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Bergamo: Imposto de Renda "passou fácil, oposição nem teve como reagir"

Promessa de campanha do presidente Lula, também estabelece como compensação a criação de um imposto mínimo de até 10% sobre a alta renda

Por Redação
REDAÇÃO

02/10/2025 • 09:05 • Atualizado em 02/10/2025 • 09:05

Mônica Bergamo

A colunista Mônica Bergamo destaca a facilidade com que o projeto de isenção do Imposto de Renda (IR) foi aprovado na Câmara dos Deputados, indicando que a proposta goza de grande popularidade. Segundo a jornalista, a oposição sequer conseguiu se posicionar de forma contrária, pois votar contra uma medida benéfica ao contribuinte seria politicamente desfavorável, mesmo que a aprovação significasse um ganho político considerável para o governo. O debate, conforme Bergamo, concentrou-se mais nas questões de financiamento e impacto fiscal do projeto.

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De acordo com a colunista, o ponto mais relevante da votação foi a inclusão de um artigo crucial de última hora, que obriga o governo federal a apresentar, em até um ano, uma política clara para o reajuste automático da tabela do IR.

A jornalista explica que essa nova exigência visa impedir a repetição do que ocorreu entre 2015 e 2023: o congelamento da tabela. Conforme Bergamo, a inflação corrói o poder de compra e faz com que, gradualmente, contribuintes que seriam isentos voltem a pagar o imposto.

A jornalista utiliza o novo limite de isenção para ilustrar o problema. Segundo Bergamo, o projeto garante que quem ganha até R$ 5.000 não pagará mais o imposto; no entanto, sem um reajuste automático, a inflação futura fará com que o salário nominal suba (para R$ 5.500 ou R$ 6.000, por exemplo), e essas pessoas, em poucos anos, voltarão à faixa de tributação.

Conforme a colunista, essa defasagem da tabela já era um problema crônico, com a promessa de isenção em R$ 5.000 tendo sido feita em 2018 e se concretizando em 2025 com o mesmo valor, ignorando a inflação do período.

Mônica Bergamo salienta que a falta de uma política de reajuste automático sempre deixou a correção da tabela dependente de decisões políticas anuais do presidente. Isso significava que o reajuste poderia ou não ser enviado ao Congresso, ficando sempre à mercê de barganhas e do contexto legislativo — como a votação de outras pautas prioritárias.

Para a colunista, a aprovação do novo artigo é fundamental, pois, ao tornar o ajuste anual obrigatório por lei, a medida protege o contribuinte da corrosão inflacionária e desvincula a correção da tabela do cenário político momentâneo. Segundo Bergamo, a expectativa é que o governo proponha um índice de reajuste que equilibre a manutenção do padrão de distribuição de renda com a responsabilidade fiscal, evitando o comprometimento das contas públicas.

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