
Quando a Honda apresentou o protótipo do NSX (New Sportscar eXperimental) em fevereiro de 1989, os engenheiros da marca acreditavam ter uma obra-prima nas mãos. Forjado inteiramente em alumínio, era o resultado de um mês de testes intensos em Suzuka e vista pela equipe "uma katana". O objetivo era claro: desafiar a Ferrari. Faltava, no entanto, a validação de Ayrton Senna.
O recém-coroado campeão mundial de Fórmula 1 estava no Japão para testar seu McLaren-Honda e foi convidado a avaliar o protótipo do NSX. Os engenheiros esperavam elogios, mas o que ouviram foi um diagnóstico que mudou o projeto.
O veredito de Senna foi direto e surpreendeu os japoneses.
O Impacto na Rigidez e Suspensão
A Honda levou o feedback a sério. A equipe de P&D reagrupou-se, estabelecendo uma base de testes dedicada no Nürburgring. O feedback de Senna se tornou a nova meta. O resultado dessa reengenharia foi um aumento de 50% na rigidez estrutural do chassi do NSX.
Mas a influência do brasileiro não parou na rigidez. Convidado novamente para ajudar no ajuste fino, Senna usou sua expertise em "acertos de carros de corrida" para refinar o equilíbrio do carro. Suas contribuições adicionais foram vitais para calibrar a suspensão de alumínio, combinando a leveza do material com a precisão necessária para estabilidade em alta velocidade e curvas exigentes.
De "Experimental" a Lenda
Após o feedback de Senna, o desenvolvimento continuou por mais oito meses no Nürburgring, com a ajuda do piloto Satoru Nakajima. O resultado final foi um carro "mais equilibrado" e muito superior ao protótipo inicial.
Quando o NSX de produção finalmente chegou ao mercado em 1990, ele não apenas cumpriu a meta original de superar o Ferrari 328, mas provou ter características de dirigibilidade superiores até mesmo ao Ferrari 348 de 1989, sendo consideravelmente mais fácil de pilotar rapidamente.