Resumo
A Operação Compliance Zero teve nova fase deflagrada pela Polícia Federal, tendo como alvos principais o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o empresário Augusto Lima, para investigar crimes de corrupção e lavagem de dinheiro ligados ao sistema CredCesta.
O Supremo Tribunal Federal expediu 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, São Paulo e Distrito Federal, determinando retenção de passaportes, proibição de contato entre investigados e uso de tornozeleira eletrônica por Augusto Lima, sendo as investigações centradas em pagamentos de propina ocultados por redes financeiras ligadas ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
O crescimento do Banco Master foi impulsionado por decisões do governo baiano entre 2017 e 2018, com participação do então secretário Jaques Wagner e do empresário Augusto Lima, enquanto o silêncio de congressistas sobre o caso foi apontado como reflexo do envolvimento político, e o material apreendido ainda será periciado.
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (18) a nona fase da Operação Compliance Zero, que tem como alvos principais o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, e o empresário Augusto Lima.
Os agentes cumprem 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. As ordens foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
A investigação aponta o pagamento de propinas e vantagens indevidas ocultadas por meio de redes de movimentação financeira complexas ligadas Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo a PF, os pagamentos ocorreram há quase dez anos e envolvem a estruturação do sistema CredCesta.
Origem do Esquema na Bahia
O colunista político e âncora do Tem Método, Carlos Andreazza, explicou que o crescimento do Banco Master está atrelado a decisões tomadas no governo baiano de Rui Costa, entre 2017 e 2018. O líder do governo no Senado, então secretário de desenvolvimento, teria participado ativamente da formulação do negócio com o empresário Augusto Lima.
"'O CredCesta surgiria a partir de propostas de compra da Ebal, estatal baiana de alimentos que foi privatizada. Esse cartão consignado para servidores tornou-se o principal ativo e alicerce do Banco Master'", explicou o jornalista.
Andreazza também frisou que as transferências financeiras investigadas teriam sido mascaradas pela chamada rede Vorcaro.
"'Nunca Daniel Vorcaro bota o dinheiro diretamente. É por meio de um imóvel, tem uma fachada, tem o parente de quem vai receber ou de quem está pagando, numa rede de ocultação de movimentação'", disse o colunista.
O "Silêncio do Rabo Preso" no Congresso
Para Andreazza, a ausência de discursos sobre o caso evidencia um temor generalizado entre os congressistas. "'Veja o silêncio no Senado. É todo mundo com o rabo preso. Por que ninguém fala nada?'", questionou o jornalista.
O colunista ressaltou o enorme peso político dos nomes blindados pelo silêncio de seus pares. "'Ninguém fala do Ciro Nogueira, ninguém fala do Jaques Wagner, ninguém fala do Davi Alcolumbre, porque um deles pode ser o Alcolumbre de amanhã'", disse Andreazza.
Desdobramentos e Próximos Rumos da Investigação
A nova etapa da operação estabelece medidas judiciais restritivas impostas pelo ministro André Mendonça. O STF decretou a retenção de passaportes de investigados, a proibição de contato mútuo e a instalação imediata de tornozeleira eletrônica em Augusto Lima, que já havia sido preso anteriormente no caso.
A defesa dos investigados e do senador Jaques Wagner ainda devem se manifestar de forma detalhada sobre as buscas. O material apreendido nos escritórios e residências na Bahia, Distrito Federal e São Paulo passará por perícia.
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