
Taxa básica é a maior em 20 anos
Foto: Agência Brasil
Resumo
A manutenção da taxa básica de juros em 15% ao ano pelo Banco Central na primeira reunião do Copom reflete uma postura cautelosa diante da inflação de serviços persistentemente alta e de um cenário internacional volátil, adiando o início do ciclo de cortes para março.
A decisão ocorre apesar do crescimento econômico menor, do alto endividamento da população e do aumento da inadimplência, sendo influenciada pelo alívio da inflação geral proporcionado pela queda do dólar, que barateou produtos industriais, insumos importados e alimentos.
O contexto internacional de enfraquecimento do dólar e maior entrada de capital estrangeiro contribui para segurar a inflação, mas incertezas geopolíticas, volatilidade eleitoral e inseguranças jurídicas internas exigem cautela do Banco Central, segundo análise da jornalista Juliana Rosa.
O Banco Central deve manter a taxa básica de juros do Brasil em 15% ao ano na primeira reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom). A manutenção, segundo analistas, reflete uma postura de cautela da autoridade monetária diante de uma inflação de serviços que cede lentamente e um cenário externo volátil, adiando o provável início do ciclo de cortes para março.
Em análise na manhã desta segunda-feira (26) a colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa, detalhou os fatores que estão na mesa do Copom. A decisão de manter os juros na maior taxa em 20 anos ocorre mesmo com a economia brasileira dando sinais de perda de fôlego e com a população enfrentando um alto nível de endividamento e crescimento da inadimplência.
O que pesa na decisão do Banco Central?
A inflação do último ano ajudou a economia brasileira, fechando dentro da meta, um cenário que poucos imaginavam no início de 2025. O principal motor para esse alívio nos preços foi a queda do dólar, que barateou produtos industriais, insumos importados e alimentos.
No entanto, o Banco Central mantém sua atenção na chamada inflação de serviços – custos como alimentação fora de casa, escolas, planos de saúde e dentistas – que está desacelerando de forma muito lenta. É esse o principal ponto de atenção.
Cenário doméstico e internacional
Apesar de a economia brasileira crescer em um ritmo menor, com projeção de 2% para este ano contra cerca de 2,4% no ano passado, dados recentes do comércio vieram melhores que o esperado.
Segundo a colunista, isso mostra que, embora a atividade perca força, a queda é gradual. O cenário externo, por sua vez, parece continuar ajudando, com um movimento de enfraquecimento do dólar globalmente, em parte pelas políticas nos Estados Unidos.
Esse movimento, somado à busca de investidores por mercados emergentes como o Brasil para diversificar suas carteiras, tem aumentado a entrada de dólares no país, pressionando a cotação da moeda para baixo. Quanto mais dólar chega, mais barata a moeda fica por aqui, o que representa um alívio contínuo para a inflação.
Apesar dos fatores positivos, não há garantias. Como lembrou Juliana Rosa, "o dólar foi feito para humilhar os economistas". Incertezas geopolíticas e o ano eleitoral trazem alta volatilidade.
Adicionalmente, questões internas, como o caso Master, geram uma insegurança jurídica e institucional que pode afetar a atração de investimentos para o país. Diante disso, o Banco Central deve "navegar com muita cautela nesse mar turbulento", concluiu a jornalista.
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