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Acordo Mercosul-UE chega ao Congresso e votação pode ser antes do Carnaval

Após duas décadas de negociações, tratado comercial avança no Brasil com promessa de prioridade na Câmara; acordo prevê zerar 90% das tarifas de importação entre os blocos

Por Redação
REDAÇÃO

02/02/2026 • 20:04 • Atualizado em 02/02/2026 • 20:04

Mercosul e União Europeia

Mercosul e União Europeia

União Europeia/Mercosul/Agência Brasil

Resumo

Envio do acordo comercial Mercosul-União Europeia ao Congresso Nacional ocorre após análise da Casa Civil, com expectativa de rápida tramitação e prioridade declarada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta.

Movimentação do Parlamento Europeu para judicializar parte do tratado não impede avanço brasileiro, segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, e governo espera que aprovação no Brasil pressione países europeus a acelerar ratificação.

Histórico de negociações iniciado em 1999 inclui resistência de setores agrícolas europeus, retomada das conversas em 2016 e conclusão do acordo político em 2019, culminando na assinatura formal em janeiro de 2026 e início da ratificação.

Após uma longa espera, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia teve sua análise concluída pela Casa Civil nesta segunda-feira (2) e foi finalmente enviado ao Congresso Nacional.

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Considerado uma das maiores prioridades do governo, o tratado chega ao Legislativo com a expectativa de rápida tramitação. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que vai "priorizar" a matéria, com a intenção de votar o texto ainda antes do Carnaval.

Avanço brasileiro apesar de entraves europeus

O envio do texto ao Congresso brasileiro ocorre em um momento estratégico. Na semana passada, o Parlamento Europeu decidiu judicializar parte do tratado, o que poderia atrasar sua entrada em vigor.

No entanto, o vice-presidente e Ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, garantiu que a movimentação na Europa não irá paralisar o processo no Brasil. A aprovação pelos parlamentos dos países do Mercosul não depende da ratificação de todos os membros da UE para começar a valer.

A expectativa do governo é que a rápida aprovação pelo Brasil sirva como um sinal positivo e pressione os países europeus a acelerarem seus próprios processos internos. Senadores influentes já declararam que o acordo é uma pauta prioritária para 2026.

Um histórico de 25 anos de negociações

O caminho para o acordo foi longo e cheio de obstáculos. As negociações começaram oficialmente em 1999, com a primeira troca de ofertas tarifárias ocorrendo apenas em 2001.

Desde então, as conversas passaram por longos períodos de paralisação. Um dos principais entraves sempre foi a resistência de setores agrícolas europeus, especialmente da França, que temiam a concorrência dos produtos sul-americanos.

As negociações foram retomadas com força em 2016 e, após anos de debates intensos sobre temas como meio ambiente, propriedade intelectual e regras sanitárias, os blocos finalmente anunciaram a conclusão de um acordo político em junho de 2019.

Mesmo após a conclusão, foram necessários mais alguns anos para finalizar os detalhes técnicos e as revisões legais, culminando na assinatura formal do tratado em janeiro de 2026, abrindo caminho para o processo de ratificação que agora se inicia.

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