Resumo
Operação Unha e Carne expôs esquema de lavagem de R$ 7,5 bilhões entre 2020 e 2026, abalando a política fluminense e o discurso de segurança pública nacional do bolsonarismo, segundo o colunista Carlos Andreazza.
Prisão do pré-candidato Márcio Canella e envolvimento de membros da família Bolsonaro revelaram infiltração inédita do crime organizado na máquina pública estadual, evidenciando participação de lideranças políticas e desestruturação ética.
Indicação de Canella ao Senado, apadrinhada por Flávio Bolsonaro e Rogéria Bolsonaro, foi considerada contradição insustentável para a oposição, mostrando perda de legitimidade ao debater segurança pública e confirmando livre atuação de facções dentro das estruturas do Estado.
A escalada da Operação Unha e Carne no Rio de Janeiro, que expôs um esquema de lavagem de R$ 7,5 bilhões entre 2020 e 2026, implodiu as bases políticas fluminenses e desestruturou o discurso de segurança pública nacional do bolsonarismo, segundo o colunista político e âncora do Tem Método, Carlos Andreazza.
Para o jornalista, a prisão do pré-candidato Márcio Canella e o envolvimento de figuras políticas importantes indicam uma destrutiva infiltração do crime organizado na máquina pública estadual.
Andreazza classificou o cenário atual como uma verdadeira tragédia ética, pontuando que a sexta fase da ação policial joga luz sobre um modelo de governança em que não existe fronteiras entre o poder público e a criminalidade, com participação de lideranças políticas do estado.
O 'Cavalo Manco' da Campanha Eleitoral
A indicação de Márcio Canella ao Senado, apadrinhada por Flávio Bolsonaro e tendo como suplente Rogéria Bolsonaro, mãe do pré-candidato à Presidência, foi apontada por Andreazza como uma contradição insustentável para a oposição. De acordo com o colunista, o grupo político perde a legitimidade para debater segurança pública ao se aliar a investigados em esquemas bilionários que utilizavam postos de combustíveis para “branquear” o capital ilícito.
"Como é que você vai falar de segurança pública tendo na sua base eleitoral aqui no Rio de Janeiro um governo como o de Cláudio Castro, em que se está vendo, em vez do combate ao crime organizado, a presença do crime na máquina do Estado?", questionou o jornalista. Para ele, a estratégia eleitoral transformou-se em um "cavalo manco" incapaz de se sustentar diante dos fatos expostos pela Polícia Federal.
Andreazza destacou que, embora o Rio de Janeiro historicamente sofra com a influência de facções, os últimos seis anos representam um marco inédito de degradação institucional. A investigação demonstra que as facções passaram a transitar livremente dentro das estruturas do Estado, envolvendo de governadores a desembargadores federais.
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