Carro flex não liga no frio? Veja o que fazer para evitar falhas
Etanol sofre mais em baixas temperaturas, mas falha ao ligar também pode indicar defeitos mecânicos

Com a chegada do outono e a queda das temperaturas em várias regiões do país, motoristas de carros abastecidos com etanol podem enfrentar dificuldades para ligar o veículo nas manhãs frias.
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O problema, muitas vezes tratado como um “capricho” do combustível, pode esconder falhas mecânicas ignoradas pelo proprietário. Entender como funciona a ignição e diferenciar uma característica do sistema de um defeito real é o primeiro passo para evitar transtornos.
O etanol possui propriedades físico-químicas que dificultam sua vaporização em baixas temperaturas. Diferentemente da gasolina, que entra em combustão com mais facilidade mesmo no frio, o combustível derivado da cana exige um ambiente mais aquecido para que a centelha da vela provoque a explosão necessária ao funcionamento do motor.
Nos carros mais antigos, o tradicional tanquinho de partida a frio —abastecido com gasolina— ajuda a resolver o problema. Já os modelos mais recentes contam com sistemas eletrônicos mais sofisticados para facilitar a ignição com o motor frio.
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Há ainda veículos com tecnologia híbrida-leve (MHEV), em que o motor de arranque é substituído por um motor elétrico. Mas, quando o frio aperta, existe uma forma de aumentar as chances de o carro pegar de primeira.
De acordo com Sérgio Melo, perito judicial e consultor em engenharia automotiva, a recomendação é manter ao menos 20% de gasolina no tanque principal durante os meses mais frios.
Se a nossa gasolina fosse pura, bastariam 15%. Mas como o combustível vendido no Brasil já possui uma mistura elevada de etanol, os 20% garantem a margem de segurança necessária para a ignição. Sérgio Melo
Em regiões onde a temperatura não costuma ficar abaixo dos 10°C, essa proporção tende a ser suficiente para garantir uma partida sem dificuldade em motores em bom estado. Um erro comum, segundo Melo, é atribuir ao frio problemas que, na prática, têm origem mecânica. O correto é o sistema funcionar normalmente, independentemente da temperatura.
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Se o carro apresenta falhas para ligar mesmo com o motor quente ou em dias de calor, a causa provavelmente não está no combustível, mas em algum componente defeituoso. “Não se pode dar dicas para compensar problemas. Se há uma falha sistemática, a recomendação técnica é procurar uma oficina”, afirma o consultor.
Sensores de temperatura descalibrados, velas carbonizadas e bicos injetores sujos podem reproduzir sintomas semelhantes aos causados pelo frio, levando o motorista a abastecer com mais gasolina para mascarar um defeito que tende a se agravar com o tempo.
Se o carro não funcionar na primeira tentativa, a reação do motorista nos segundos seguintes também faz diferença. A orientação técnica é tentar novamente por um período ligeiramente maior. Caso o motor continue sem responder, o ideal é esperar cerca de 15 minutos antes de insistir outra vez.
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Insistir repetidamente na chave ou no botão de ignição pode provocar uma sequência de prejuízos. Além do desgaste da bateria e do motor de arranque, o excesso de combustível não queimado pode atingir o sistema de escape e danificar o catalisador —peça de alto custo.
Em situações mais graves, o acúmulo de combustível líquido na câmara de combustão pode provocar o chamado calço hidráulico, com risco de travamento do motor.
