
Manifestação contra PEC da Blindagem e anistia em São Paulo
REUTERS/Amanda Perobelli
As manifestações que tomaram as ruas contra a PEC da blindagem e a anistia do 8 de janeiro não se limitam a essas pautas. O que verdadeiramente uniu os participantes foi um sentimento de antibolsonarismo, uma força que, na sua percepção, tem se mostrado tão intensa quanto o antipetismo em outros momentos da história política brasileira.
Embora a proposta de anistia seja o elemento central e impopular da agenda bolsonarista, ela serviu como um gancho para a esquerda brasileira mobilizar as massas. Conforme o colunista, a direita se associou politicamente à pauta de maneira equivocada, facilitando a articulação dos movimentos que se opõem à agenda do ex-presidente.
A adesão popular aos protestos de rua da esquerda representa um fato novo, já que o volume de pessoas nas ruas se equiparou ao das últimas manifestações de direita, que acontecem com maior frequência.
O fim de semana foi particularmente benéfico para o governo e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A direita, ainda refém do bolsonarismo, não conseguiu apresentar um candidato forte para o próximo pleito, já que a insistência em Jair Bolsonaro, que está inelegível, cria um impasse.
Houve um erro estratégico da direita, ao exibir uma bandeira americana em frente a um local icônico como o MASP, ofereceu à esquerda um "presente" simbólico. Essa falha, segundo Andreazza, foi uma oportunidade para a oposição fazer uma fotografia mais favorável, mostrando uma bandeira brasileira no mesmo local, reforçando a narrativa de que a oposição está se reorganizando.



