
A Nissan vai tirar o Sentra de linha no Brasil após 24 anos de mercado, encerrando a trajetória de um dos sedãs médios mais tradicionais do país. A decisão ocorre em meio ao avanço de SUVs e carros eletrificados e abre caminho para uma nova estratégia da marca, que pode incluir um sedã elétrico.
A fabricante informou que a descontinuação faz parte do "ciclo natural de renovação do portfólio", embora ainda não tenha anunciado oficialmente qual modelo substituirá o Sentra. O sedã permanece no site da montadora apenas para a venda das últimas unidades disponíveis nas concessionárias. A geração atual foi lançada no Brasil há cerca de três anos, mas o modelo é vendido oficialmente no país desde 2004.
O fim de linha ocorre em um momento de forte retração do segmento de sedãs médios e após um desempenho comercial discreto. Entre janeiro e junho de 2026, o Sentra registrou apenas 341 unidades vendidas. No mesmo período, o Toyota Corolla liderou a categoria, com 13.021 licenciamentos, enquanto o híbrido BYD King somou 8.196 unidades.
Mesmo oferecendo um pacote de equipamentos competitivo, desenho atualizado e bom nível de segurança, o Sentra não conseguiu ampliar sua participação no mercado. Nos últimos meses, concessionárias ofereceram descontos próximos de R$ 30 mil para reduzir os estoques, estratégia que teve impacto limitado sobre a demanda.
Apesar do conforto e do visual renovado, um dos fatores que contribuíram para o encerramento do modelo no Brasil foi o conjunto mecânico. O sedã utilizava motor 2.0 aspirado de quatro cilindros, movido exclusivamente a gasolina, que entrega 151 cv de potência e 20 kgfm de torque, sempre associado ao câmbio automático CVT com simulação de oito marchas.
Enquanto os concorrentes passaram a oferecer versões híbridas e conjuntos mecânicos mais modernos, o Sentra permaneceu apenas com motorização a combustão, perdendo competitividade em um segmento que mudou rapidamente.
O modelo media 4,64 metros de comprimento, tinha entre-eixos de 2,71 metros e porta-malas de 466 litros, características compatíveis com os principais rivais da categoria.
Apesar do conjunto equilibrado, o veículo enfrentou um cenário cada vez mais desafiador. A preferência dos consumidores brasileiros migrou para SUVs e, mais recentemente, para veículos eletrificados, segmentos que passaram a concentrar boa parte dos lançamentos e investimentos das montadoras.
A despedida do Sentra pode abrir espaço para um novo sedã elétrico da Nissan no Brasil. A empresa afirma que "apresentará sua nova estratégia de produtos em momento oportuno". Entre as possibilidades está o Nissan N7, sedã elétrico desenvolvido em parceria com a chinesa Dongfeng. O modelo já foi flagrado em testes no país.
Caso seja lançado no mercado brasileiro, o N7 representará uma mudança significativa na estratégia da marca para o segmento. Em vez de um sedã equipado com motor a combustão, a Nissan passaria a oferecer um veículo totalmente elétrico.
O N7 tem dimensões superiores às do Sentra, com 4,93 metros de comprimento, 1,89 metro de largura e entre-eixos de 2,91 metros. O conjunto elétrico utiliza um motor síncrono de ímãs permanentes instalado no eixo dianteiro, alimentado por uma bateria de 73 kWh.
Segundo as especificações divulgadas para o mercado chinês, o sedã entrega 272 cv de potência, 30,5 kgfm de torque e autonomia superior a 600 km pelo ciclo CLTC. O modelo acelera de 0 a 100 km/h em cerca de sete segundos e tem velocidade máxima limitada eletronicamente a 160 km/h.
