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Simone Bittencourt explica por que o tempo é decisivo na paralisia cerebral

Ortopedista pediátrica explica por que o acompanhamento precoce pode prevenir deformidades, reduzir complicações e preservar a qualidade de vida.

TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS

05/08/2026 • 14:46 • Atualizado em 05/08/2026 • 14:46

Simone Bittencourt explica por que o tempo é decisivo na paralisia cerebral

Simone Bittencourt explica por que o tempo é decisivo na paralisia cerebral

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Receber o diagnóstico de paralisia cerebral costuma ser um momento cercado de dúvidas e incertezas para muitas famílias. Além dos desafios relacionados ao desenvolvimento da criança, surgem questionamentos sobre mobilidade, autonomia e qualidade de vida. Nesse cenário, o acompanhamento ortopédico tem papel importante não apenas no tratamento de deformidades já instaladas, mas também na prevenção de alterações que podem surgir ao longo do crescimento.

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Segundo a ortopedista pediátrica Simone Bittencourt, cada criança apresenta características próprias e, por isso, a conduta deve ser individualizada. Para ela, tão importante quanto definir o tratamento é orientar a família de forma clara, respeitando o tempo de cada paciente e evitando conclusões precipitadas.

“Um diagnóstico neurológico costuma trazer medo, dúvidas e muitas incertezas. Por isso, cada conversa exige responsabilidade. Antes de qualquer conduta, existe uma família tentando compreender uma realidade completamente nova, e ela precisa ser acolhida com honestidade, sensibilidade e informação de qualidade.”

Acompanhamento contínuo ajuda a prevenir deformidades

A paralisia cerebral pode se manifestar de diferentes formas e com distintos graus de comprometimento motor. Em alguns casos, a alteração do tônus muscular favorece o desenvolvimento de encurtamentos e deformidades musculoesqueléticas ao longo do crescimento, o que reforça a importância do acompanhamento periódico.

Antes que essas alterações se tornem permanentes, recursos como fisioterapia, órteses e aplicação de toxina botulínica podem ser indicados, conforme avaliação clínica. Quando essas medidas deixam de ser suficientes ou quando já existem deformidades que comprometem a função da criança, a cirurgia pode integrar o plano terapêutico.

“A indicação cirúrgica não acontece porque existe um exame alterado, mas porque avaliamos como aquela deformidade interfere na funcionalidade e na qualidade de vida da criança. Cada decisão precisa considerar as necessidades e os objetivos individuais de cada paciente.”

Vigilância do quadril pode evitar complicações futuras

Entre as alterações ortopédicas que merecem atenção está a subluxação do quadril, condição que pode evoluir de forma silenciosa em crianças com maior comprometimento motor. Como nem sempre provoca sintomas nas fases iniciais, o acompanhamento periódico é considerado essencial para identificar alterações precocemente.

Quando diagnosticado antes da luxação completa, o quadro pode permitir tratamentos menos complexos. Já nos casos em que a alteração evolui sem acompanhamento, podem surgir limitações funcionais e dor.

“A subluxação do quadril costuma evoluir de forma silenciosa. Quando identificada precocemente, temos mais possibilidades de intervenção antes que a articulação sofra alterações mais importantes. O acompanhamento regular busca justamente preservar conforto, funcionalidade e qualidade de vida ao longo do crescimento.”

Para a especialista, ampliar o acesso à informação também faz parte do cuidado. Ela observa que muitas famílias chegam ao consultório após receber orientações divergentes, o que pode atrasar decisões importantes relacionadas ao tratamento.

Cirurgia multinível reduz intervenções e favorece a reabilitação

Entre os avanços da ortopedia pediátrica está a cirurgia multinível, abordagem que permite corrigir diferentes deformidades em um único procedimento, quando essa estratégia é indicada após avaliação individualizada.

Além do aspecto técnico, a proposta busca reduzir o número de internações e minimizar o impacto de sucessivas cirurgias durante a infância, favorecendo uma reabilitação mais organizada.

“Quando conseguimos corrigir todas as deformidades necessárias em um único procedimento, reduzimos o número de cirurgias ao longo da infância e favorecemos uma recuperação mais eficiente. Isso representa menos interrupções na rotina da criança e da família, além de permitir uma reabilitação mais consistente.”

Qualidade de vida vai além da capacidade de caminhar

Embora a marcha seja um dos objetivos em parte dos tratamentos, ela não é o único indicador de evolução. Segundo Simone, preservar a funcionalidade, proporcionar conforto e ampliar a participação da criança nas atividades do dia a dia também fazem parte dos resultados esperados.

Pequenos ganhos funcionais podem representar mudanças importantes para a autonomia da criança e para a rotina familiar, especialmente nos casos de maior comprometimento motor.

“Cada criança tem seu próprio potencial. Em muitos casos, um melhor posicionamento para se alimentar, sentar com conforto, participar das atividades escolares ou facilitar as transferências já representa um avanço significativo para toda a família. O tratamento precisa olhar para a funcionalidade, para o futuro e, principalmente, para a qualidade de vida.”

A especialista reforça que o diagnóstico não determina sozinho a trajetória da criança. Para ela, acompanhamento especializado, planejamento individualizado e orientação adequada podem contribuir para que cada paciente desenvolva suas potencialidades dentro das próprias características.

Quem é Simone Bittencourt

Simone Bittencourt construiu sua trajetória na ortopedia pediátrica movida pelo interesse em compreender os desafios que acompanham o desenvolvimento infantil, especialmente de crianças com condições neurológicas e deformidades musculoesqueléticas. Formada em Medicina em Volta Redonda (RJ), realizou residência em Ortopedia no Hospital Nossa Senhora do Pari, em São Paulo, e encontrou na especialização em ortopedia pediátrica, na AACD, o caminho que definiria sua atuação profissional. Durante 13 anos, integrou o corpo clínico da instituição, período em que aprofundou sua experiência no cuidado de crianças com paralisia cerebral, mielomeningocele, pé torto congênito e outras deformidades ortopédicas, realizando mais de 9 mil cirurgias.

Foi responsável por resgatar, na AACD, a cirurgia de Majestro-Frost, técnica que havia sido deixada de lado por anos e é utilizada no tratamento da rotação interna dos quadris. Ao lado do Dr. Carlos Santos e do Dr. Fernando Farcetta, participou da realização de diversos procedimentos e da avaliação dos resultados por meio da análise tridimensional da marcha, comprovando os benefícios da técnica. Anos após sua saída da instituição, os resultados desse trabalho foram publicados por outro colega.

Atualmente, vive e atua em Florianópolis (SC), onde integra o Instituto de Reabilitação Integrada (IRIN). Seu trabalho é desenvolvido em parceria com a fisiatra Dra. Cristiane Carqueja e com equipes terapêuticas, com foco em um atendimento individualizado que une avaliação técnica, planejamento terapêutico e acolhimento às famílias. É referência no tratamento de crianças com paralisia cerebral no Sul do Brasil.

CRM 28566 | RQE 19846

Instagram: @simoneortopedista

Site: www.drasimonebittencourt.com.br

Foto: André Sielski

Foto: André Sielski

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