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Vale do Paraíba tem três condenações por feminicídio em menos de uma semana

Penas ultrapassam 40 anos de prisão em julgamentos realizados na região

REDAÇÃO BAND VALE
REDAÇÃO BAND VALE

13/03/2026 • 09:29 • Atualizado em 13/03/2026 • 09:29

Caso Mariana: familiares protestam e pedem justiça em Taubaté

Caso Mariana: familiares protestam e pedem justiça em Taubaté

Créditos: Adonias Araújo

Em menos de uma semana, três homens foram condenados pelo Tribunal do Júri por crimes de feminicídio no Vale do Paraíba, em julgamentos realizados nas cidades de Taubaté e Caraguatatuba. As decisões, proferidas entre os dias 10 e 12 de março, resultaram em penas que variam de 21 a mais de 43 anos de prisão, todas em regime inicial fechado.

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Os casos envolvem assassinatos de mulheres cometidos em contextos de violência doméstica ou em relações afetivas. Além das condenações por feminicídio, dois dos réus também receberam pena pelo crime de ocultação de cadáver. Os julgamentos mobilizaram familiares das vítimas e chamaram atenção para a gravidade da violência contra a mulher na região.

Julgamento caso Mariana

O Tribunal do Júri de Taubaté condenou Luiz Felipe da Silva de Moura a 43 anos e seis meses de prisão pelos crimes de feminicídio e ocultação de cadáver. A sentença foi definida nesta terça-feira (10), após julgamento realizado no Fórum Criminal da cidade.

De acordo com a decisão judicial, o réu foi condenado a 42 anos e seis meses de reclusão pelo crime de feminicídio e a mais um ano de reclusão, além de dez dias-multa, pelo crime de ocultação de cadáver. Com o reconhecimento do concurso material de crimes, as penas foram somadas, totalizando 43 anos e seis meses de prisão, em regime inicial fechado. A Justiça também determinou a execução imediata da pena e a expedição do mandado de prisão.

O advogado de defesa de Luis Felipe da Silva de Moura afirma que seu cliente confessou ter ocultado o cadáver da vítima, mas nega ter cometido o assassinato.

O julgamento começou por volta das 9h10 e contou com a oitiva de cinco testemunhas, além do interrogatório do réu. Familiares e amigos da vítima estiveram em frente ao fórum durante o dia em um protesto pedindo justiça pela morte da jovem.

43 anos de prisão: Homem que matou e enterrou ex-companheira é condenado | Créditos: Adonias Araújo/Band Vale

43 anos de prisão: Homem que matou e enterrou ex-companheira é condenado | Créditos: Adonias Araújo/Band Vale

Julgamento caso Rafaela

O Tribunal do Júri condenou Adilson da Silva de Siqueira Junior a 26 anos de reclusão em regime inicial fechado pelo assassinato da namorada, a adolescente Rafaela Ramos da Silva, de 16 anos. O julgamento ocorreu na manhã desta quinta-feira (12).

Na sentença, a Justiça também determinou mais dois anos de detenção e 20 dias-multa pelo crime de ocultação de cadáver. Ao todo, o réu foi condenado pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver,

O juiz também determinou que o condenado não poderá recorrer em liberdade, com base em entendimento recente do Supremo Tribunal Federal sobre execução de pena após condenação pelo Tribunal do Júri.

O julgamento de Adilson da Silva de Siqueira Junior, acusado de matar e enterrar a namorada de 16 anos em Caraguatatuba, aconteceu na manhã desta quinta-feira (12).

Vítima e o homem que cometeu o crime

Vítima e o homem que cometeu o crime

Julgamento caso Caraguatatuba

Um homem que matou a namorada em Caraguatatuba com golpes da faca recebeu pena de 21 anos de prisão em regime inicial fechado. Ele foi submetido ao Tribunal do Júri nesta quarta-feira (11/3). No julgamento, ficou demonstrada a tese do Ministério Público de que o réu praticou feminicídio com as qualificadoras de motivo fútil e meio cruel.

Segundo o apurado, em 31 de maio de 2023, o homem e a mulher retornavam para casa após passarem a madrugada juntos quando iniciaram uma discussão. O réu, então, sacou uma faca que carregava consigo e passou a golpear a vítima na lateral do tórax, perto da linha da cintura. Os dois entraram em luta corporal e caíram em uma ribanceira.

Mesmo diante dos pedidos da vítima para que o condenado interrompesse as agressões, ele continuou esfaqueando-a. Apenas após a chegada de uma testemunha, o homem fugiu do local.

Casos de feminicídio na região

A região do Vale do Paraíba registra ao menos seis casos de feminicídio em 2026. Dados do painel do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam que ao menos três casos de feminicídio já foram registrados no Vale do Paraíba neste ano. Segundo o levantamento, Taubaté, São José dos Campos e Lorena contabilizam um caso cada. Já em ocorrências policiais recentes, há um registro em Paraibuna e dois em Caraguatatuba.

Em Paraibuna, uma mulher foi morta dentro de casa pelo namorado.

Em Caraguatatuba, os dois casos envolveram companheiros das vítimas: uma mulher foi assassinada e enterrada pelo parceiro, enquanto outra foi morta a facadas.