
Reforma Tributária no Varejo: o que muda, quando muda e onde estão as oportunidades
Divulgação
Grandes empresas e empresários reunidos falando sobre inovação com o objetivo de promover transformações relevantes no varejo.
Que São José dos Campos é um grande pólo de inovação e tem sido reconhecido a cada ano como tal, isso já sabemos. Grandes movimentos, empresas e estruturas com foco em inovação tem surgido o tempo todo na cidade.

O varejo, com a sua importância e relevância no cenário econômico do país às vezes se vê encurralado com tantas mudanças e nem sempre é possível acompanhar. Ele é vivo e não pára, acaba o mês no dia 31, e dia 1 já começa um noco ciclo, uma nova meta e novos objetivos, sem tempo para pensar.
Para fugir um pouco dessa correria e tirar um tempo para inovar no varejo, grandes empresas tem se juntado em em dos programas de inovação mais promissores do Brasil e que tem gerado muitos frutos e principalmente negócios.
Resolver uma dor do varejo, não é fácil e com agendas extremamente apertadas só um programa de aceleração que promove startups através do programa Conecta Varejo da Acelera Ventures.
Nesse programa participam 3 dos maiores varejistas do brasil: Polipet, Grupo CVS e Grupo Oscar.
Três varejistas de segmentos distintos mas com um objetivo em comum:
-Inovar para acelerar os seus negócios.
No último encontro entre as empresas, foram apresentadas as etapas do programa conecta varejo além de um meeting especial com grandes especialistas em tributação, Fabrício Carneiro da De Biasi Auditoria e Bruno Marques do FIUS.
Falar sobre o assunto é primordial, afinal, a inovação pode e deve estar em tudo.
Por que falar disso agora em meio à Inovação?
A reforma tributária é um tema espinhoso para a maioria das empresas — e, ao mesmo tempo, inevitável.
O objetivo foi esclarecer pontos práticos para quem opera varejo: impactos imediatos e de transição, riscos operacionais, ajustes de preços e oportunidades que surgem no meio do caminho. O debate cruza visões jurídica e fiscal com camadas de negócio.
A promessa e o choque de realidade
Simplificação vs. carga tributária.
O desenho do novo sistema tende a reduzir complexidade (menos litígio e menos interpretação difusa), o que melhora a competitividade do Brasil no comparativo global.
Porém, por pressões fiscais estruturais, a carga pode permanecer alta (ou até subir em setores específicos). Resultado provável: processo melhor, conta ainda pesada, e isso exige preparo fino do varejo.
Linha do tempo: convivência de dois mundos
Haverá um período de transição em que sistemas antigos e novos convivem. Em termos práticos:
- 2026: “ano de teste” para novas obrigações acessórias (documentação e dados), sem foco no recolhimento definitivo no modelo novo.
- A partir de 2027: entrada gradual dos novos tributos de consumo federais (ex.: CBS), substituindo os atuais no âmbito federal.
- A partir de 2029: entrada gradual do IBS (Estados e Municípios), reduzindo o peso de ICMS/ISS ao longo da transição.
- Até 2033: consolidação do modelo novo.

Tradução operacional: você precisará rodar dois motores por alguns anos — processos, sistemas (ERP), pricing e compliance terão de “entender” regras antigas e novas ao mesmo tempo.
Os quatro impactos mais imediatos para o varejo
1) Precificação e comportamento do consumidor
- Preço “por fora” torna a tributação mais visível para o cliente.
- Mix, margem e posicionamento de produto ganham importância: parte do público pode migrar de linhas “premium” para alternativas mais acessíveis.
2) Cadeia de fornecedores e crédito
- Crédito pleno tende a se expandir para mais despesas (ex.: segurança patrimonial, limpeza, serviços de apoio), se o fornecedor recolher corretamente.
- Risco novo: sem recolhimento do fornecedor, você perde crédito. Contratos devem obrigar o recolhimento correto, com cláusulas de proteção e penalidades.
3) Tecnologia e dados
- Ajustes profundos em ERP e sistemas satélites (fiscal, loja, compras, cadastro).
- Adoção de layouts de obrigações acessórias do novo modelo e preparação para portais/ambientes unificados de apuração.
- Planeje cadastro item a item (NCM, regras, exceções, reduções e regimes) — no varejo, o volume é enorme.
4) Tributação no destino e redesenho logístico
- A regra de tributar no destino muda incentivos geográficos.
- Reveja centros de distribuição, e-commerce, filiais e contratos de transporte: a rota “ótima” de ontem pode não ser a de amanhã.
Contratos, compliance e “balas de prata”
Bala de prata #1 – Nota fiscal
Verifique já com o time de sistemas/fornecedor de ERP: “Conseguiremos emitir no novo modelo em janeiro?”. Sem isso, todo o resto fica comprometido.
Bala de prata #2 – Cláusulas de recolhimento e preço
Atualize contratos para:
- responsabilizar o fornecedor pelo recolhimento correto (condição para seu crédito),
- prever reajustes por efeito da transição,
- disciplinar prazo e comprovação do recolhimento (evita buracos no fluxo de créditos).
Bala de prata #3 – Time multidisciplinar
Crie um comitê interno com Fiscal/Tributário, Compras, Comercial/Marketing, Jurídico, TI e RH. Reforma tributária não é só fiscal; é reforma de negócios.
Serviços: custo, informalidade e um novo equilíbrio
- A ampliação de créditos tende a estimular a contratação formal de serviços-meio (terceirizados) — porque gera crédito para quem contrata.
- MEI e Simples: no curto prazo, seguem, mas a arbitragem pode diminuir à medida que créditos plenos e tributação no destino reorganizem incentivos.
- Locação e operações imobiliárias pedem cuidado extra (regras e limites específicos).
Importação, seletivo e indústria
- Com tributação no destino, importação pode ganhar competitividade em alguns cenários; fique atento a mecanismos compensatórios (ex.: seletivo, políticas industriais).
- Indústria, em muitos casos, melhora carga efetiva; a questão é se e como isso será repassado (ou capturado na margem) na negociação indústria → varejo.
- Guerra fiscal clássica tende a perder força; transição deve reduzir gradualmente benefícios de ICMS. Reavalie CDs, contratos e parcerias montados só por incentivo.
Oportunidades concretas (para agir já)
- Negociação inteligente com fornecedoresExija comprovantes de recolhimento (para preservar créditos).Refine condições comerciais pensando em fluxo de caixa: prazos de pagamento x prazos de crédito.
- Backoffice como alavanca de créditoMapeie serviços e despesas que passam a gerar crédito e redesenhe make or buy (terceirizar pode fazer mais sentido).
- Repricing e portfólioAjuste mix e arquitetura de preços com Marketing. Simule sensibilidade da demanda por faixa de preço
- Planta logística e expansãoTeste cenários de e-commerce e novos estados considerando destino, prazos e custos operacionais reais.Onde perderemos competitividade? Onde ganharemos?
- Governança e dadosCadastros “de guerra” (NCM, exceções, reduções).Dashboards de: % de notas com crédito válido, lead time do crédito, impacto de preço por categoria e margem por canal.

Perguntas que seu time deve responder (checklist)
- Já estamos prontos para emitir no novo padrão quando ele entrar?
- Nossos contratos preveem reajuste, recolhimento e comprovação de tributos?
- Quais despesas passam a gerar crédito (e qual o valor anual disso)?
- Como ficará o pricing por categoria no cenário de 30% de carga de consumo em cadeia?
- Quais fornecedores críticos ainda não estão prontos? Temos plano B?
- Nossa malha logística faz sentido com tributação no destino?
- Qual a exposição a mudanças de benefícios estaduais durante a transição?
- Quem é o dono do tema dentro da empresa e qual é o ritmo de acompanhamento (cadência executiva)?
Esses foram alguns pontos discutidos no meeting e que já nos trazem uma visão geral do que está por vir.
Inovar, nem sempre é criar algo novo e que ainda não existe, é também implementar culturas novas, novos processos que ainda não existem na sua empresa, então se quer começar com inovação no seu dia a dia, no seu ambiente de trabalho, o ponto de partida é começar a fazer diferente é começar à fazer o que é novo.
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