Thiago Sato: o que muda no tratamento da próstata com a enucleação
Urologista explica indicação, sexualidade, continência e recuperação em um procedimento usado para tratar a obstrução urinária.

A cirurgia para tratar a próstata aumentada passou por mudanças importantes com o avanço dos procedimentos endoscópicos. Entre as técnicas utilizadas atualmente está a enucleação prostática, realizada pelo canal urinário e indicada, em situações específicas, para remover o tecido que provoca obstrução à passagem da urina.
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A hiperplasia prostática benigna é caracterizada pelo crescimento não canceroso da próstata. Conforme o órgão aumenta, pode comprimir a uretra e dificultar o esvaziamento da bexiga. A intensidade dessa alteração, porém, não depende apenas do tamanho da próstata.
Segundo o urologista Thiago Sato, que concentra sua atuação na endourologia, a avaliação precisa considerar o conjunto de sintomas, a condição da bexiga, a resposta a tratamentos anteriores e o impacto do problema na rotina.
“Dois pacientes podem apresentar próstatas de volume semelhante e ter experiências completamente diferentes. Um pode conviver com poucos sintomas, enquanto outro apresenta dificuldade importante para urinar. Por isso, a decisão sobre o tratamento não pode ser baseada apenas no tamanho da próstata.”
Sato relata ter realizado mais de 2.400 procedimentos de enucleação prostática e também atua no treinamento de urologistas na técnica.
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Quando o aumento da próstata pode exigir tratamento
A hiperplasia prostática benigna não deve ser confundida com câncer de próstata. São condições diferentes, embora possam coexistir e exigir acompanhamento específico.
O aumento benigno pode provocar redução da força do jato urinário, necessidade de urinar durante a noite, dificuldade para iniciar ou concluir a micção, gotejamento e sensação de que a bexiga não foi completamente esvaziada.
Nem todo paciente que apresenta essas alterações precisa ser submetido a cirurgia. Em determinados casos, a condução pode envolver acompanhamento, mudanças de hábitos ou medicação.
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A possibilidade de tratamento cirúrgico passa a ser discutida quando os sintomas têm impacto relevante, quando o tratamento clínico não oferece o resultado esperado ou quando surgem complicações, como retenção urinária, infecções recorrentes ou cálculos na bexiga.
“O objetivo é entender até que ponto aquela obstrução está interferindo na saúde do paciente. Não se trata apenas de perguntar quantas vezes ele vai ao banheiro, mas de avaliar como a bexiga está funcionando e se já existem consequências do problema.”
Quando a obstrução persiste por períodos prolongados, a bexiga pode ser submetida a um esforço maior para eliminar a urina. Essa alteração ajuda a explicar por que alguns sintomas não desaparecem imediatamente mesmo após o tratamento da próstata.
O que acontece durante a enucleação
A enucleação prostática é realizada por via endoscópica, pelo canal urinário, sem necessidade de uma incisão externa para acessar a próstata.
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Durante o procedimento, o cirurgião identifica o plano que separa o tecido responsável pela obstrução da parte da próstata que permanece.
Para explicar o processo de maneira acessível, Sato utiliza uma analogia com uma fruta.
“Costumo comparar a próstata a uma laranja. Na enucleação, encontramos o plano que permite separar a porção interna que está comprimindo o canal urinário da estrutura que permanece. Essa imagem facilita a compreensão porque o paciente consegue visualizar melhor o que será retirado e o que continuará no organismo.”
Depois de separado, o tecido é retirado por via endoscópica.
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Uma das características da técnica é a possibilidade de tratar próstatas de diferentes volumes. Segundo Sato, isso ampliou as opções para pacientes que, em outros contextos, poderiam necessitar de abordagens cirúrgicas diferentes.
A indicação, entretanto, continua dependendo de avaliação individual.
“A tecnologia oferece novas possibilidades, mas não transforma uma técnica em solução universal. A escolha precisa levar em consideração idade, condições clínicas, medicamentos em uso, função da bexiga, expectativas e aquilo que realmente representa benefício para aquele paciente.”
HoLEP e ThuLEP: por que existem tantas siglas?
Dentro da enucleação prostática existem diferentes modalidades. Entre elas estão HoLEP e ThuLEP, nomes relacionados principalmente ao tipo de laser utilizado para fornecer energia durante a cirurgia.
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As diferenças entre as plataformas envolvem aspectos técnicos que fazem parte da escolha do cirurgião e da equipe. Para quem recebe a indicação do procedimento, mais importante do que memorizar as siglas é compreender a finalidade da técnica e os possíveis efeitos do tratamento.
“Para o paciente, essas denominações podem parecer uma sequência difícil de entender. A fonte de energia muda, assim como alguns detalhes técnicos, mas a conversa principal deve ser sobre indicação, riscos, recuperação e expectativas. A tecnologia precisa ser explicada, e não apenas apresentada pelo nome.”
Essa necessidade de compreensão também ganha importância porque a enucleação não trata câncer de próstata. O procedimento é voltado à obstrução causada pela hiperplasia benigna, e o acompanhamento prostático continua seguindo as orientações médicas adequadas para cada paciente.
Sexualidade e continência precisam ser discutidas antes
Entre as principais dúvidas dos homens que recebem indicação de cirurgia para hiperplasia estão os possíveis efeitos sobre sexualidade e controle urinário.
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Sato destaca que libido, ereção, orgasmo e ejaculação são funções diferentes. Na enucleação prostática, uma das alterações que podem ocorrer é a chamada ejaculação retrógrada ou ejaculação seca.
Nesse quadro, o sêmen segue em direção à bexiga durante o orgasmo, em vez de ser exteriorizado pela uretra.
A possibilidade deve ser discutida antes da cirurgia, sobretudo no caso de pacientes que ainda desejam ter filhos.
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“Não considero adequado explicar uma cirurgia apenas pelo que acontece no centro cirúrgico. O paciente quer saber como ficará sua vida depois. Quando falamos de próstata, isso inclui sexualidade, fertilidade, continência e qualidade do sono. Essas dúvidas precisam ser tratadas com naturalidade e antes da decisão.”
Em alguns pacientes, também pode ocorrer escape urinário temporário durante a recuperação. A evolução depende de fatores individuais e das condições prévias da bexiga e do trato urinário.
Recuperação não acontece da mesma forma para todos
Após a retirada da obstrução, a melhora dos sintomas pode ocorrer em ritmos diferentes.
A força do jato urinário e a capacidade de esvaziar a bexiga podem apresentar evolução mais rápida. Já a urgência para urinar e o hábito de despertar várias vezes durante a noite podem levar mais tempo para diminuir, principalmente quando a bexiga passou anos submetida à obstrução.
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Esse é um dos motivos pelos quais Sato considera o alinhamento de expectativas uma etapa relevante antes do procedimento.
“Às vezes, o paciente imagina que todos os sintomas desaparecerão imediatamente. O fluxo pode melhorar cedo, enquanto a bexiga ainda precisa de um período de adaptação. Quando isso é explicado com antecedência, a pessoa consegue compreender melhor cada fase da recuperação.”
O acompanhamento pode incluir outras medidas quando necessárias, sempre de acordo com a avaliação clínica.
Mesmo sem corte externo, existe cicatrização
A enucleação é realizada pelo canal urinário, mas o fato de não haver uma incisão externa não elimina a necessidade de cuidados pós-operatórios.
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A região interna permanece em processo de cicatrização. Por isso, a retomada da rotina deve ser gradual e seguir as recomendações da equipe responsável.
Sato cita hidratação adequada, repouso relativo e restrição temporária de atividades físicas intensas e relações sexuais entre os cuidados que podem ser orientados.
“Sentir-se bem pouco tempo depois da cirurgia não significa que o organismo já concluiu a recuperação. Existe uma cicatrização interna que precisa ser respeitada. O paciente deve entender que o retorno às atividades faz parte de um processo, e não de uma data igual para todos.”
Sangramento significativo, dificuldade para urinar ou qualquer alteração que fuja do esperado no período de recuperação devem ser comunicados ao profissional responsável.
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Tecnologia não substitui conversa com o paciente
A presença crescente de lasers, equipamentos endoscópicos e outras tecnologias transformou diferentes áreas da urologia. Para Sato, porém, o avanço técnico aumenta também a responsabilidade de explicar de maneira clara o que cada recurso pode ou não oferecer.
Essa comunicação se torna especialmente relevante em uma área cercada por tabus. Muitos homens ainda têm dificuldade para falar sobre urina, próstata, ereção ou alterações na vida sexual e podem chegar ao consultório sem revelar de imediato a principal preocupação.
“O paciente precisa encontrar espaço para falar, inclusive sobre aquilo que o constrange. Muitas vezes, a dúvida mais importante aparece somente no final da consulta, quando ele se sente mais seguro. A tecnologia ajuda no tratamento, mas não substitui essa relação de confiança.”
Para o urologista, procurar assistência antes que os sintomas se tornem limitantes também faz parte da prevenção.
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“Não é necessário esperar perder qualidade de vida para procurar ajuda. Quanto mais cedo conseguimos compreender o que está acontecendo, mais possibilidades existem para orientar, acompanhar e definir a melhor conduta para cada caso.”
Quem é Thiago Sato
Thiago Tsuneo Kominek Sato nasceu em Curitiba e teve contato com a medicina desde cedo. Filho de um urologista e de uma anestesista, graduou-se em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná e direcionou sua formação para a área cirúrgica.
Fez residência em Cirurgia Geral no Hospital Universitário Cajuru e, posteriormente, residência em Urologia no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba, instituição à qual permaneceu ligado profissionalmente. Durante sua formação, também buscou experiências de aperfeiçoamento nos Estados Unidos e na Europa.
Ao longo da atuação em urologia, passou a concentrar sua prática na endourologia, área voltada aos procedimentos endoscópicos do trato urinário, com ênfase na enucleação prostática. Parte de sua rotina profissional também é dedicada ao treinamento de outros urologistas no Brasil e em países da América Latina.
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Embora trabalhe em uma área fortemente associada à tecnologia, Sato afirma que procura conduzir o atendimento a partir da comunicação com o paciente. Para ele, compreender receios, discutir possíveis impactos do tratamento e alinhar expectativas antes de qualquer procedimento são elementos fundamentais do cuidado médico.
CRM: 36557/PR | RQE Nº: 26287 e 32586Instagram: @thiagosato.urologistaSite: https://www.drthiagosato.com.br

