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Startup de SJCampos lança 1º foguete nacional movido a propulsão líquida

BIZU Space faz história com o lançamento do FTL-Perseu na missão "Trem Baum" em Minas Gerais

REDAÇÃO BAND VALE
REDAÇÃO BAND VALE

13/07/2026 • 18:05 • Atualizado em 13/07/2026 • 18:05

No dia 29 de maio, o Brasil alcançou um marco histórico na engenharia aeroespacial com o lançamento do FTL-Perseu, o primeiro foguete brasileiro impulsionado exclusivamente por um sistema de propulsão líquida desde a decolagem. Desenvolvido pela startup BIZU Space, sediada em São José dos Campos, o veículo decolou da cidade de Virgínia (MG) como parte da missão "Trem Baum". O sucesso do voo representa um avanço estratégico para a autonomia tecnológica do país, eliminando a dependência de motores-foguete sólidos auxiliares para o impulso inicial.

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A Engenheira Química da BIZU Space, Mariana Marciano, explica que este tipo de tecnologia (propulsão líquida) “permite o controle dos foguetes com muita precisão; e é com esta tecnologia que a SpaceX consegue pousar seus foguetes”.

FTL-Perseu em exposição na sede da BIZU Space. Divulgação BIZU Space.

FTL-Perseu em exposição na sede da BIZU Space. Divulgação BIZU Space.

Inovação tecnológica

A BIZU Space foi fundada por engenheiros formados no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e opera no Parque Tecnológico da Univap, onde instalou o maior campo de testes privado de motores líquidos do Brasil. O projeto do FTL-Perseu começou a ganhar forma no início do segundo semestre de 2024, servindo como plataforma de ensaio para o motor ARION. Em apenas um ano, a equipe realizou 61 testes de motores líquidos, demonstrando uma alta capacidade de operacionalização antes do voo inaugural.

Sustentabilidade e potência

Diferente dos modelos tradicionais, o FTL-Perseu utiliza uma combinação de peróxido de hidrogênio concentrado (HTP) e querosene de aviação (Jet-A). Essa tecnologia traz vantagens operacionais e ambientais significativas:

  • Armazenamento: O propelente pode ser mantido em temperatura ambiente, dispensando sistemas criogênicos complexos.
  • Eco-friendly: A decomposição do HTP gera majoritariamente água e oxigênio, sendo menos agressiva ao meio ambiente.
  • Precisão: Motores líquidos permitem maior controle e são essenciais para manobras espaciais e inserção de satélites em órbita.

O foguete possui 4,5 metros de comprimento, massa de 70 kg e foi projetado para atingir altitudes de até 10.000 metros em sua configuração nominal.

Este foguete é feito para atingir uma altitude máxima de 10 a 12 mil metros. O alcance dele depende muito do vento local, pois o sistema de paraquedas pode ser carregado. O alcance pode passar dos 10 quilômetros, conta a engenheira.

FTL-Perseu é recuperado após lançamento teste. Divulgação BIZU Space.

FTL-Perseu é recuperado após lançamento teste. Divulgação BIZU Space.

Missão "Trem Baum"

O nome da missão foi uma homenagem à cultura de Minas Gerais, estado que recebeu o lançamento histórico. O feito ocorre exatamente um século após o físico Robert H. Goddard lançar o primeiro foguete a propelente líquido da história, em 1926.

Para a BIZU Space, que conta com parceiros como a CENIC, Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Olimpíada Brasileira de Astronomia (OBA), este é apenas o começo. O domínio dessa tecnologia abre caminho para o desenvolvimento de veículos lançadores mais sofisticados, como o Microlançador Brasileiro (MLBR), fortalecendo a indústria nacional e a formação de profissionais especializados no setor aeroespacial.

O futuro deste projeto são foguetes cada vez maiores, empregando a tecnologia da propulsão líquida, e com cada vez mais sistemas de controle. O grande marco para a engenharia é que provamos ao mundo que o Brasil também consegue fazer foguetes que decolam com propulsão líquida, uma tecnologia de ponta para sistemas espaciais, celebra Mariana Marciano, Engenheira Química da BIZU Space.

Após o sucesso, o Perseu foi recuperado por um sistema de paraquedas e agora encontra-se em exposição na sede da empresa no Vale do Paraíba.

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