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Banco Central mostra disposição para cortar taxa de juros

Dólar abre em alta após Banco Central reduzir a taxa Selic para 14,25% ao ano e piorar estimativas para a inflação

Da redação
DA REDAÇÃO

18/06/2026 • 10:30 • Atualizado em 18/06/2026 • 10:30

Banco Central libera saque de valores esquecidos nesta terça-feira (07)

Banco Central libera saque de valores esquecidos nesta terça-feira (07)

Foto: Agência Brasil

Resumo

O Banco Central cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25%, deixando o mercado financeiro incerto sobre o ciclo de redução de juros, o que levou à alta do dólar para R$ 5,15 e refletiu divergências na comunicação do Copom.

A piora nas previsões de inflação, com o IPCA estimado em 5,2% para 2026 e 3,7% para 2027, somada a fatores como estímulos do governo ao consumo, efeitos do conflito no Oriente Médio e impacto do El Niño, aumentou a pressão inflacionária e gerou desconfiança entre analistas.

A possível interrupção dos cortes na Selic dependerá da evolução das expectativas inflacionárias, com o Copom enfatizando cautela diante da incerteza econômica e destacando que futuras decisões serão guiadas pelos próximos dados do cenário interno e externo.

O mercado financeiro está incerto sobre o ciclo de corte de juros após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) indicar caminhos divergentes na última decisão, que cortou a Selic em 0,25 ponto porcentual, para 14,25%. A indefinição provocou forte alta do dólar, cotado a R$ 5,15 na manhã desta quinta-feira (18).

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Esta foi a terceira redução consecutiva de mesma magnitude realizada pelo Banco Central no atual ciclo de afrouxamento monetário iniciado em março de 2026. No corte anterior, em abril, a taxa básica recuou de 14,75% para 14,5% ao ano, mantendo o cenário de juros reais extremamente restritivos no país.

Ruídos na Comunicação e Pressão Inflacionária

A colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa, explicou que o Banco Central surpreendeu o mercado ao piorar de forma expressiva as suas estimativas de inflação para os próximos anos.

A previsão do IPCA para 2026 subiu de 4,6% para 5,2%, enquanto a estimativa para 2027 passou de 3,5% para 3,7%.

"'O Banco Central traz os argumentos de que a inflação está muito pressionada e acelerando. Ele cita os estímulos do governo ao consumo, os efeitos defasados do conflito no Oriente Médio e as severas previsões do fenômeno climático El Niño nos alimentos'", alegou.

A jornalista apontou que, mesmo diante deste cenário, a persistência de cortes foi mal interpretada pelo mercado financeiro.

O Futuro dos Juros e os Próximos Rumos do Copom

Analistas econômicos apontam que o Banco Central pode ser obrigado a interromper a sequência de reduções da Selic caso as expectativas inflacionárias continuem afastadas das metas.

O receio do mercado é que o colegiado esteja adotando uma postura excessivamente leniente no controle dos preços.

"O Banco Central não diz claramente que vai continuar cortando, mas trouxe uma novidade ao olhar o horizonte da inflação até 2028. Este é um detalhe técnico que mostra uma pré-disposição para mais cortes”, analisou a colunista.

O Copom reafirmou que a extensão do ciclo de corte de juros dependerá dos próximos dados econômicos. O comitê destacou que o cenário doméstico e externo de elevada incerteza exige cautela para os próximos passos.