
O mercado automotivo brasileiro caminha para encerrar 2026 com um marco que não ocorre desde 2014: ultrapassar a marca de 3 milhões de veículos leves e pesados vendidos em um único ano. A avaliação é da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que revisou para cima suas projeções e agora estima crescimento de 11,7% nos emplacamentos em relação a 2025.
Caso a previsão se confirme, o Brasil voltará a um patamar anterior à forte retração registrada na última década. A revisão acompanha também os números da Fenabrave, entidade que representa as concessionárias, que classificou o primeiro semestre de 2026 como o melhor desde 2011 em volume de emplacamentos.
Entre janeiro e junho, foram licenciados 2.715.403 veículos no Brasil, alta de 16,01% em relação ao mesmo período do ano passado. Apenas em junho, os emplacamentos somaram 488.420 unidades, resultado praticamente estável frente a maio (-0,82%), mas 18,96% superior ao registrado em junho de 2025.
Automóveis e comerciais leves seguem como os principais responsáveis pela expansão do mercado. Segundo a Anfavea, o segmento acumulou crescimento de 23,7% no semestre, com aproximadamente 208 mil unidades adicionais em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Programa Carro Sustentável e avanço dos eletrificados impulsionam as vendas. Segundo a entidade, o programa respondeu por cerca de 73 mil veículos comercializados, enquanto os modelos eletrificados acrescentaram aproximadamente 130 mil unidades ao mercado — cerca de 70 mil produzidas no Brasil e outras 60 mil importadas.
Produção cresce em ritmo menor
Apesar do aquecimento do mercado doméstico, a produção nacional não acompanha o mesmo ritmo das vendas. A Anfavea elevou sua projeção de crescimento da fabricação de veículos de 3,7% para 5,8%, estimando cerca de 2,8 milhões de unidades produzidas em 2026 —o maior volume desde 2019.
Por um lado, ficamos satisfeitos com o vigor do mercado nacional e com essa alta na produção, que vem se refletindo em ligeira elevação do nível de empregos. Por outro lado, lamentamos muito que parte dessa recuperação venha sendo capturada por importações incentivadas por alíquotas abaixo da média mundial ou pela produção de eletrificados em SKD isenta de Imposto de Importação, algo que vem se provando desnecessário e fora de propósito", declarou o presidente da Anfavea, Igor Calvet.
No primeiro semestre, as montadoras produziram aproximadamente 1,37 milhão de veículos, crescimento de 8,8% sobre o mesmo intervalo de 2025. Segundo as fabricantes instaladas no país, uma parcela relevante da demanda brasileira vem sendo atendida por veículos importados, principalmente da China.
