
Irã
Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS
Resumo
Alta do preço do petróleo é impulsionada por instabilidade no Oriente Médio após ataque dos Estados Unidos no sul do Irã, tensas negociações sobre o programa nuclear iraniano e possível reabertura do estreito de Ormuz, com destaque para a reversão da queda anterior e análise da colunista Juliana Rosa.
Negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã envolvem exigências para destruição de urânio enriquecido e manutenção do estreito de Ormuz aberto, sem resposta oficial do governo iraniano até o momento, enquanto interrupções na rota elevam a crise global de inflação e incertezas no fornecimento de energia.
Medidas econômicas brasileiras incluem subvenção de 44 centavos por litro de gasolina, isenção de impostos sobre combustíveis e anúncio de nova fase do programa Desenrola, com foco em minimizar pressão inflacionária e apoiar famílias endividadas, além de estímulos econômicos que somam impacto acima de R$ 200 bilhões.
O preço do barril de petróleo do tipo Brent voltou a subir e se aproxima da marca de US$ 100 nesta terça-feira (26), impulsionado pela instabilidade no Oriente Médio após os Estados Unidos realizarem um ataque no sul do Irã na véspera. O movimento de alta, que reverte a queda de quase 7% registrada no fechamento do dia anterior, ocorre em meio a tensas negociações sobre o programa nuclear iraniano e a possível reabertura do estreito de Ormuz, conforme destacado pela colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa.
Apesar da ofensiva militar, o governo norte-americano afirma que as ações tiveram caráter de proteção para manter o avanço das negociações diplomáticas sem riscos. O objetivo central relatado por Donald Trump seria garantir a destruição de material de urânio enriquecido, uma exigência que o Irã já declarou que não pretende cumprir, recusando-se a entregar o material aos norte-americanos. Até o momento, o governo iraniano não emitiu uma resposta oficial as ofensivas.
O futuro do fornecimento e os impactos globais
O principal ponto de atenção para o mercado global, que definirá o cenário dos próximos dias, é se um acordo reabrirá o estreito de Ormuz. Este ponto é considerado o gargalo fundamental para o fornecimento mundial de combustível, já que é pela passagem por onde escoa 20% do petróleo e gás natural global.
A interrupção e as incertezas logísticas nessa rota são os principais fatores que alimentam a atual crise global de inflação. Com as tratativas em andamento, a expectativa é observar se o estreito será liberado, o que poderia normalizar o fluxo comercial e estabilizar os preços no mercado internacional.
Reflexos no Brasil e novas medidas econômicas
Para tentar conter o impacto das altas internacionais no mercado interno, o governo brasileiro publicou no Diário Oficial o valor de uma subvenção de 44 centavos por litro para a gasolina. A medida se soma a outras ações já implementadas, como a isenção de impostos federais e de parte dos tributos estaduais sobre o diesel.
Segundo Juliana Rosa, as ações buscam minimizar os efeitos da pressão inflacionária e do alto endividamento sobre o orçamento das famílias, que vem sofrendo forte deterioração.
Além dos subsídios aos combustíveis, o cenário econômico doméstico é marcado por um pacote contínuo de novas propostas. A principal expectativa de curto prazo é o lançamento de uma nova fase do programa Desenrola, desta vez voltada para pessoas adimplentes que desejam trocar dívidas caras por opções com juros menores. O pacote geral de estímulos do governo, que abrange desde incentivos para motoristas de aplicativo até debates sobre a escala 6x1, já soma um impacto estimado em mais de R$ 200 bilhões na economia nacional.


