
Testosterona em homens: Guilherme Cunha mostra cuidados antes da reposição
TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS
Cansaço persistente, redução da libido, falta de disposição e dificuldade para ganhar massa muscular costumam despertar dúvidas sobre a testosterona. Essas queixas, no entanto, não confirmam sozinhas uma deficiência hormonal e não devem levar diretamente ao início de uma reposição.
Sono insuficiente, estresse, jornadas noturnas, obesidade, consumo de álcool e outras condições clínicas podem produzir sintomas semelhantes. A investigação precisa considerar o estado geral de saúde, a rotina e o histórico do homem antes da interpretação dos exames.
“Fadiga, cansaço e baixa libido podem surgir mesmo quando a produção hormonal está preservada. Um homem que trabalha à noite, dorme pouco ou atravessa um período de sobrecarga pode apresentar essas queixas sem ter deficiência de testosterona. O primeiro cuidado é não transformar um sintoma comum em um diagnóstico automático”, afirma o endocrinologista Guilherme Augusto Borges Cunha.
A testosterona tem funções importantes no organismo masculino e pode ser utilizada quando há indicação clínica. O risco aparece quando o hormônio é tratado como uma resposta genérica para melhorar disposição, desempenho sexual, aparência ou rendimento físico.
Diagnóstico de baixa testosterona exige mais do que um resultado
A avaliação começa pela escuta das queixas, mas também depende de exames realizados em condições adequadas. Um valor abaixo do esperado precisa ser confirmado e relacionado ao quadro clínico antes que se estabeleça um diagnóstico.
Privação de sono, consumo recente de bebida alcoólica e alimentação antes da coleta podem interferir nos resultados. Por isso, a análise não deve se limitar ao número apresentado no laudo.
“O exame é uma parte do raciocínio, não a conclusão. É preciso saber em que condições a coleta foi feita, repetir a dosagem quando necessário e investigar a origem da alteração. Só depois disso é possível decidir se existe uma deficiência hormonal verdadeira e qual conduta faz sentido para aquele paciente”, explica Guilherme Cunha.
Quando a alteração é confirmada, o médico procura entender se há uma dificuldade na produção da testosterona ou no sistema responsável por estimular esse processo. Essa distinção orienta os exames seguintes e evita tratamentos iniciados sem uma causa definida.
Obesidade pode alterar a leitura dos exames
Em homens com obesidade, a interpretação requer atenção adicional. O excesso de adiposidade pode reduzir os níveis de SHBG, proteína que participa do transporte dos hormônios sexuais no sangue.
Essa mudança pode fazer com que a testosterona total apareça reduzida sem representar, necessariamente, uma deficiência real. Conforme o quadro, a investigação pode incluir testosterona total, SHBG, albumina e o cálculo da testosterona livre.
“Quando o peso interfere nas proteínas que transportam o hormônio, olhar apenas a testosterona total pode levar a uma conclusão precipitada. O cuidado está justamente em compreender o que aquele resultado significa dentro do organismo daquele homem, e não apenas classificá-lo como normal ou alterado”, afirma o endocrinologista.
Esse tipo de avaliação também evita que uma queixa complexa seja reduzida à tentativa de elevar um marcador laboratorial. O objetivo é identificar a causa dos sintomas e verificar se há necessidade de tratamento.
Reposição hormonal não deve ser confundida com performance
A reposição busca corrigir uma deficiência comprovada. O uso de testosterona por homens com produção hormonal adequada, especialmente em doses elevadas ou com finalidade estética, submete o organismo a uma exposição diferente daquela necessária em um tratamento médico.
Guilherme Cunha chama atenção para o discurso de “otimização hormonal”, no qual resultados dentro da faixa de referência são considerados insuficientes. Nesse contexto, o tratamento deixa de responder a uma necessidade clínica e passa a perseguir valores mais altos no exame.
“A testosterona não deve ser demonizada, mas também não pode ser colocada em um pedestal. O equilíbrio está em reconhecer quando ela é necessária, em que dose deve ser utilizada e quais condições podem tornar o tratamento inadequado. Em medicina, não se busca o maior número possível, mas o melhor cuidado possível”, diz.
Mesmo quando existe uma alteração hormonal, a decisão não depende apenas da indicação. Condições clínicas prévias podem exigir cautela ou impedir o uso, e essa avaliação precisa ser compartilhada com o paciente.
Uso inadequado pode afetar coração, colesterol e circulação
Os possíveis efeitos do uso impróprio de testosterona e de outros esteroides anabolizantes variam de acordo com a substância, a dose, o tempo de exposição e as características de cada pessoa.
Entre as alterações citadas pelo endocrinologista estão mudanças na contração e no relaxamento do músculo cardíaco, piora do perfil de colesterol e aumento da viscosidade do sangue. Homens com problemas prostáticos prévios também podem apresentar agravamento de sintomas urinários.
“Sentir-se bem durante o uso não significa que o organismo esteja protegido. Algumas alterações podem se desenvolver sem sinais evidentes, e o risco não depende apenas da dose isolada. Ele resulta da combinação entre o que foi utilizado, por quanto tempo e em qual condição de saúde aquele homem se encontrava”, alerta Guilherme Cunha.
Casos graves associados ao fisiculturismo também exigem cautela na interpretação. Em geral, podem envolver doses suprafisiológicas, combinações de substâncias e fatores clínicos que não permitem atribuir o desfecho a um único hormônio sem investigação adequada.
Testosterona externa pode comprometer a fertilidade
Um dos aspectos mais relevantes para a saúde masculina é o impacto da testosterona externa sobre a produção natural do organismo. Ao receber o hormônio de fora, o corpo pode reduzir os estímulos enviados aos testículos.
Essa supressão pode diminuir tanto a produção interna de testosterona quanto a formação de espermatozoides. Por isso, planos de paternidade precisam fazer parte da conversa antes do início de qualquer terapia hormonal.
“O homem pode procurar tratamento pensando apenas em disposição ou desempenho e ainda não ter refletido sobre fertilidade. Quando a testosterona externa reduz o estímulo natural dos testículos, ela também pode interferir na produção de espermatozoides. Conhecer os projetos de vida do paciente é parte da decisão médica”, esclarece o especialista.
A recuperação após a suspensão não deve ser considerada automática. Dose, duração do uso, associação com outras substâncias e resposta individual podem influenciar a evolução.
Saúde prostática também entra na avaliação
Homens com alterações da próstata ou do hábito urinário precisam informar esses sintomas antes de uma possível reposição. Dificuldade para urinar, redução do fluxo e aumento da frequência urinária não determinam, isoladamente, uma contraindicação, mas exigem investigação.
A análise também deve considerar risco cardiovascular, composição corporal, sono, metabolismo e medicamentos em uso. A testosterona não pode ser avaliada de forma separada do restante da saúde masculina.
Essa visão mais ampla permite que o tratamento seja adaptado à realidade do paciente, inclusive quando a melhor decisão não é iniciar o hormônio, mas corrigir fatores que estão contribuindo para os sintomas.
Redes sociais podem transformar dúvidas em diagnósticos prontos
A maior circulação de informações sobre testosterona fez com que mais homens passassem a observar a própria saúde hormonal. Ao mesmo tempo, conteúdos simplificados criaram a impressão de que fadiga, baixa libido ou dificuldade de ganhar músculos teriam sempre a mesma causa.
Alguns pacientes procuram atendimento já convencidos de que precisam de reposição. Nesses casos, o trabalho médico inclui reorganizar as informações e mostrar que o diagnóstico deve vir antes da prescrição.
“A boa orientação não desconsidera o que o paciente sente, mas amplia a investigação. É preciso compreender a rotina, o sono, o peso, a saúde metabólica, os relacionamentos e as expectativas envolvidas. Muitas vezes, o homem procura uma resposta rápida para uma situação construída por vários fatores”, afirma Guilherme Cunha.
Essa abordagem também acolhe questões que nem sempre são verbalizadas com facilidade, como medo do envelhecimento, insegurança com o desempenho sexual, preocupação com a aparência e dificuldade para falar sobre fertilidade.
Tratamento deve considerar a realidade de cada homem
A reposição pode ser importante para homens com deficiência comprovada, desde que haja indicação e acompanhamento. Ela não deve, porém, ser usada como atalho para compensar privação de sono, excesso de estresse, sedentarismo ou uma rotina incompatível com a recuperação do organismo.
Para Guilherme Cunha, a conduta precisa ser tecnicamente adequada e, ao mesmo tempo, possível de ser incorporada à vida do paciente. Isso inclui compreender objetivos, limites, planos familiares e condições de manter o tratamento.
“O homem precisa saber em que condição de saúde se encontra, aonde deseja chegar e quais caminhos são seguros para isso. Um tratamento só faz sentido quando respeita o diagnóstico, a realidade e os projetos daquele paciente. Na saúde, o percurso não pode ser menos importante do que o resultado”, conclui o endocrinologista.
Quem é Guilherme Cunha
Natural do interior de Goiás, Guilherme Augusto Borges Cunha encontrou na medicina uma forma de transformar o interesse pelo cuidado em profissão. Graduado em 2015, seguiu a formação em Clínica Médica antes de se especializar em Endocrinologia e Metabologia, percurso que ampliou sua visão sobre doenças crônicas e sobre a relação entre saúde hormonal, metabolismo e qualidade de vida.
Atualmente, atua em Brasília, inclusive no Hospital Sírio-Libanês, acompanhando pacientes com obesidade, diabetes, alterações hormonais e questões relacionadas à composição corporal. Em sua prática, procura unir atualização científica, investigação criteriosa e uma escuta atenta à rotina, às expectativas e aos projetos de vida de cada paciente.
CRM-DF 28396 / RQE 21752
Instagram: @drguilhermeabcunha

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