
Aécio Neves critica Kassab após deputados trocarem PSDB pelo PSD: "abutres"
Reprodução
Resumo
O anúncio de filiação de seis deputados estaduais do PSDB de São Paulo ao PSD motivou críticas públicas do presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, que classificou o comportamento político de Gilberto Kassab, presidente do PSD, como "predatório" e comparou sua estratégia à de "fundos abutres".
A articulação do PSD, liderada por Kassab, ocorreu após encontro com a bancada tucana na Assembleia Legislativa de São Paulo, e resultou na sinalização de mudança de legenda por seis dos oito deputados estaduais do PSDB paulista, fortalecendo o PSD no cenário político estadual.
A saída dos parlamentares representa enfraquecimento da bancada tucana na Alesp e pode afetar sua capacidade de influência, enquanto o PSD consolida uma estratégia nacional de expansão ao filiar lideranças como o governador Ronaldo Caiado e outros nomes proeminentes visando as eleições de 2026.
O presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, criticou duramente Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, nesta quinta-feira (5), classificando seu comportamento político como "predatório". A reação veio após o anúncio de filiação de seis deputados estaduais tucanos de São Paulo ao PSD. Neves, em declaração à Folha, comparou a estratégia de Kassab à de "fundos abutres", que "atacam os ativos da empresa para depois comprar na baixa". Este movimento visa enfraquecer o PSDB na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) na janela partidária de março.
A articulação do PSD e a perda tucana
A investida de Gilberto Kassab foi confirmada após um encontro com a bancada do PSDB na Alesp, também nesta quinta-feira. O objetivo do presidente do PSD era convidar os parlamentares a se filiarem ao seu partido. Dos oito deputados estaduais do PSDB na Casa, seis já sinalizaram a mudança de legenda. São eles: Maria Lúcia Amary, Mauro Bragato, Bruna Furlan, Carla Morando, Analice Fernandes e o líder da bancada, Rogério Nogueira. A movimentação busca fortalecer o PSD no cenário político estadual paulista.
Implicações e o futuro do PSDB na Alesp
A saída dos seis deputados representa um enfraquecimento da bancada do PSDB na Assembleia Legislativa de São Paulo. O presidente do PSDB no estado, Paulo Serra, já articula para tentar manter um mínimo de cinco deputados no partido até o fim do ano. A perda de representantes pode impactar a capacidade de articulação e influência da legenda no legislativo paulista. Os deputados Barros Munhoz e Carlão Pignatari, que também fazem parte da bancada do PSDB na Alesp, ainda são dúvidas, mas não descartam a possibilidade de desfiliação. A janela partidária em março será o momento decisivo para a efetivação das filiações e para a definição da nova composição das bancadas na Casa.
PSD vem filiando políticos de outros partidos
O Partido Social Democrático (PSD), presidido por Gilberto Kassab, tem sido o destino preferencial de diversas lideranças políticas nos últimos meses, consolidando uma estratégia de expansão que visa fortalecer a legenda e posicioná-la para as eleições de 2026. A onda de migrações, que inclui governadores e deputados estaduais, é motivada principalmente pelo esvaziamento de partidos tradicionais e pela busca de um novo espaço político por parte dos parlamentares.
A movimentação mais significativa na esfera nacional foi a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD no final de janeiro de 2026. Caiado, que deixou o União Brasil, busca no PSD um caminho para uma possível candidatura à Presidência da República em 2026, juntamente com outros nomes fortes do partido como os governadores Ratinho Junior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). O PSD também acolheu recentemente os governadores Raquel Lyra (Pernambuco) e Marcos Rocha (Rondônia), demonstrando sua capacidade de atrair figuras proeminentes do executivo estadual.


