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A Belém da COP30: entre obras e a expectativa de um legado após o evento da ONU

A menos de 100 dias do conferência do clima, o som do tecnomelody e do carimbó se confunde com as britadeiras de uma cidade em obras; governador do Pará, Helder Barbalho, diz que investimentos serão legados para a população

ISABELA MOTA, DE BELÉM

18/08/2025 • 10:43 • Atualizado em 18/08/2025 • 10:43

Isabela Mota

Desde o anúncio de que a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30) seria realizada no Brasil, os moradores da capital do Pará, Belém, buscam manter a rotina em meio a uma cidade que se tornou um canteiro de obras a céu aberto enquanto pensam no que virá depois do evento da ONU. Este é o primeiro capítulo de uma série especial da BandNews FM sobre a COP30 e Belém.

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Com mais de 400 anos de história, Belém é considerada um importante centro cultural, econômico e logístico da Amazônia. No entanto, a menos de 100 dias da abertura da COP30, parte da população tenta entender qual será o legado do evento quando as discussões sobre o clima com autoridades do mundo inteiro tiver se encerrado.

Nos últimos meses, o som do tecnomelody e do carimbó, que costumam tomar as ruas da capital, disputa espaço com britadeiras, retroescavadeiras e funcionários que trabalham nas mais de 30 obras de modernização, infraestrutura e saneamento da cidade.

O governo federal investiu R$ 5 bilhões e o governo do Estado, quase R$ 1 bilhão, além dos aportes feitos pela prefeitura. Com uma cidade inteira em obras, a população se adapta, convive e espera usufruir do legado que a COP30 deve deixar para os mais de 1,3 milhões habitantes de Belém, segundo estimativa de 2024 do IBGE.

O impacto das obras na vida do belenense

O empresário Manoel Netto conta à reportagem da BandNews FM que as grandes obras realizadas na cidade e em seu entorno tem impactado a vida de seus funcionários.

"Eu não tenho ninguém da minha equipe que mora próximo da nossa unidade. Todas elas sofrem com atraso. São muitas obras acontecendo no interior. E isso, obviamente, que atrapalha um pouquinho, atrapalha o horário da abertura, atrapalha o horário da chegada delas em casa", disse.

Diante das dificuldades, há moradores que nem queriam que a sede do evento fosse em Belém. "Isso é uma porcaria porque Belém não tem nem estrutura pra isso", disse uma moradora à BandNews FM.

Há obras que vem para o bem?

Outra parte da população acredita que as obras podem trazer benfeitorias a longo prazo. "Já estão há um bom tempo em obra aqui. Está melhorando aos poucos", diz uma belenense à reportagem.

Para Helder Barbalho (MDB), governador do estado, o evento global vai trazer mudanças para a realidade local.

"A população precisa conviver, viver e usufruir deste momento. Ser sede da COP é a forma de impulsionar estes investimentos, mas estes investimentos não podem estar para o evento, tem que estar para a sociedade local, tem que ser um legado pra quem mora aqui."

Diante do evento, o benefício a curto prazo será o aumento de turistas. Milhares de pessoas de todos os cantos do mundo vão desembarcar em Belém, dispostas a conhecer a cidade, fazer compras, experimentar a culinária e movimentar o comércio local.

Para isso, os comerciantes se preparam como podem. "Vamos mudar o estoque, vamos fazer o nosso cardápio mais inglês, para as pessoas virem já e direto escolher o seu pedido. Querendo ou não, a gente não sabe tanto o inglês, né? Nem todo mundo que trabalha aqui sabe inglês", diz a comerciante Crisleine Silva à BandNews FM.

O idioma, no entanto, não deve ser uma barreira para o evento. As delegações que desembarcarem em Belém também precisarão aprender as gírias paraenses, que dominam as ruas da cidade. Expressões como 'pai d'égua', 'pegar o beco' e 'nem te bate' são frequentes no vocabulário paraense.

O que é a COP30 para o belenense?

A COP30 acontece entre os dias 10 e 21 de novembro em Belém, no Pará. É por meio das discussões que acontecem neste evento que as autoridades dos países participantes devem tomar as decisões necessárias para implementar os compromissos assumidos no combate à mudança do clima.

"Pouca gente sabe o que é, né? Tem gente que pensa que tem a ver com jogo de futebol", diz um morador à BandNews FM.

Outra moradora diz não saber explicar do que se trata o evento, mas espera que traga "melhorias para a Amazônia e para o nosso Pará". *Reportagem em texto editada por Rafaela Lara

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