Uma sobrevivente de violência doméstica no Vale do Paraíba revelou o drama de viver escondida e afastada da própria família após anos de agressões brutais cometidas por seu ex-companheiro. O relato impactante ocorre em um momento crítico, onde a região já registra 5.152 violações de direitos contra mulheres apenas neste ano, evidenciando falhas no sistema de segurança e o medo constante que aprisiona vítimas em cidades como São José dos Campos, Taubaté e Pindamonhangaba.
A entrevistada narra que o relacionamento parecia seguro e feliz no início, mas o agressor revelou sua verdadeira face após dois anos. A primeira agressão física aconteceu em um banheiro, onde ela recebeu um soco no rosto que a deixou ensanguentada. Apesar de ter tentado se separar e buscado abrigo na casa de parentes, ela acabou retornando após promessas de mudança que nunca se cumpriram. Ao longo de 14 anos, ela registrou 16 boletins de ocorrência e chegou a obter uma medida protetiva.
Viver escondida: o custo da sobrevivência no Vale
Em 2024, a vítima tomou a difícil decisão de cancelar a proteção judicial, não por falta de medo, mas porque a presença constante da polícia em seu local de trabalho estava colocando seu emprego em risco. Hoje, ela vive em um estado de fuga permanente:
- Isolamento familiar: Para proteger seus filhos e netos, ela decidiu se afastar completamente. "Faz anos que não vejo meus filhos e não vejo meu neto", desabafou.
- Fuga constante: Ela chegou a se esconder em cidades onde não conhecia ninguém, como Suzano, para evitar ser encontrada.
- Relatos de horror: A mulher detalha agressões que incluíram ter o cabelo enrolado nas mãos do agressor e sofrer fraturas no nariz e no braço.
- Abuso psicológico: Além da violência física, ela vivia sob o terror de que o ex-companheiro pudesse violentar sua filha, que na época tinha apenas 13 anos.
Dados da violência contra a mulher na região
A realidade vivida por essa mulher reflete estatísticas alarmantes divulgadas pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. No Vale do Paraíba, os registros de violações por cidade impressionam:
- São José dos Campos: 1.933 casos
- Caraguatatuba: 480 casos
- Taubaté: 372 casos
- Aparecida: 291 casos
- Pindamonhangaba: 286 casos
Especialistas alertam que a impunidade agrava o sofrimento psicológico das vítimas, gerando quadros severos de ansiedade e medo. No Brasil, entre 2020 e 2025, mais de 300 mil processos de violência contra a mulher prescreveram devido à lentidão judicial, permitindo que agressores saíssem impunes.
Como denunciar agressões e buscar apoio
Se você é vítima ou conhece alguém em situação de risco, utilize os canais oficiais de denúncia e ajuda:
- Polícia Militar (190): Para situações de emergência e flagrantes.
- Central de Atendimento à Mulher (180): Oferece orientação e recebe denúncias de forma anônima.
- Delegacias de Defesa da Mulher (DDM): Unidades especializadas para registro de ocorrências e solicitação de medidas protetivas de urgência.
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