Band News FM
BandNews FM

Andreazza e o caso Master: obstrução, ameaça e a pergunta que falta ao STF

Jornalista aponta que Vorcaro só foi detido preventivamente por causa de troca de relatoria

Da redação
DA REDAÇÃO

04/03/2026 • 12:52 • Atualizado em 04/03/2026 • 12:52

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master

Divulgação

Resumo

Prisão preventiva do controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi realizada em São Paulo na terceira fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, com investigações sobre obstrução de justiça, intimidação e bloqueio de R$ 22 bilhões envolvendo pessoas ligadas ao banco.

Esquema de Vorcaro envolvia uma "máquina de intimidação" composta por policiais e colaboradores, como Fabiano Zettel, para violar sigilos, realizar pagamentos e planejar atos contra desafetos, incluindo ameaças e simulação de violência contra jornalistas, segundo decisão judicial e análise do colunista Carlos Andreazza.

Troca de relatoria do processo, de Dias Toffoli para André Mendonça, foi apontada como decisiva para o avanço das investigações, enquanto questionamentos sobre proteção de ministros e decisões polêmicas, como a de Gilmar Mendes, evidenciam redes de influência e coação que devem ser detalhadas nos próximos passos da apuração.

O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso novamente na manhã desta quarta-feira (4), em São Paulo. A prisão preventiva ocorreu durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. O banqueiro é investigado por "obstrução de justiça", utilizando uma estrutura de intimidação para interferir em investigações. A ação da Polícia Federal também teve como alvo outras pessoas ligadas ao Banco Master e resultou no bloqueio de R$ 22 bilhões.

Compartilhar

Segundo o colunista político da BandNews FM e âncora do Tem Metódo, Carlos Andreazza, a decisão de Mendonça expõe o modus operandi de Vorcaro, que mobilizava uma "máquina de intimidação" com policiais para violar sigilos e obstruir a justiça.

A "Tropa de Choque" e Ameaças

De acordo com o documento de 48 páginas assinado por André Mendonça, Daniel Vorcaro não apenas construiu um esquema de pirâmide no "Caso Master", mas também mantinha uma chamada "turma". Esse grupo era responsável por planejar atos intimidatórios contra desafetos. Em um dos episódios citados, planejava-se "dar uma coça quebradente, simulando um assalto" contra um jornalista.

O esquema contava com o auxílio de Fabiano Zettel, também alvo da operação, que atuava como operador dos pagamentos a essa "tropa de choque". O colunista ressalta que Zettel já havia sido alvo da segunda fase da Compliance Zero, quando o relator do caso era o ministro Dias Toffoli, seu ex-sócio no Hotel Tayayá.

Relações perigosas e os próximos passos

Carlos Andreazza questiona a seletividade em investigações anteriores e as "gestões blindadoras de ministros de corte constitucional". O colunista aponta a troca de relatoria, de Dias Toffoli para André Mendonça, como fator decisivo para o avanço da operação. A análise de Andreazza recorda a, segundo ele, controversa decisão do ministro Gilmar Mendes, que barrou a quebra de sigilo da empresa de Toffoli, sócia de Zettel.

Diante da gravidade dos fatos revelados, que incluem planos de agressão e uma vasta rede de influência e coação, a expectativa se volta para a postura do STF. A investigação deve prosseguir para detalhar o alcance da estrutura criminosa e a extensão das conexões de Vorcaro com agentes públicos, revelando o que Andreazza chama de "elemento chantagista" usado para amarrar diversas figuras poderosas.

Tópicos relacionados