Novo Ferrari elétrico aposta no minimalismo e irrita fãs da marca italiana

Projeto com LoveFrom redefine cockpit com alumínio usinado, OLED 3D e nova lógica de comandos

Thiago Ventura

Por Thiago Ventura

Novo Ferrari elétrico aposta no minimalismo e irrita fãs da marca italiana
Interior combina alumínio usinado, comandos físicos e telas com efeito 3D
Divulgação

A Ferrari apresentou em San Francisco (EUA) os detalhes do interior e o nome oficial de seu primeiro superesportivo totalmente elétrico: Ferrari Luce. O projeto, desenvolvido em parceria com o coletivo criativo LoveFrom (liderado por sir Jony Ive e Marc Newson), marca uma transição não apenas na propulsão da fabricante italiana, mas também na forma como o condutor interage com o veículo.

O nome “Luce” (luz, em italiano) foi escolhido para representar a “clareza de visão e a direção tecnológica da marca para a próxima década”. Ainda assim, parte dos fãs não reagiu bem à novidade. Milhares de comentários nas redes sociais criticaram as primeiras imagens do interior do modelo.

Diferentemente da tendência recente de privilegiar telas de grandes dimensões em detrimento de comandos físicos, a Ferrari optou por uma abordagem descrita como “física e tátil”. 

O console central e o painel são construídos a partir de blocos sólidos de alumínio 100% reciclado, usinados por tecnologia CNC de cinco eixos. O material passa por um processo de anodização avançado que cria uma microestrutura hexagonal na superfície, garantindo durabilidade e uma textura fosca refinada.

O vidro empregado nos componentes de controle e no seletor de marchas é o Corning Gorilla Glass de alta resistência. No seletor, a Ferrari aplicou uma técnica de precisão a laser para criar perfurações com espessura equivalente à de um fio de cabelo, permitindo a retroiluminação uniforme de gráficos.

O painel de instrumentos (ou binnacle) introduz uma solução inédita em carros de série da marca: ele é montado diretamente na coluna de direção, movendo-se em conjunto com o volante. 

O sistema utiliza duas telas OLED sobrepostas, desenvolvidas com engenharia da Samsung Display, para criar um efeito de profundidade tridimensional. Recortes precisos na tela frontal permitem visualizar informações da tela traseira com contraste elevado, reduzindo a carga cognitiva do motorista.

O volante, inspirado nos modelos das décadas de 1950 e 1960, possui três raios de alumínio expostos. Apesar do visual retrô, a peça é 400 gramas mais leve que os volantes atuais da marca e integra módulos de controle analógicos com feedback acústico e tátil, testados exaustivamente por pilotos de prova em Maranello.

Outro destaque tecnológico é a chave do veículo, equipada com tela de E Ink (tinta eletrônica), tecnologia que consome energia apenas durante a mudança de cores. 

Ao inserir a chave de vidro no dock do console central, uma sequência coreografada altera a tonalidade do dispositivo de amarelo para preto, integrando-o visualmente à superfície de vidro enquanto os sistemas do cockpit são ativados.

Após a revelação técnica em 2025 e a apresentação do interior agora, em fevereiro de 2026, a marca agendou a terceira e última fase do lançamento, que incluirá o design exterior completo, para maio de 2026, na Itália. 

O modelo inaugura segmento de luxo silencioso, no qual a eletrificação é tratada como meio para alcançar novos patamares de design e funcionalidade. Apesar da proposta tecnológica, o minimalismo não agradou a todos. 

Com mais de 32 milhões de seguidores no Instagram, a conta oficial da Ferrari recebe em média de 300 a 400 comentários por publicação. As imagens e vídeos relacionados ao Luce superaram 6 mil comentários, em geral, negativos.

“Coitado do Enzo, fez o que podia para criar carros que nos inspiraram, fez mais do que o seu melhor, nos fez sonhar, e hoje a Ferrari nos entrega isso. Pergunto-me o que o Enzo diria”, escreveu um usuário.

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