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Odontologia Complexa: Modelo criado por brasileiro antecipou mudanças

Dr. Flávio Rigaud, desenvolveu um modelo a partir da criação de um ecossistema, que integra fluxo, planejamento, cirurgia, prótese e laboratório com ganhos em previsibilidade, controle de qualidade e eficiência em casos complexos

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08/04/2026 • 21:16 • Atualizado em 08/04/2026 • 21:16

Dr. Flávio Rigaud

Dr. Flávio Rigaud

Arquivo pessoal

Dr. Flávio Rigaud, desenvolveu um modelo a partir da criação de um ecossistema, que integra fluxo, planejamento, cirurgia, prótese e laboratório com ganhos em previsibilidade, controle de qualidade e eficiência em casos complexos

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A digitalização ampliou o repertório técnico da odontologia, mas não resolveu sozinha um dos principais desafios das reabilitações orais complexas: manter coerência entre diagnóstico, planejamento, cirurgia, prótese, laboratório e entrega final.

Nos últimos anos, a discussão internacional passou a dar mais peso justamente a esse ponto. Em vez de tratar inovação apenas como aquisição de equipamento, o setor passou a olhar com mais atenção para integração, qualidade, segurança, colaboração interdisciplinar e organização do cuidado em sistemas mais coordenados. Entidades como a FDI World International Federation têm reforçado a necessidade de modelos mais integrados, seguros, colaborativos e orientados para a qualidade.

Foi antes dessa discussão ganhar força, que o cirurgião-dentista brasileiro Flávio Rigaud começou a estruturar, na prática, uma resposta para esse gargalo.

Especialista em reabilitação oral e implantodontia, com 17 anos de atuação clínica e mais de 20 mil implantes realizados ao longo da carreira, Dr. Flávio Rigaud desenvolveu há mais de cinco anos um ecossistema clínico-laboratorial integrado, com fluxo digital contínuo e internalização das etapas críticas do tratamento. O modelo conecta planejamento cirúrgico, cirurgia, desenho protético, produção laboratorial, controle de qualidade e entrega final em um mesmo sistema operacional.

O diferencial do trabalho não esteve apenas na adoção precoce de tecnologia. Esteve no fato de ter sido estruturado em um período em que a odontologia digital ainda era pouco compreendida por grande parte do mercado, com baixa oferta de treinamento, suporte técnico limitado e pouca maturidade operacional para integrar essas ferramentas em casos complexos.

Dr. Flávio Rigaud

Dr. Flávio Rigaud

Naquele contexto, scanners, softwares, impressoras 3D, fresadoras, robôs e sistemas computadorizados de planejamento ainda eram, para muitos profissionais, recursos isolados ou de difícil implementação. Em vez de incorporá-los como etapas soltas, Flávio Rigaud organizou esses elementos em uma cadeia única de decisão e execução terapêutica, orientada por método, precisão e controle.

A proposta nasceu da observação de um problema recorrente em reabilitações extensas: quando clínica, cirurgia, prótese e laboratório operam de forma dissociada, aumentam as chances de atraso, retrabalho, perda de controle técnico e variabilidade no resultado funcional e estético.

Em boa parte do setor, o laboratório costuma funcionar como estrutura paralela ou terceirizada. No modelo criado por ele, a lógica foi outra: o laboratório passou a integrar o raciocínio clínico desde o início do caso. Em vez de depender de uma cadeia fragmentada, o fluxo concentrou internamente as decisões e execuções que mais interferem no desfecho clínico.

Esse ponto ajuda a explicar por que o modelo se destaca. Não se tratou apenas de modernizar uma operação existente, mas de reorganizar a reabilitação oral complexa como sistema. Em uma área marcada por alta variabilidade entre o que se planeja e o que se entrega, a construção de um ecossistema clínico-laboratorial comandado a partir da própria lógica terapêutica ainda permanece incomum.

Segundo dados da operação, o modelo já foi replicado cinco vezes e passou por mais de 6 mil casos nas unidades próprias desde sua implementação. Na prática, a integração permitiu reduzir prazo de finalização, ampliar o controle sobre materiais e etapas, diminuir retrabalho, padronizar a qualidade da entrega e aumentar a previsibilidade clínica e protética.

De acordo com indicadores internos acompanhados pela operação, a precisão do fluxo elevou o índice de adaptação e acerto em mais de 90%, aumentou a satisfação funcional e estética dos pacientes e levou o retrabalho a níveis residuais. O modelo também ampliou o uso consistente de materiais de alto desempenho, como e.max, zircônia e soluções metal free, com impacto em naturalidade estética, conforto, adaptação e longevidade clínica.

Segundo o especialista, essa precisão também abriu espaço para abordagens mais conservadoras em situações selecionadas, inclusive com redução da necessidade de enxerto ósseo em determinados pacientes limítrofes e viabilização de reabilitações totais com aumento de dimensão vertical de oclusão em pacientes portadores de bruxismo severo.

Parte do que diferencia o modelo está na combinação entre autoria clínica, escala e replicação. Em vez de uma solução pontual dependente da mão de um único profissional, o modelo foi estruturado para manter padrão de entrega mesmo em expansão e com a participação de outros especialistas, um desafio central em áreas de alta exigência técnica e biológica. Em um setor em que a qualidade muitas vezes depende da execução individual de cada etapa.

A lógica construída no fluxo principal também avançou para outras frentes, incluindo estruturas de imagenologia odontológica, produção in-house de alinhadores ortodônticos e desenvolvimento de soluções com inteligência artificial aplicadas ao fluxo digital.

Dr Flávio Rigaud.

Dr Flávio Rigaud.

Mais do que representar uma operação tecnologicamente avançada, o trabalho antecipa uma mudança de enfoque que agora começa a ganhar força no setor: a de que, em reabilitação oral complexa, resultado de alto nível depende menos de etapas isoladas e mais da capacidade de coordená-las com método, precisão e controle.

“Durante muito tempo, a odontologia digital foi interpretada como compra de equipamento. Mas, em casos complexos, equipamento sem integração não resolve o problema central. O que muda o desfecho é transformar tecnologia em sistema clínico”, afirma Flávio Rigaud.

Se a odontologia digital já se consolidou como realidade, o debate agora parece avançar para outro ponto: quais profissionais conseguirão transformar ferramentas em método e método em resultado clínico consistente, escalável e mensurável.