
Valda Porcionato explica como a menopausa pode afetar emoções e relações
TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS
A menopausa ainda chega para muitas mulheres como uma fase confusa: o corpo muda, o sono piora, o humor oscila, a libido pode diminuir e a disposição nem sempre acompanha a rotina. Para a ginecologista Valda Porcionato, que atua em Londres com foco em saúde feminina, perimenopausa e menopausa, parte do sofrimento está justamente na falta de informação. Muitas pacientes chegam ao consultório sem saber que os sintomas que sentem podem estar relacionados à transição hormonal.
Com experiência no atendimento de brasileiras que vivem fora do país, Valda observa que a menopausa não aparece apenas como uma questão biológica. Ela atravessa a autoestima, o casamento, o trabalho, a maternidade, a saúde íntima e a forma como a mulher se reconhece diante do próprio envelhecimento.
“Muitas mulheres chegam sem informação clara sobre o que está acontecendo com o corpo. Elas começam a ouvir amigas, ler conteúdos nas redes sociais e percebem que talvez estejam na perimenopausa, mas ainda vêm com medo, especialmente quando escutaram de familiares que reposição hormonal é perigosa ou que não poderiam fazer nenhum tratamento por histórico de câncer na família.”
Quando a mulher deixa de se reconhecer
Antes da menopausa, muitas mulheres passam pela perimenopausa, período em que os hormônios começam a oscilar. Essa fase pode começar anos antes da última menstruação e, em alguns casos, provoca sintomas intensos mesmo quando os ciclos menstruais continuam.
Valda relata que uma das frases mais comuns no consultório é: “eu não sou mais eu”. Por trás dessa percepção, podem estar noites mal dormidas, calorões, ganho de peso, irritabilidade, queda da libido, dor durante relação sexual e ressecamento vaginal. O impacto, segundo ela, não se limita ao corpo.
“A mulher pode perceber que engorda mesmo mantendo a mesma alimentação, passa a dormir mal, sente calorões durante a noite, tem ressecamento vaginal, dor durante relação sexual, perda de libido, irritação e impaciência. Muitas dizem: ‘não sei o que está acontecendo comigo’. Essa sensação de não se reconhecer é muito frequente.”
A especialista reforça que sintomas persistentes não devem ser tratados como uma sentença da idade. A orientação é investigar, compreender o momento hormonal e avaliar quais caminhos podem fazer sentido para cada mulher.
Reposição hormonal exige avaliação, não medo
A reposição hormonal é um dos temas que mais geram dúvidas na menopausa. Para Valda, o problema não está apenas no receio das pacientes, mas na forma como o assunto foi tratado durante anos, muitas vezes sem nuance. A médica defende que a decisão seja individualizada, com análise do histórico clínico, dos sintomas, dos exames, dos riscos e dos objetivos de qualidade de vida.
“Não existe receita igual para todas. A dose de uma mulher pode ser diferente da dose de outra, porque cada paciente vive um momento hormonal e clínico próprio. Na perimenopausa, o ajuste costuma ser mais desafiador, já que há meses em que o corpo produz mais estrogênio e outros em que produz menos. Por isso, é preciso acompanhamento e paciência.”
O tratamento, quando indicado, deve ser acompanhado de perto. Segundo a ginecologista, o medo não pode substituir a informação, mas a informação também não deve ser confundida com promessa. Nem toda mulher terá indicação para reposição hormonal, e nem toda paciente responderá da mesma maneira.
Cuidado não cabe em uma única prescrição
Na visão de Valda, a menopausa não se resolve com uma conduta isolada. O tratamento pode envolver diferentes frentes: sono, alimentação, exercício físico, saúde mental, controle do estresse, fortalecimento muscular, avaliação óssea, saúde cardiovascular e acompanhamento ginecológico.
“A reposição hormonal não faz milagre. Se a mulher não dorme bem, não se alimenta de forma adequada, não faz exercício e não controla o estresse, o tratamento pode não ter o mesmo impacto. O cuidado precisa ser um conjunto, com estilo de vida, acompanhamento, exames e ajuste conforme a resposta de cada paciente.”
Esse olhar mais amplo é especialmente importante porque a queda hormonal pode coincidir com outras mudanças da maturidade. A mulher pode estar no auge da vida profissional, acumulando responsabilidades familiares, cuidando de filhos, da casa, de pais idosos ou vivendo a adaptação a outro país. Quando o corpo começa a dar sinais de esgotamento, muitas ainda tentam seguir como se nada estivesse acontecendo.
É nesse ponto que a escuta clínica ganha espaço. Valda afirma que a consulta, muitas vezes, ultrapassa a investigação dos sintomas e se transforma em um momento de reorganização da própria paciente diante de si mesma.
Saúde íntima também é qualidade de vida
Entre os assuntos que muitas pacientes ainda levam ao consultório com vergonha está a saúde íntima. A queda hormonal pode favorecer ressecamento vaginal, fissuras, dor durante a relação sexual, infecções urinárias de repetição, urgência urinária e perda de urina. Embora sejam queixas comuns, muitas mulheres demoram a falar sobre elas.
Para Valda, tratar saúde íntima não é reduzir a mulher a uma demanda estética. É reconhecer que dor, desconforto, perda de libido e insegurança corporal afetam relacionamentos, autoestima e bem-estar.
“Muitas mulheres sofrem com a queda do estrogênio vaginal, que pode causar secura, dor durante relação sexual, fissuras e perda de libido. Isso não é apenas físico. Afeta autoestima, relacionamento, humor e a forma como essa mulher se percebe.”
Em determinados casos, tratamentos locais e tecnologias como laser e radiofrequência podem ser avaliados como recursos complementares. A indicação, no entanto, precisa considerar o quadro clínico e evitar promessas absolutas.
“Existem opções locais e tecnologias que podem auxiliar em determinadas queixas, como ressecamento, atrofia vaginal, incontinência urinária e infecções urinárias de repetição. Mas a escolha precisa ser individualizada, com avaliação adequada e sem promessa de resultado absoluto.”
A importância de falar a própria língua
No atendimento a brasileiras em Londres, Valda percebe que a barreira da língua pode ampliar inseguranças. Falar sobre sintomas íntimos, sexualidade, envelhecimento e medo de adoecer já é difícil para muitas mulheres; fazer isso em outro idioma, dentro de outro sistema de saúde, pode tornar o processo ainda mais delicado.
A médica conta que muitas pacientes se emocionam ao encontrar um espaço onde podem explicar seus sintomas com naturalidade e serem compreendidas também culturalmente.
“Na perimenopausa, a mulher traz questões do corpo, mas também da vida conjugal, familiar e emocional. Muitas pacientes dizem que é importante falar com alguém que entende sua língua e sua forma de se expressar. Esse acolhimento facilita conversas que, muitas vezes, ficaram silenciadas por anos.”
Essa dimensão humana não substitui a investigação médica, mas ajuda a tornar o cuidado mais preciso. Quando a paciente se sente segura para relatar o que sente, a avaliação tende a ser mais completa.
Informação é parte do tratamento
Para Valda, um dos pontos centrais no cuidado da menopausa é devolver à mulher o entendimento sobre o próprio corpo. Saber nomear sintomas, compreender riscos, avaliar possibilidades e reconhecer limites ajuda a reduzir medo e culpa.
A menopausa, segundo a ginecologista, não precisa ser encarada como perda inevitável de vitalidade. Pode ser uma fase de maturidade, autonomia e reconstrução de qualidade de vida, desde que a mulher não naturalize sofrimento e tenha acesso a orientação adequada.
“Procure informação correta e um profissional que saiba avaliar sintomas da menopausa de forma individualizada. A mulher precisa entender se pode fazer reposição, se não pode, quais alternativas existem e qual é o melhor caminho para o momento dela. Cada fase tem seu brilho, mas não é preciso normalizar o sofrimento quando existe possibilidade de cuidado.”
Quem é Valda Porcionato
Valda Baptista Porcionato é ginecologista e obstetra, formada pela FAMERP, em São José do Rio Preto, com especialização pela Santa Casa de São Paulo. Após construir uma trajetória sólida no Brasil, onde atuou por mais de duas décadas na saúde feminina, mudou-se para Londres, cidade em que desenvolveu sua atuação voltada especialmente à ginecologia, à perimenopausa, à menopausa e ao cuidado de mulheres brasileiras que vivem no Reino Unido.
Em sua prática clínica, Valda une experiência médica, atualização constante e uma escuta marcada pela humanização. O atendimento considera não apenas os sintomas físicos, mas também os impactos emocionais, familiares, culturais e íntimos que atravessam a vida da mulher, sobretudo após os 40 anos. Em Londres, seu trabalho busca oferecer um espaço de acolhimento e orientação segura para pacientes que desejam compreender melhor o próprio corpo e viver a maturidade com mais saúde, autonomia e qualidade de vida.
GMC 776836 I CRM 93186 | RCOG | BMS
Instagram: @dravaldaporcionato
Site: https://drvaldaporcionato.com

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