A aprovação do projeto de isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5.000 foi realizada com uma facilidade impressionante na Câmara dos Deputados, conforme o colunista.
Na véspera da votação, o presidente da Casa, Arthur Lira, criou um ambiente de dúvidas e de supostas resistências, focando o debate na compensação necessária para cobrir a perda de arrecadação, estimada em cerca de 30 bilhões de reais.
Lira armou o cenário político para, no final, sair como um dos grandes vencedores da sessão. A votação unânime, com 493 votos a zero, consolidou o poder de Lira na Câmara.
O jornalista ironiza a declaração de surpresa do presidente da Casa com o resultado, afirmando que Lira utilizou a fragilidade de outros nomes para reforçar sua posição e provar quem detém o comando no Congresso.
No entanto, o maior vencedor da aprovação foi o próprio governo Lula. Andreazza ressalta que, após quase três anos de gestão sem uma identidade ou uma marca forte, o governo finalmente materializa uma promessa de campanha às vésperas de um ano eleitoral.
Esta marca é significativa, pois a unanimidade na votação — na qual ninguém ousaria votar contra a isenção eleitoralmente vantajosa — confere legitimidade e um ponto de partida para a estratégia eleitoral do presidente.
A isenção do IR inaugura uma série de pacotes de bondade e promessas que o presidente buscará materializar nos próximos meses. O colunista destaca que, embora seja importante discutir a justiça tributária da medida, seu efeito prático será o de gerar benefícios eleitorais para o governo.
O jornalista conclui a análise reabilitando a competitividade de Lula para a próxima disputa presidencial. Segundo Andreazza, quem acreditava que o presidente estava "fora do jogo" ou não seria competitivo em 2026 não compreende a dinâmica do poder.
Presidentes em busca da reeleição sempre adotam pacotes que transferem benefícios para a população — citando o exemplo de Bolsonaro em 2022 —, e a conta disso será paga pela sociedade, com o governo explorando legitimamente essa conquista do ponto de vista eleitoral.
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