Eleições 2026Contagem regressiva para o 2º turno
0dias
:
00horas
:
00min
:
00seg
Brasil

Como a Mazda se tornou a primeira marca japonesa a vencer as 24 Horas de Le Mans

Em 1991, o subestimado motor Wankel, pilotado por uma equipe improvável, quebrou a hegemonia europeia para dar ao Japão seu primeiro triunfo na prova

3 min

12/11/2025 10:42 • Atualizado há 346 dias

Como a Mazda se tornou a primeira marca japonesa a vencer as 24 Horas de Le Mans

No dia 23 de junho de 1991, o mundo do automobilismo testemunhou um capítulo único na história das 24 Horas de Le Mans. A Mazda, uma marca até então vista como uma "equipe simpática" e perdedora em La Sarthe, cravou seu nome entre os gigantes ao vencer a prova com o protótipo 787B.

Continua depois da publicidade

Mazda e o seu motor rotativo

O coração da história é o propulsor R26B, uma unidade de quatro rotores desenvolvida pela Mazda. Desde os anos 60, a montadora japonesa era a única a insistir na tecnologia rotativa, que, apesar de compacta e leve, carecia de confiabilidade para as duras 24 horas.

Este motor de competição de aspiração natural possuía quatro rotores sequenciais

Este motor de competição de aspiração natural possuía quatro rotores sequenciais

Crédito: Mazda

Após décadas de fracassos e até a desclassificação do RX-7, 1991 era o tudo ou nada. A Federação Internacional do Automóvel (FIA) havia imposto novas regras que, a partir de 1992, baniriam de fato os motores experimentais em favor de blocos padronizados de 3.5 litros (padrão Fórmula 1). O Wankel estava com os dias contados em Le Mans.

Com o prazo final à vista, a equipe de engenharia voltou à prancheta e deu vida ao 787B. Monocoque completo de fibra de carbono, desenhado por Nigel Stroud. Otimizado em túnel de vento para maximizar a velocidade na reta de Mulsanne. Potencialmente 900 hp, mas "detunado" para 700 hp para aumentar a confiabilidade e eficiência. O sistema revolucionário de admissão de ar variável contínua (como um "VTEC esteroide") mantinha o motor no pico de seu torque.

Continua depois da publicidade

A estratégia da equipe, liderada pelo experiente Jacky Ickx, era clara: não vencer pela velocidade pura, mas sim pela eficiência e confiabilidade. A equipe até treinou para ver quem gastava menos combustível mantendo o ritmo.

Os Três Mosqueteiros Desacreditados

Bertrand Gachot, Volker Wiedler e Johnny Herbert

Bertrand Gachot, Volker Wiedler e Johnny Herbert

Crédito: Mazda

O time de pilotos do 787B número 55 era tão improvável quanto o motor: o belga Bertrand Gachot (que começou a temporada na prisão por um incidente de agressão), o alemão Volker Wiedler (com poucas vitórias expressivas) e o "homem com o pé quebrado", o britânico Johnny Herbert.

Herbert havia sofrido um acidente de Fórmula 1 em 1988 que quase lhe custou a amputação dos pés. Proibido pelos médicos de correr, ele se recusou a parar, mas ainda lutava com a dificuldade de pisar no freio e era incapaz de correr na largada clássica de Le Mans.

Continua depois da publicidade

A largada não foi promissora. Devido a regras que beneficiavam os carros "padrão FIA", o 787B foi forçado a partir da 19ª posição. A sorte e a sagacidade, no entanto, estavam com a Mazda. Ickx convenceu os fiscais de que o motor rotativo, por ter "pequeno deslocamento", não merecia o peso extra (200 kg) imposto aos carros mais potentes. Os favoritos, Mercedes e Porsche, estavam pesados (1000 kg) e nem se importaram com a "fofura" do Mazda.

Ao longo da noite, a estratégia da Mazda começou a funcionar. O 787B, leve (830 kg) e consistentemente rápido, escalou o pelotão. Enquanto a atenção estava nas Mercedes-Benz, pilotadas inclusive pelo jovem Michael Schumacher, o Mazda número 55 subiu para quarto lugar ao cair da noite.

787B quebrou hegemonia europeia em 1991

787B quebrou hegemonia europeia em 1991

Crédito: Mazda

Com duas horas para o fim, o carro 55 assumiu finalmente a ponta, após a quebra de mais um pesado alemão no meio do caminho. Ao cruzar a linha de chegada em primeiro lugar, Herbert estava exausto a ponto de ser arrastado para fora do carro e levado de ambulância, perdendo a própria cerimônia do pódio.

Continua depois da publicidade

A vitória da Mazda foi o ponto culminante de um esforço de décadas e representou o primeiro triunfo do Japão nas 24 Horas de Le Mans, um feito que a Toyota só conseguiria replicar anos depois.

Tópicos relacionados

Como a Mazda se tornou a primeira marca japonesa a vencer as 24 Horas de Le Mans