Band News FM
BandNews FM

Banco Central decreta liquidação do Banco Pleno, antigo Voiter

Instituição financeira, que pertencia a um ex-sócio do Banco Master, teve a quebra decretada por problemas financeiros e descumprimento de normas

Da redação
DA REDAÇÃO

18/02/2026 • 09:37 • Atualizado em 18/02/2026 • 09:37

Banco Central

Banco Central

Agência Brasil

Resumo

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A. e da Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM), devido a comprometimento econômico-financeiro, deterioração da liquidez e infringência às normas bancárias, sendo o banco de pequeno porte e de baixo impacto para o sistema financeiro nacional.

A liquidação extrajudicial consiste no encerramento forçado das atividades por decisão administrativa, visando proteger investidores e a estabilidade do sistema, com bloqueio de bens dos controladores e possibilidade de ressarcimento pelo Fundo Garantidor de Créditos até R$ 250 mil por CPF.

A liquidação está relacionada à quebra do Banco Master e Will Bank, ambos ligados a Daniel Vorcaro, sendo Augusto Lima o controlador do Pleno, ex-sócio de Vorcaro, investigado pela Operação Compliance Zero e beneficiado com a transferência societária aprovada pelo BC antes das investigações, com o caso podendo gerar sanções administrativas e ser comunicado a outras autoridades.

O Banco Central (BC) decretou, nesta quarta-feira (18), a liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A. e da Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM).

Compartilhar

A medida foi motivada pelo "comprometimento da situação econômico-financeira", "deterioração da situação de liquidez" e "infringência às normas que disciplinam a atividade bancária", segundo comunicado da autoridade monetária.

A instituição era controlada por Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master.

O Pleno, que até o ano passado se chamava Voiter, fazia parte do conglomerado do Banco Master.

Em agosto de 2025, o próprio BC aprovou a transferência do controle societário para Lima.

O Banco Central informou que o Pleno é de pequeno porte, com uma participação de 0,04% dos ativos e 0,05% das captações do Sistema Financeiro Nacional (SFN), e que a quebra tem baixo impacto para a estabilidade do sistema.

O que é a liquidação extrajudicial?

A liquidação extrajudicial é um processo administrativo, conduzido pelo Banco Central, que determina o encerramento forçado das atividades de uma instituição financeira.

O objetivo é proteger os investidores e a solidez do sistema financeiro brasileiro quando uma instituição apresenta graves problemas de solvência ou descumpre as regras do setor. Com a decisão, os bens dos controladores e administradores do banco ficam indisponíveis.

A medida é diferente da falência, que é um processo judicial. No caso da liquidação extrajudicial, um liquidante é nomeado pelo BC para administrar a massa falida, apurar os ativos e pagar os credores.

Clientes com depósitos ou investimentos cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) podem reaver seus recursos até o limite de R$ 250 mil por CPF.

Ligação com o Banco Master

A liquidação do Banco Pleno ocorre na esteira da quebra do Banco Master e do Will Bank, também ligadas a Daniel Vorcaro.

O controlador do Pleno, Augusto Lima, foi sócio de Vorcaro no Master até maio de 2024 e chegou a ser preso em novembro de 2025, na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investigava um esquema de fraudes financeiras. Ele foi solto no mesmo mês, com aplicação de medidas cautelares.

Ao deixar a sociedade no Master, Lima ficou com o antigo banco Voiter, que passou a se chamar Pleno, e com a operação do Credcesta, um cartão de benefício consignado. A aprovação da transferência do controle do Voiter para Lima pelo BC, em julho de 2025, ocorreu poucos meses antes da deflagração da operação da PF.

O Banco Central informou que continuará apurando as responsabilidades e que o caso pode gerar sanções administrativas e ser comunicado a outras autoridades.