
CPMI do INSS
Geraldo Magela/Agência Senado
A CPMI que investiga desvios bilionários em benefícios do INSS ouviu nesta quinta-feira (25) o depoimento de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Preso preventivamente, ele é apontado como o principal articulador de um esquema que teria desviado mais de R$ 6 bilhões de aposentados e pensionistas.
“Careca do INSS” se defende
Durante a sessão, Antônio Carlos Camilo Antunes negou participação nas irregularidades e afirmou ser alvo de perseguição. Ele é acusado de facilitar descontos ilegais em benefícios previdenciários por meio de sindicatos e associações de fachada. Segundo a Polícia Federal, parte dos valores arrecadados foi desviada para pessoas ligadas a servidores do Instituto Nacional do Seguro Social.
A investigação aponta que Antunes transferiu pelo menos R$ 9 milhões a intermediários próximos de gestores do INSS. Os parlamentares da comissão, no entanto, contestaram as negativas do depoente, ressaltando que há provas documentais e registros bancários que indicam a participação ativa dele.
Críticas ao Judiciário e próximos passos
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), voltou a criticar a concessão de habeas corpus pelo Judiciário a convocados, o que, segundo ele, tem atrapalhado os trabalhos. Na semana passada, o próprio Antunes havia tentado não comparecer à sessão alegando que só prestaria esclarecimentos à Polícia Federal.
A comissão agora concentra esforços em ouvir representantes de entidades suspeitas de atuar como canais para os descontos indevidos em aposentadorias. Entre os próximos depoimentos já confirmados estão dirigentes de associações de classe e ex-servidores do INSS. O objetivo é detalhar como funcionava a engrenagem financeira que, segundo estimativas, movimentou bilhões de reais em prejuízo para aposentados e pensionistas.
Com a reta final dos trabalhos prevista para o fim do ano, a expectativa é que os próximos depoimentos possam revelar a participação de servidores de carreira do INSS e identificar possíveis conexões políticas do esquema.
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