos entre os demais até o momento da lavagem ou do penteado.

“Nos cabelos cacheados, os fios que já estavam soltos podem permanecer entrelaçados e sair juntos durante o banho. A quantidade parece maior, mas isso não significa que a lavagem diária esteja causando a queda.”

A temperatura da água, por outro lado, merece atenção. Água excessivamente quente pode aumentar o ressecamento, favorecer irritações e agravar alterações do couro cabeludo em pessoas predispostas.

A escolha do xampu e de outros produtos deve considerar oleosidade, sensibilidade, descamação e presença de doenças dermatológicas.

Queda e quebra são problemas diferentes

A perda de volume nem sempre começa na raiz. Procedimentos químicos, especialmente a descoloração, podem fragilizar a fibra capilar e provocar rompimento ao longo do comprimento.

Na queda, o fio se desprende do couro cabeludo. Na quebra, a haste se rompe. Pontas ralas, fios de tamanhos diferentes, aspereza e fragilidade podem indicar dano à fibra.

“A descoloração age sobre a haste e pode deixar o cabelo mais frágil. Quando o fio se rompe, estamos diante de uma quebra, e não de uma queda originada no couro cabeludo. Diferenciar essas situações evita que o tratamento seja direcionado ao problema errado.”

Produtos cosméticos podem contribuir para a proteção da fibra, mas não substituem a avaliação quando há falhas, rarefação ou redução persistente da densidade.

Tratamento depende do diagnóstico

As causas de queda capilar são diversas e exigem condutas diferentes. Medicamentos tópicos, opções de uso oral e procedimentos realizados no couro cabeludo não apresentam a mesma indicação para todos os casos.

O minoxidil, frequentemente associado ao tratamento capilar, pode ser usado em formulações distintas. A escolha depende do diagnóstico, da intensidade do quadro, das condições de saúde e da resposta individual.

A versão oral pode provocar efeitos sistêmicos e exige prescrição e acompanhamento. A formulação tópica também pode causar reações e deve ser utilizada conforme orientação profissional.

“Em quadros avançados, nem sempre é possível recuperar integralmente o volume anterior. O tratamento precisa ser apresentado com clareza, porque a melhora costuma exigir tempo, constância e acompanhamento.”

Como o ciclo capilar é lento, os resultados podem demorar a aparecer. A interrupção precoce pode comprometer a avaliação da resposta, especialmente em condições progressivas.

Procedimentos exigem informação e transparência

Técnicas como microagulhamento e microinfusão podem ter indicação em determinados quadros, mas não devem ser apresentadas como soluções universais.

Antes de realizar qualquer procedimento, o paciente precisa conhecer as substâncias utilizadas, o objetivo da aplicação, as possíveis reações e os fundamentos da conduta.

“O paciente tem o direito de saber quais componentes serão aplicados no couro cabeludo, por que foram escolhidos e qual é o embasamento daquela indicação. Perguntar não representa desconfiança; faz parte de uma decisão segura e consciente.”

Promessas de recuperação rápida, resultados garantidos ou protocolos idênticos para todos devem ser observados com cautela. Mesmo procedimentos considerados pouco invasivos podem apresentar riscos e contraindicações.

O impacto da queda na autoestima

A perda de cabelo pode afetar identidade, feminilidade e confiança, sobretudo quando acontece de forma intensa ou repentina. O sofrimento não deve ser reduzido a uma preocupação meramente estética.

Compreender o diagnóstico, participar das decisões e conhecer os limites do tratamento pode diminuir a ansiedade durante o acompanhamento.

“Quando o paciente entende o quadro e participa das escolhas, ele se sente mais seguro. Se a queda provoca sofrimento emocional importante, também precisamos reconhecer a necessidade do apoio de profissionais da saúde mental.”

A procura por avaliação não deve estar associada a culpa ou constrangimento. O atendimento tem como objetivo acolher a queixa, investigar as possíveis causas e definir uma conduta compatível com a realidade clínica de cada pessoa.

Quando procurar avaliação médica

Afinamento progressivo, falhas, coceira intensa, descamação, dor no couro cabeludo e perda persistente de densidade são sinais que merecem atenção.

A avaliação também pode ser necessária quando a queda surge após doenças, cirurgias, períodos de estresse intenso, mudanças alimentares, emagrecimento acelerado ou início de medicamentos.

Em condições progressivas, o diagnóstico precoce pode ampliar as possibilidades de controle. Isso não representa promessa de recuperação completa, mas permite compreender o problema antes que a perda se torne mais avançada.

Quem é Isabela Allegrini

Natural de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, Isabela Andréa Allegrini Zanellato escolheu a medicina movida pela curiosidade sobre o funcionamento do corpo humano. Formou-se pela Faculdade de Medicina de Catanduva e, ao longo da trajetória acadêmica, aproximou-se da dermatologia por enxergar na pele uma expressão importante da saúde e das transformações do organismo.

Posteriormente, cursou pós-graduação em dermatologia clínica e cirúrgica na Ebra Med, em São Paulo, e direcionou sua atuação para os cuidados da pele, a saúde capilar e a medicina estética. Atualmente, atende em Campinas, com uma abordagem centrada na avaliação individual, na escuta e na participação do paciente nas decisões sobre o tratamento.

Em sua prática, procura conciliar conhecimento técnico, expectativas realistas e atenção aos impactos emocionais das queixas dermatológicas e capilares. Para Isabela, o cuidado não se limita ao procedimento: começa na compreensão da história de cada pessoa e na construção de uma conduta compatível com suas necessidades, limites e objetivos.

CRM: 252120/SP Instagram:@draisabelaallegrini

Site: https://www.isabelaallegrini.com/

Foto: Alexandre Augusto

Foto: Alexandre Augusto

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